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Mercado Financeiro

Carteiras administradas chegam aos investidores de varejo; entenda o que são e como funcionam

Profissional especializado define como os recursos serão alocados, além de promover os balanceamentos

Data de publicação:06/07/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
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O mercado financeiro brasileiro ainda não é tão maduro quanto o de outros países e, por isso, alguns formatos de gestão de investimento já bastante comuns em outros mercados não têm uma presença tão consolidada no País. Um deles são as carteiras administradas, consideradas por muito tempo como uma forma de investir exclusiva para milionários, mas que vêm ganhando espaço também entre os investidores de varejo.

Como o próprio já diz, as carteiras administradas são um conjunto de investimento administrado por uma outra pessoa especializado no tema que não o investidor. João Lux, analista comercial da CM Capital, explica que este é um serviço de "terceirização da administração da carteira, como se você abrisse uma conta em uma corretora e desse a senha para um terceiro tomar as decisões de investimento".

Profissionais do mercado financeiro carteiras administradas
São diversas as certificações disponíveis para os profissionais do mercado financeiro, mas para operar carteiras administradas é necessário ser um gestor | Foto: Reprodução

Esse serviço, popular nos Estados Unidos, antes era disponibilizado em bancos e restrito a investidores qualificados (com, pelo menos, R$ 1 milhão aplicados no mercado financeiro). No entanto, de alguns meses para cá, instituições mais voltadas ao investidor de varejo, como Necton e Avenue, lançaram também essa opção em suas plataformas, para os clientes com renda a partir de cerca de R$ 50 mil

Como funcionam as carteiras administradas?

Uma corretora de valores, ou qualquer outra instituição financeira que ofereça produtos de investimento, mas que funcionem como um shopping, oferecendo diversas as opções, cada uma delas destinada a uma finalidade específica.

Na carteira administrada, o profissional responsável escolhe os produtos de acordo com os objetivos e necessidades do cliente.

Para a formação da carteira, "o profissional precisa entender o perfil do investidor, levantar informações da situação financeira, situação familiar, situação profissional, qual o ciclo da vida do investidor - se é acúmulo, preservação, sucessão - e uma série de outros dados", a fim de entender o momento e quais os ativos mais adequados para a estruturação daquele investimento, pontua Lux.

Para a realização desse serviço, é necessário que o profissional seja credenciado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como um gestor e tenha, ao menos, a Certificação de Gestores ANBIMA (CGA). Lux ressalta que o serviço não é prestado por um consultor financeiro, que faz recomendações personalizadas de investimento, mas sim por alguém que pode, de fato, realizar as operações.

Vantagens e desvantagens

Para o analista da CM Capital, a primeira vantagem das carteiras administradas é, justamente, o fato de ter um profissional qualificado fazendo a gestão do patrimônio. Ele destaca que um gestor de carteira, en tese, está inteirado sobre o que está acontecendo no mercado financeiro e, assim, consegue promover um balanceamento da carteira quando necessário, mas sempre alinhado aos objetivos do cliente.

Em contrapartida, para contar com esse serviço personalizado há custos, a começar pela taxa de administração, assim como em um fundo de investimento. Além disso, há incidência do imposto de renda sobre todas as movimentações da carteira, diferentemente de como acontece separadamente com a renda fixa ou com o mercado de ações.

Outro ponto que João Lux destaca é que nos casos de carteiras administradas para o varejo, muitas vezes os valores investidos pelos clientes não são tão expressivos e, por isso, para conseguir otimizar o trabalho dos gestores dentro de uma corretora, são elaboradas carteiras padrões para atender os investidores.

Ou seja, o trabalho de coleta de informações com o investidor deixa de ser tão exclusivo e, com base nos principais aspectos e objetivos apresentados pelo cliente, o gestor agrupa esse cliente com os demais investidores com perfil semelhante.

Dessa forma, Lux explica que o serviço deixa de ser tão personalizado como poderia, o que acaba favorecendo os fundos de investimentos frente às carteiras.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno