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Dólar abaixo de R$ 5,00? Confira a análise de economistas

Economistas ouvidos pela Mais Retorno comentam impacto de queda de juros, aprovação do arcabouço fiscal e força do real perante o dólar

Data de publicação:22/05/2023 às 08:00 -
Atualizado 4 meses atrás
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Por vários dias em maio o dólar trafegou abaixo da faixa de R$ 5,00. Qual o motivo, vai continuar? Há outra pergunta que não quer calar é: o real está forte ou o dólar está fraco? Para os economistas ouvidos pela Mais Retorno, a resposta não é óbvia. 

Para André Perfeito, nem sempre algo que parece ser positivo de fato é, em especial considerando projeção de dólar

dólar azul
Dólar pode até cair a R$ 4,60 com aprovação do arcabouço fiscal, mas deve ficar mais próximo de R$ 5,00 no final de 2023

“Dependendo da resposta costumo brincar dizendo que nem sempre seis é igual a meia dúzia querendo com isso dizer que às vezes o fenômeno parece bom, mas não é. Neste caso, a situação é positiva para o real, tanto o seis quanto a meia dúzia são melhores para nós”, diz o economista. 

Para Peter Carvalho, economista da Valor Investimentos, a pergunta também traz outra perspectiva relacionada ao tempo de desvalorização do real nos últimos anos. 

“O que acontece com o real é que ele não mexeu há muito tempo. A gente ficou com um real desvalorizado por muito tempo, agora que ele resolveu entrar no mapa aí”, explica Carvalho. 

Em sua visão, o momento sugere que o Brasil “volta a entrar no mapa do investidor internacional então o bom momento da nossa economia reflete no câmbio”. 

Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, as variáveis analisadas impactam muito na resposta e, em sua visão, a pergunta é até “um pouco filosófica”. 

Influência da queda de juros 

Entre os motivos que podem explicar a dinâmica, Perfeito destaca, principalmente, quatro pilares que impactam a questão atualmente: juros no Brasil, apreciação dos ativos brasileiros, balança comercial brasileira e a possível aprovação do arcabouço fiscal

Sobre esses pontos, Carvalho comenta também a vocação relacionada a commodities do Brasil e a venda de papéis de empresas ligadas ao setor na Bolsa. 

Em relação aos juros, o economista da Valor Investimentos explica que a queda de juros não é, necessariamente, um fator que alterará o dólar. Em sua análise, há outros fatores que atraem o investidor estrangeiro junto com juros altos. 

Para André Perfeito, a queda de juros traz apreciação para a moeda brasileira. “A eventual queda dos juros no Brasil pode fazer o real se apreciar (o que normalmente não faria sentido) uma vez que o efeito da queda dos juros nos ativos locais, em particular na bolsa de valores, mais que compensam a diminuição do diferencial dos juros doméstico e internacional”. 

“Eu acho que embora as taxas de juros mais altas justifiquem um ingresso de fluxo de capital especulativo pro Brasil, a medida que a taxa de juros cai aqui, isso também é positivo pra nossa economia como um todo", explica a economista do Banco Ourinvest. 

Cristiane pondera que a recuperação da confiança dos dados macro, em especial considerando atividade econômica e crédito, melhora a imagem do Brasil e, por consequência, isso tende a ser positivo para o câmbio também. 

Sobre o impacto causado pela aprovação do arcabouço, Carvalho ressalta que o fato do projeto enviado ter sido melhor que o esperado já acalma o mercado. Para investidores, a previsibilidade de um compromisso fiscal, ainda que mínimo, já garante maior tranquilidade e isso atrai investimentos. 

“Só o fato de já ter anunciado, não ter vindo tão ruim quanto o mercado esperava. Por isso que a gente está vendo o câmbio abaixo de R$ 5, de certa forma, mais um fator positivo”, complementa. 

Para Cristiane, deve-se analisar o impacto imediato e também qual é a expectativa de médio e longo prazo. 

“O impacto imediato deve ser positivo, já que ele tira uma incerteza que o mercado tinha, com relação a essa questão e também é alguma sinalização do governo com alguma responsabilidade fiscal”, explica. 

Em relação à repercussão de médio e longo prazo, a economista reforça que a questão dependerá da condução no Congresso Nacional, em especial considerando o projeto apresentado. 

“Apesar de certa demora na aprovação no arcabouço fiscal, a perspectiva é de aprovação o que reforça a leitura de juros em queda e por conseguinte uma apreciação do real (pela lógica apresentada acima)”, reforça Perfeito. 

Para onde o dólar vai?

Para as previsões sobre o dólar, Carvalho destaca que é sempre difícil fazer esse tipo de projeção e acertar porque muitos fatores impactam a resposta, como cenário externo e interno. 

"É uma grande competição, se subir mais juros lá fora, imagina o Fed subindo mais juros e a gente cortando juros, o capital vai para lá, é dificil acertar mas é acima dos R$ 5", prevê Carvalho. 

Em princípio, as previsões para a Valor Investimentos estão na casa dos R$ 5,20, R$ 5,30, “se tudo der errado, não vai ficar abaixo dos R$ 5 para sempre também”, pondera. 

“As projeções do mercado giram em torno de R$ 5,20 para câmbio para o final deste ano e do próximo também. Acho que se tivermos um bom andamento do arcabouço fiscal e alguma sinalização de melhora para nossa economia por conta disso, pode ser que a gente veja uma taxa de câmbio abaixo desse número que o mercado está projetando”, entende Cristiane. 

A economista também ressalta que a evolução da economia internacional, em especial considerando riscos de recessão, e o desempenho da economia interna impactam fortemente nas previsões.  

Para a resposta, André Perfeito recorre à análise técnica/gráfica: “Se rompermos o patamar dos R$ 4,90, o próximo ponto óbvio é o R$ 4,80-R$ 4,76 e depois disso por volta de R$ 4,60. Podemos muito bem querer testar este patamar em especial se o arcabouço fiscal for aprovado". 

Entre as ressalvas que o economista faz, há o ponto de que a expectativas de corte de juros é diferente do momento em que o corte é efetivamente feito. Assim, ele entende que o dólar até poderá buscar patamares mais baixos, mas isso não deve se manter. 

Com isso, a expectativa de Perfeito é que o real venha a se depreciar, com as considerações em relação à influência do peso de juros na moeda. 

“Esta depreciação não será forte uma vez que a economia brasileira terá ganho “momento”, mas deve fazer o dólar voltar ao patamar de R$ 5,00 ao final do ano”, resume Perfeito. 

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Sobre o autor
Camille Bocanegra
Repórter da Mais Retorno

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