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São três os modelos de negócios que prometem movimentar os mercados nos próximos meses: fintechs, fundos e gestoras independentes.  Partes de uma engrenagem financeira que forma um dos maiores setores do mundo, essas atividades já crescem entre 10% e 15% ao ano.

Como em toda indústria, todos já passaram por um movimento de consolidação, o que quer dizer que o próximo passo é inevitavelmente a participação em um IPO.   

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Os três modelos de negócios vão movimentar os mercados nos próximos meses

Fintechs

Mundialmente falando, 20% de tudo que é investido por fundos de venture capital desemboca em alguma fintech.  Esse mercado nunca esteve tão aquecido, sendo que as vendas em participações já somam US$ 70 bilhões (o dobro do negociado em 2020).  Não por outro motivo, IPOs como o da famosa corretora Robinhood, avaliada em US$ 35 bilhões.

Diferentemente de antes da pandemia, esse movimento não está associado à nenhuma irracionalidade.  Na lista das candidatas a abrir o capital, empresas dominantes e parrudas, distribuídas geograficamente e não necessariamente focadas em um único serviço.  Isso explica a inclusão das seguradoras digitais (insurance-techs), além das gestoras de fortunas digitais (wealth-techs) no mesmo grupo.

Entre elas, características em comum como empresas fundadas há algum tempo e que se tornaram rentáveis.  Por conta disso, caíram nas graças dos investidores institucionais com bolsos fundos e pouca propensão ao risco.  É fato que muitos fundos soberanos e de pensão ganharam expertise e dinheiro apostando pouco nesse tipo de negócio na última década. 

Mais recentemente, tentam turbinar os ganhos adquirindo frações maiores nessas empresas que estão em vias de se tornarem companhias abertas; ou seja, na última janela de oportunidade para se levar um bom ativo a preços atrativos.

Ao alcançar esse estágio, não é incomum que as fintechs já tenham se transformado nas principais plataformas para os seus usuários, tendo já iniciado um processo próprio de consolidação.

Fundos

O ano de 2021 foi bastante propício para a criação de fundos com estratégias diferenciadas.  Consequência das baixas taxas de juros, é aqui onde a criatividade na gestão de recursos é premiada.  Como investidores iniciais (“capital semente”), as próprias assets de bancos que, captando recursos de correntistas com facilidade, financiam os seus primeiros anos.

Nessa parceria, ambos os lados ganham: o fundo se beneficia da estrutura do banco enquanto o banco se beneficia de uma gestão ágil e autônoma, algo que nem sempre consegue dentro de casa.  Já bastante difamados pelos serviços de péssima qualidade que oferecem, é fato que os bancos sofrem também a concorrência de outros players

As principais corretoras do país também são bastante ativas, comprando participações que variam entre 15% e 30%.  Nesse caso, funcionam como se fossem as empresas de private equity do mundo dos fundos de investimento.  Pela experiência que possuem na distribuição de fundos de terceiros, ajudam na implementação das melhores práticas e oferecem networking, ao mesmo tempo em que complementam a grade com alternativas de investimento. 

Ao contrário do imaginário de muitos jovens que sonham em ter o seu próprio fundo, não basta bater na porta, mostrar um histórico de 6 meses e pedir dinheiro.  Sem um investidor de longo prazo atuando como “âncora”, dificilmente se vai além dos familiares e amigos.

Isso se aplica inclusive para gestoras que estão no mercado há bastante tempo, mas que são desconhecidas do público em geral.

Gestoras independentes

A incansável busca por retornos maiores por parte de grandes fundos internacionais explica porque duas gestoras brasileiras (Pátria e Vinci) resolveram listar as suas ações na Nasdaq.  No mercado norte-americano, já existem instituições financeiras independentes listadas, o que facilita o entendimento dos seus números e de sua operação. 

Apesar de serem bastante competentes e especializadas, o passado de renda fixa elevada no Brasil impediu que se criasse aqui uma cultura para investimentos em ativos alternativos como o crédito privado, além de outros veículos de investimento para infraestrutura e o setor imobiliário, por exemplo.

Ao abrirem o capital, essas gestoras conseguem os recursos para viabilizar tais opções, sem a preocupação de honrar resgates.  Tal como no fomento de novos fundos, citado anteriormente, esse também é um capital que permanecerá investido por longos períodos de tempo.

As vantagens não se limitam a isso.  O funding obtido via IPO permite ainda a expansão geográfica e a atuação em novas praças.  Com a maior capacidade financeira, inicia-se o processo de consolidação com outras gestoras.  O leque de investimentos se amplia, ao mesmo tempo em que se ganha expertise e presença local. 

O resultado é uma mudança de patamar na forma de atuação da gestora, com informações muito mais ricas e completas.

Conclusão

Negócios de vulto costumam se antecipar ao calendário eleitoral, visto que um cenário de maior incerteza dificulta as decisões de investimento.  Entre as propostas mais promissoras, destaque para o mercado financeiro, com o grupo das “techs”, os fundos inovadores e as gestoras independentes.

No caso das instituições financeiras que já nascem digitais, negócios que cresceram, venceram e que estão prontos para a abertura de capital.  Se antes se limitavam a investidores do próprio meio, agora contam com os mais tradicionais dos investidores institucionais, os grandes fundos que cuidam das riquezas nacionais e das poupanças domésticas.

Sem grandes surpresas nos juros, os novos arranjos surgem da fusão entre pessoas empreendedoras e o ecossistema da gestão de recursos de terceiros.  É fato que muitos dos que fizeram carreira no mercado financeiro partem para os fundos de nicho, dando-lhes mais liberdade de atuação.  Tal como em qualquer outro setor, aqui também o “dinheiro paciente” é necessário para que uma nova estratégia de investimentos possa vingar.

Por fim, as gestoras que se beneficiam da abertura dos mercados, buscando recursos no exterior.  Para elas, a certeza de que haverá investidores para projetos de longa maturação, independentemente do “vai e vem” da política no Brasil.

Ao longo de todo esse processo, o mercado financeiro local se aperfeiçoa e reduz a distância em relação às principais praças globais.  Para o investidor, trata-se de uma excelente oportunidade para ver, aprender e escolher melhor:

“É claro que ganhar dinheiro é importante – mostra que estamos indo na direção certa –, mas é uma consequência, não um fim.”

Guilherme Benchimol

*Este artigo não expressa necessariamente a opinião do portal Mais Retorno

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Possui MBA em Finanças e LLM em Direito do Mercado Financeiro (ambos pelo Insper/SP). É gestora de uma carteira proprietária, além de ser responsável por um Family Office.

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