Logo Mais Retorno
Finanças Pessoais

Analista, consultor, gestor e influenciador: o que cada profissional pode fazer no mercado e quais os prós e contras para o investidor?

São diversas as ocupações e certificações disponíveis para profissionais do mercado financeiro

Data de publicação:13/06/2022 às 05:00 -
Atualizado 20 dias atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Para alguém que está iniciando sua jornada pelo mundos dos investimentos e percebe que precisa de ajuda para entender quais são as melhores opções de produtos financeiros para cada perfil de investidor, o mercado pode parecer um pouco confuso a primeira vista. Afinal, são diversos os tipos de profissionais envolvidos no mercado financeiro.

No entanto, cada um desses profissionais tem suas atribuições e permissões para atuar dentro do universo das recomendações de investimentos, já que as atividades do mercado são reguladas por órgãos específicos, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por exemplo.

Profissionais do mercado financeiro
São diversas as certificações disponíveis para os profissionais do mercado financeiro | Foto: Reprodução

Para entender melhor qual o papel que cada um tem na jornada do investidor e até onde os profissionais podem ir em termos de regulamentações, a Mais Retorno conversou com o Tiago Feitosa, consultor de valores mobiliários e professor na T2 Educação - escola preparatória para provas de certificações do mercado financeiro -, sobre as quatro ocupações mais comuns dentro do mercado: analistas, consultores, gestores e influenciadores.

Profissionais do mercado financeiro

Analista de investimentos

Um dos cargos mais populares no mercado financeiro, Feitosa explica que o termo correto para um analista de investimentos é, na verdade, analista de valores mobiliários. Para que alguém possa ter tal atuação, é necessário obter um Certificado Nacional do Profissional de Investimento, o famoso CNPI, exame organizado e fiscalizado pela Apimec, em conformidade com a Resolução nº 20 da CVM, de 25 de fevereiro de 2021.

"O próprio nome ajuda a gente a entender o que esse profissional pode fazer, que é a análise de valores mobiliários, seja de ativos da renda fixa ou da renda variável, e através de suas análises ele pode recomendar a compra ou a venda de um ativo aos investidores", afirma o professor.

Feitosa destaca que os analistas têm acesso a ferramentas diferentes, mais complexas e completas do que o investidor comum, e, por isso, conseguem observar os movimentos e as tendências de cada ativo analisado, traçando uma linha de expectativas para o desempenho dos papéis - e, consequentemente, podem dizer se é um bom produto para ter no portfólio naquele momento.

Prós e contras

A principal vantagem que os analistas podem oferecer aos investidores, segundo o professor, é justamente o fato de terem mais informações. Assim, com base nos relatórios fornecidos por estes profissionais, o investidor (principalmente pessoa física) tem mais subsídio para tomar suas decisões de investimentos.

No entanto, Feitosa pontua que as recomendações dos analistas podem ser muito generalistas. "Quando um analista está escrevendo um relatório e recomenda a compra da ação da Petrobras, por exemplo, ele não sabe qual o momento, perfil e objetivos de quem está lendo", afirma.

Dessa forma, a indicação do analista, que o professor da T2 Educação coloca como "um profissional que não fala com ninguém", pode não fazer sentido com a situação do investidor. Por esse motivo, procurar a opinião de outros especialistas também pode ser importante antes de tomar decisões importantes de investimentos.

Consultor de valores imobiliários

Diferente do analista, o consultor de valores mobiliários é quem vai oferecer um atendimento personalizado para cada cliente, explica Feitosa. Esse profissional do mercado financeiro faz recomendações com base no perfil e objetivos de cada investidor, individualmente, apontando quais são as melhores opções de investimento para cada momento.

De acordo com as regulamentações, só pode prestar esse serviço os profissionais que tem, pelo menos, uma Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimentos (CEA) e que, após ter obtido a aprovação, consigam um registro de consultor com a CVM. O professor ressalta que outra diferença fundamental entre um analista e um consultor é que este não pode indicar ativos de forma generalista.

Feitosa, que também é consultor, comenta que o principal ponto negativo desse tipo de especialista para o investidor é o fato de que este é um serviço que precisa ser pago a parte. Ou seja, se com os analistas de casas de investimento o investidor (na maioria da vezes, se for cliente) tem acesso gratuito aos relatórios, para contar com as recomendações de um consultor, será necessário desembolsar mais dinheiro.

Os pontos positivos, no entanto, podem tornas esses profissionais do mercado financeiro bastante interessantes para o investidor pessoa física. Entre as principais vantagens, Feitosa destaca:

  • O serviço personalizado e focado no momento e objetivos de cada cliente;
  • Maior transparência nas recomendações, já que o consultor é pago pelo cliente, e não por nenhuma outra instituição financeira.

Gestor

Mesmo com suas diferenças e particularidades, os analistas e consultores têm uma semelhança importante: eles oferecem as recomendações e é o cliente quem operacionaliza os investimentos. Já o papel do gestor é outro, "ele faz a gestão discricionária do recurso do cliente, é como se ele tivesse uma procuração para operar o dinheiro em nome do cliente, escolhendo quais ativos comprar e vender", explica Tiago Feitosa.

Os gestores podem trabalhar em duas frentes principais: os fundos de investimento, opção bastante popular no Brasil e no mundo, e as carteiras administradas, que é um serviço de gestão de portfólio oferecido para pessoas físicas classificadas como investidores profissionais. Para isso, é necessários que o profissional tenha, ao menos, a Certificação de Gestores ANBIMA (CGA).

No caso dos fundos, os gestores precisam seguir a política de investimentos que foi determinada junto com a CVM - como, por exemplo, apenas 30% na carteira pode ser investida em ações.

Contato com os investidores

Esses profissionais, justamente por lidarem com os recursos reunidos de muitas pessoas, têm pouco contato com o investidor. Este, por sua vez, para ter contato com o trabalho do gestor, precisa contratar o fundo ou a carteira administrada com a instituição financeira escolhida.

De acordo com Feitosa, os principais prós de contar com o serviço de um gestor é, justamente, a gestão personalizada. Além disso, com os fundos de investimento os investidores podem contar com uma boa diversificação de portfólio mesmo investindo em um só produto. Em contrapartida, são muitos os fundos disponíveis no Brasil e isso pode confundir o investidor, principalmente os iniciantes.

"É importante avaliar a rentabilidade e histórico dos fundos, a trajetória dos investidores e outras informações que podem ajudar na escolha de um produto que faça sentido com o perfil do investidor e, para isso, plataformas que oferecem ferramentas como a Mais Retorno são essenciais."

Tiago Feitosa

Influenciador de finanças

Feitosa destaca que, com os influenciadores digitais que falam sobre finanças e investimentos, "o mercado financeiro passou a ser acessível a qualquer pessoa, em uma linguagem que qualquer pessoa entende", o que é visto como a principal vantagem do crescimento expressivo desses profissionais da internet falando sobre temas antes tratados por grupos mais seletos.

No entanto, os reguladores, com destaque para a CVM, estão de olho no que os influenciadores estão fazendo e falando em suas redes sociais. O professor explica que isso acontece porque o que o influenciador pode fazer, sem nenhuma restrição, é abordar tudo o que diz respeito à educação financeira, mas as recomendações de compra ou venda são proibidas para quem não tem as certificações necessárias para tal trabalho.

"O que os influenciadores muitas vezes dizem, na hora de falar sobre ativos específicos que têm em suas carteiras, é que aquilo não é uma recomendação de investimento, mas sim uma opinião pessoal. Os reguladores não diferem isso, porém, de uma recomendação, tendo em vista que milhares ou até milhões de pessoas são influenciadas pelo que um influenciador fala."

Tiago Feitosa

Outros profissionais do mercado financeiro

Além dos analistas, consultores, gestores e influenciadores, ainda há uma grande diversidade de profissionais do mercado financeiro. Cabe destacar aqui aqueles que possuem duas certificações das mais comuns disponíveis atualmente: a Certificação Profissional ANBIMA Série 10 (CPA-10) e a Certificação Profissional ANBIMA Série 20 (CPA-20).

Essas certificações são as principais portas de entrada para quem deseja trabalhar no mercado e, com elas, o profissional recebe a autorização para fazer a distribuição dos produtos financeiros que são indicados pelos analistas da casa de investimentos onde trabalham.

Assim embora tenham contato com os clientes no dia a dia, nem o CPA-10 nem o CPA-20 podem recomendar ativos para o investidor, mas apenas dizer o que o analista está indicando e auxiliar o cliente nos processos operacionais.

Principais certificações para profissionais do mercado financeiro

CertificaçãoSiglaO que o profissional pode fazer
Certificação Profissional ANBIMA Série 10CPA-10Distribuição de produtos para clientes
Certificação Profissional ANBIMA Série 20CPA-20Distribuição de produtos para clientes
Certificação ANBIMA de Especialistas em InvestimentosCEAConsultoria de valores mobiliários
Certificado Nacional do Profissional de InvestimentoCNPIAnálise e recomendação de valores mobiliários
Certificação de Gestores ANBIMACGAGerenciar recursos de outras pessoas
Certificação da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e MercadoriasAncordAssessoria de investimentos (agentes autônomos)
Certified Financial PlannerCFPPlanejamento financeiro (certificação global)
Chartered Financial AnalystCFAGestão de carteira, fusões, aquisições, trader e análise (certificação global)
Fonte: Mais Retorno
Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno