Logo Mais Retorno
Mercado Financeiro

Como não perder e sim ganhar com os investimentos diante do aumento do risco fiscal e da volatilidade

Carteira balanceada de renda fixa pode garantir uma travessia segura pela instabilidade

Data de publicação:22/11/2022 às 05:00 -
Atualizado 3 dias atrás
Compartilhe:

O mercado financeiro deve permanecer atolado em um ambiente de elevada volatilidade, diante do aumento do risco fiscal no futuro governo, o que exige redobrada cautela. É um período que o investidor deve evitar mudanças intempestivas induzidas por expectativas, especulações, para não dizer a cada declaração do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Os agentes têm dirigido as preocupações sobretudo a dois pontos nesta transição de governo:  ao teto de gastos, sobre como a conta da pandemia será paga, e ao desenho da âncora fiscal que garanta o controle das contas públicas.

risco fiscal
Crédito privado é opção na renda fixa diante de elevação do risco fiscal - Foto: Reprodução

Muita especulação e pouco fato concreto

Para a área de alocação da Warren Insights, o momento é de muita especulação e ausência de fatos concretos. E de ansiedade à espera da definição de nomes que estarão nos principais comandos da economia, principalmente o de ministro da Fazenda. Uma das virtudes do investidor mais valorizadas em uma hora dessas, de incertezas, seria a paciência.

Evitar o excesso de ativismo, que em geral impacta negativamente os retornos, esse seria o principal lema. A visão do time de análise é que a ansiedade atual será parcial ou totalmente dissipada com o tempo.

Uma travessia segura nessa fase seria uma carteira balanceada de renda fixa ancorada em títulos indexados à inflação e prefixados. À espera até de oportunidade para aumentar o prefixado, se o mercado exagerar na aversão ao risco - quando isso ocorre, as taxas de juro sobem e o preço do título cai. Desvalorizado, o papel fica mais barato para quem compra. 

Mercado antecipa piora na dívida pública

Guilherme Mendes, especialista em renda fixa da Blue3, atribui a alta volatilidade dos juros futuros a um possível aumento do risco fiscal. “O mercado tem antecipado uma piora na dívida pública para 2023 que pode gerar uma pressão inflacionária maior que a esperada”, acredita.

“Caso a Selic se mantenha nesse patamar elevado (13,75% ao ano), as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) - ou Tesouro Selic, sua versão no Tesouro Direto – tendem a ser boa alocação no curto prazo, visto que com elas é possível surfar nos juros altos com elevada liquidez”, prevê.

Para uma visão de médio e longo prazo, Mendes recomenda os títulos prefixados, ou NTNs-F (Notas do Tesouro Nacional da série F) ou Tesouro Prefixado, na versão do Tesouro Direto; ou LTNs (Letras do Tesouro Nacional); e títulos indexados à inflação, as NTNs-B (Notas do Tesouro Nacional da série B) ou Tesouro IPCA, em sua versão na plataforma do Tesouro Direto. “São títulos que ganham maior atratividade frente a um possível fechamento de curva de juros no futuro”, avalia.

Caso os juros futuros recuem, esses títulos estarão rodando com uma taxa de juros elevada em um cenário de inflação e juros mais baixos.

Crédito privado é oportunidade na renda fixa

Luís Barone, sócio-diretor da Galapagos Capital, considera exagerado o atual patamar tanto do dólar como dos juros de longo prazo. E vê boas oportunidades de investimento na renda fixa. “Como os juros estão altos e a inflação vai ficar mais elevada, o investimento em NTNs-B (Notas do Tesouro Nacional da série B) mais longas faz bastante sentido”, avalia.

O aumento de posição em NTN-B, que remuneram com juro real mais correção monetária pelo IPCA, teria como contrapartida a redução de exposição em fundos multimercado, “uma classe de ativos que sofre muito com a volatilidade”. Barone acredita que a instabilidade nos mercados tende a aumentar no governo Lula.

Ainda na renda fixa, o sócio-diretor da Galapagos vê boas oportunidades de retorno na classe de ativos de crédito privado, “principalmente para o investidor que constituir uma carteira bastante pulverizada”.

Nessa classe ativos, o investidor encontra papeis de emissão bancária, como os CDBs, e corporativa, como debêntures, CRIs (Certificados de Recibos Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recibos do Agronegócio), bastante atraentes, aponta Barone. A estrela, no crédito privado, são as debêntures incentivadas, isentas de imposto de renda.

São títulos que, além de juro CDI referenciado na Selic, oferecem uma taxa adicional ou prêmio na remuneração, por embutir um risco supostamente mais elevado de crédito, em relação aos títulos públicos. Seria o risco de o emissor ter dificuldades financeiras para honrar o resgate no vencimento.

Como minimizar o risco País

Uma das formas de minimizar o risco País é embarcar na velha fórmula de diversificação de investimentos. Com ativos até no exterior.

“Com o aumento do risco fiscal no Brasil e a alta dos juros nos Estados Unidos, temos visto uma migração global grande para ativos de renda fixa americanos”, observa Mendes, especialista de renda fixa da Blue3. “O retorno desses títulos está cada vez mais atrativo.”

“A dica é não concentrar os investimentos em apenas um país, não concentrar só no risco Brasil”, orienta Matheus Lamah, analista de fundos da Órama. A estratégia, recomenda, é dividir os recursos, com uma parcela no Brasil, e outra em ativos em outros países, diferentes geograficamente.

“O risco fiscal e o impacto inflacionário persistente continuam gerando uma excelente janela de alocação em ativos de renda fixa não só no Brasil, mas no mercado internacional”, reforça o especialista da Blue3.

Sem calote na dívida pública

O estresse com a incerteza fiscal remete ao temor de que no limite de expansão de gastos o governo fique sem caixa para honrar o resgate de títulos públicos colocados no mercado. Boa parte deles nas mãos de cotistas de fundos de investimento, principais credores do governo.

Especialistas asseguram que o governo não dá calote. Pelos simples motivo de que o Estado tem poder de emitir dinheiro para quitar a dívida. Bastaria ao Banco Central rodar a maquininha. Mesmo que a monetização sirva de combustível à inflação. E até à hiperinflação.

Leia mais:

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

Inscreva-se em nossa newsletter

,