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Mercado Financeiro

Como o mercado de opções pode proteger o investidor da volatilidade causada pelas eleições?

Especialista explica que o mercado de opções traz proteção tanto na queda como na alta dos preços dos ativos

Data de publicação:01/06/2022 às 00:30 -
Atualizado um mês atrás
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Já é mesmo esperado que, em anos eleitorais, o mercado financeiro passe por períodos de bastante volatilidade no segmento de dólar e também na Bolsa de Valores. Esse ano não será diferente, porque com as disputas pela Presidência da República polarizadas a instabilidade pode ser ainda maior. Diante deste contexto, o que muitos investidores buscam são formas de se proteger contra o sobe e desce dos ativos, e uma alternativa é o mercado de opções.

De acordo com Leo Dutra, analista financeiro e especialista em opções, esse mercado foi criado, justamente, para oferecer um mecanismo de proteção ao investidor. Isso acontece porque as opções garantem a possibilidade de comprar ou vender determinado ativo, em um período de tempo estabelecido, por um preço já prefixado, independente das variações que ocorram no mercado.

Mercado de Opções em ano eleitoral (eleições)
Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras | Foto: Reprodução/Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

A instabilidade deve aumentar nesses próximos meses na medida em que se aproximam as eleições, marcadas para acontecer em 2 de outubro. E a possibilidade de fechar uma operação que traga proteção contra a alta ou queda de determinado ativo pode ser atrativa aos investidores. Mas, você sabe como funciona o mercado de opções?

O que são as opções?

As opções são contratos de derivativos - ativos que derivam de outros ativos. Ou seja, o desempenho de qualquer tipo de derivativo, incluindo as opções, depende do desempenho do ativo previsto em contrato.

Pode parecer um pouco confuso, mas para explicar de forma simples e prática, Leo Dutra usa um exemplo bastante comum ao dia a dia de milhões de pessoas. Depois de comprar um carro em uma concessionária, é costumeiro que o consumidor adquira, também, um seguro.

"O seguro garante, basicamente, que se acontecer alguma coisa no prazo em que o contrato durar, você consegue 'vender' o seu carro para a seguradora pelo preço da tabela FIPE. Ou seja, se roubarem o carro ou se ele tiver perda total em uma batida, por exemplo, mesmo que ele não esteja valendo nenhum real, o consumidor consegue de volta o valor acordado pelo contrato".

Leo Dutra

O especialista explica que com o mercado de opções as operações acontecem de forma semelhante. O investidor compra um contrato que viabiliza a possibilidade dele comprar ou vender um ativo dentro de um determinado prazo e por determinado valor. Mesmo que o preço daquele produto suba ou caía, ele pode executar a operação (de compra ou venda) pelo valor que foi definido no contrato.

Como funciona o mercado de opções?

Conforme dito anteriormente, no mercado de opções há as contratos de compra e de venda, conhecidos como Call e Put, respectivamente.

Para que exista uma negociação, ainda, é necessário que dois investidores estejam em posições contrárias. Assim, há um comprador da opção (titular) e um vendedor da opção (lançador). Ou seja, há quatro tipos de operações neste mercado: compra de Call, compra de Put, venda de Call ou venda de Put. 

Importante mencionar que o comprador de uma opção recebe o direito de exercer o preço exercício do seu contrato, mas ele não é obrigado a fazê-lo caso não tenha interesse. Já o vendedor de uma opção, em um cenário no qual o titular exerça o seu direito, é obrigado a cumprir a sua parte do acordo.

Para firmar o contrato, é pago um valor conhecido como "prêmio". Assim, se o comprador de uma opção não quiser comprar o ativo até o prazo final de investimento, o único montante desembolsado será essa taxa, que o vendedor receberá.

Como utilizar o mercado de opções para se proteger da volatilidade eleitoral?

Segundo Dutra, há duas principais formas de um investidor se proteger da volatilidade trazida pelas eleições com o mercado de opções: com contratos de venda de um ativo, o investidor se protege da queda dos preços, o que deve acontecer especialmente com as ações; ao contrário, com contratos de compra a proteção se dá contra a alta dos preços, por exemplo, com a alta do dólar, caso a taxa de câmbio dispare com a proximidade do período eleitoral.

No primeiro caso, o especialista explica que o investidor pode adquirir um contrato de venda de um ativo, que pode ter sua cotação impactada pelos rumos que as eleições traçarem. Basta considerar a hipótese de que, com muitas incertezas no cenário político do País, os investidores estrangeiros zerem suas posições na B3, derrubando os preços das ações.

Ao fechar contratos de opções relativos às ações que possui, o investidor terá a possibilidade de vender o ativo em valores determinados anteriormente (mais altos), mesmo que os ativos tenham se desvalorizado. Na prática, o mecanismo tende a anular as perdas que ele teve no mercado à vista.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado na proteção contra a alta de preços de um determinado ativo.

As incertezas políticas e a possível saída de capital estrangeiro tendem a elevar o preço do dólar em relação ao real. Dessa forma, para quem vai precisar adquirir a moeda americana mais para frente, precisa se prevenir de uma disparada dos preços. No caso, o investidor terá de comprar contratos de opções do ativo, em que ele vai poder exercer a opção no preço fixado anteriormente (mais baixo).

Ou seja, ele terá a possibilidade de adquirir dólar por um valor mais acessível do que aquele que estiver sendo negociado na ocasião.

O contrato de opção pode ser entendido como uma espécie de trava, que neutraliza as perdas com as quedas, com a venda de contrato, ou que permite ao investidor comprar um determinado ativo, mesmo que suas cotações subam, com a compra de opções. É essa engrenagem que pode trazer proteção em cenário de instabilidade.

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Com Stéfano Bozza

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno