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Mercado Financeiro

A maior queda da Bolsa no semestre foi de Magalu, 67%; confira as ações que mais caíram e que mais subiram no período

Entre as cinco maiores quedas, três empresas são de varejo e outras duas também são ligadas ao consumo doméstico

Data de publicação:01/07/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
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Depois de surfar em ondas dos juros baixos e crédito mais barato entre 2020 e meados de 2021, a gigante varejista Magazine Luiza entrou numa espiral de queda e seus papeis rolaram ladeira abaixo. As ações do Magalu não apenas se desvalorizaram, como também são a maior queda da Bolsa no primeiro semestre de 2022, de 66,62%.

A deterioração dos cenários macroeconômicos, local e mundial, uma persistente pressão inflacionária que corrói a renda das famílias e o ciclo de aperto monetário empreendido pelo Banco Central, elevando a Selic, taxa básica de juros, em nível de 13,25%, fez o tempo fechar para a companhia e outras varejistas.

ações
Ações do Magazine Luiza caíram mais de 60% no primeiro semestre de 2022 - Foto: Magazine Luiza / Divulgação

De acordo com um levantamento feito por Einar Rivero com apoio da plataforma TC/Economatica, até o fechamento do mercado da última quarta-feira, 29, as ações da varejista despencaram 66,62% nos primeiros seis meses do ano.

Mas o Magazine Luiza não está sozinho nessa: as outras quatro empresas que compõem o quadro das maiores baixas também são de setores ligados ao consumo doméstico, com destaque para o varejo.

Em contrapartida, os cinco papéis que tiveram o melhor desempenho dentro do Ibovespa (principal índice acionário da Bolsa) até aqui são de companhias com histórias distintas.

A Cielo teve a maior alta, de 67,09%, em processo de recuperação dos papéis, que estavam muito descontados, assim como a Hypera. Já as outras companhias, Eletrobras e Minerva, se valorizaram por conta da privatização da elétrica e do bom desempenho das commodities para a segunda.

Ações que mais caíram no primeiro semestre

EmpresaCódigo da açãoSegmentoVariação
Magazine LuizaMGLU3Varejo-66,62%
MéliuzCASH3Serviços financeiros-65,43%
ViaVIIA3Varejo-60,19%
LocawebLWSA3Tecnologia-56,53%
AmericanasAMER3Varejo-56,37%
Fonte: TC/Economatica | Dados obtidos com base no fechamento do pregão de 29/06/2022

Os papéis estavam muito valorizados

Wagner Varejão, especialista do setor na Valor Investimentos, afirma que é mais fácil explicar o porquê dessas cinco companhias serem as maiores quedas do semestre "porque todas elas contam a mesma história". Todas são companhias chamadas de crescimento, contam com perspectivas de um retorno mais encorpado, com grandes lucros, no longo prazo.

Para isso, explica o especialistas, essas empresas precisam de dinheiro para financiar o seu crescimento. Movimento facilitado até meados de 2021, com a taxa Selic nos menores patamares históricos, tendo chegado ao nível de 2% ao ano.

Com os juros mais baixos naquela época, o crédito ficou mais barato e, por isso, empresas de crescimento foram bem e ganharam mais destaque entre os investidores.

Varejão comenta que as ações passaram a ser negociadas por múltiplos muito altos, ou seja, com preços elevados diante do que o próprio crescimento da companhia.

Mudança de cenário

Em contrapartida, com a mudança no cenário macroeconômico, as perspectivas para os papéis também se inverteram. A começar pela alta da inflação, que vem deteriorando o poder de compra das pessoas, provocando uma retração nos níveis de consumo, principalmente no segmento de baixa renda, que foi obrigado a destinar os recursos para os gastos essenciais, como alimentação e moradia.

Para conter a escalada dos preços, o BC passou a subir os juros, gerando mais dificuldades para as empresas de crescimento diante do crédito mais caro.

Portanto as perspectivas para essas companhias, de menor geração de receita e baixo crescimento, não são nada boas, levando a uma movimentação em massa dos investidores se desfazendo desses papéis.

"Outro ponto relevante que acabou impactando essas empresas foi o crescimento de suas concorrentes como o Mercado Livre e Amazon e a chegada de novas companhias chinesas como a Aliexpress e Shopee. Por fim, ainda não podemos criar muitas expectativas no setor, que poderá ter uma aquecida mais significativa no terceiro e principalmente quarto trimestre de 2022 com as compras de fim de ano."

Alex Carvalho, analista CNPI da CM Capital

Ações que mais subiram no primeiro semestre

EmpresaCódigo da açãoSegmentoVariação
CieloCIEL3Serviços financeiros+67,09%
Eletrobras PNELET6Energia elétrica+44,75%
Eletrobras ONELET6Energia elétrica+39,41%
HyperaHYPE3Medicamentos+34,44%
MinervaBEEF3Proteínas+31,28%
Fonte: TC/Economatica | Dados obtidos com base no fechamento do pregão de 29/06/2022

Altas que contaram com motivações específicas

O especialista da Valor Investimentos pontua que a maior alta da Bolsa neste semestre pode ter representado, muito mais, uma busca por oportunidades, tendo em vista que as ações da Cielo estavam descontadas, do que de fato uma perspectiva positiva para a empresa no longo prazo.

Alex Carvalho, analista CNPI da CM Capital, entretanto, destaca que a companhia registrou um lucro bruto total de R$ 913,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.

"Atualmente o ativo tenta superar a barreira dos R$ 4, máxima testada em junho de 2021. Superando-a tende a dar continuidade na alta em busca da região de R$ 5,20, máxima marcada em julho de 2021", pontua.

Alex Carvalho, analista CNPI da CM Capital

Sobre a Hypera, o analista ressalta que o ativo chama a atenção dos investidores após registrar um volume de R$ 1,5 bilhão em vendas líquidas entre janeiro e março de 2022, aumento de 28% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

O crescimento, explica, foi puxado pela contribuição do portfólio de medicamentos adquiridos pela empresa da Takeda, e as expectativas são uma continuação da trajetória positiva de vendas.

Privatização da Eletrobras e commodities

Entre as cinco melhores performance, duas são de lastros de ações da Eletrobras (ELET3 e ELET6). É consenso entre os dois especialistas que a valorização é uma decorrência do processo de privatização pelo qual a empresa passou no último mês, que foi visto com bons olhos pelo mercado.

Para os próximos meses, as projeções são boas para os papéis da companhia, que ainda deve surfar nos benefícios da privatização, como o enxugamento de custos.

O setor elétrico, com um todo, também deve apresentar um desempenho resiliente no próximo semestre, tendo em vista que se trata de um setor essencial e de utilidade pública, sendo menos impactado pelas condições adversas do cenário macroeconômica.

Sobre a Minerva, Wagner Varejão afirma que todo o segmento de commodities alimentares tem apresentado bons resultados em decorrência da guerra da Rússia na Ucrânia, que fez com que a oferta de diversos produtos fosse reduzida no mercado.

Dessa forma, empresas de outros países que exportam essas commodities ganharam destaque e também passaram a ter um aumento na receita, beneficiando as ações.

Carvalho pontua, ainda, que os papéis da Minerva e de outra companhias de proteínas devem continuar em alta no longo prazo, "tendo em vista a diminuição nas restrições e flexibilizações de lockdown na China, que atualmente é a maior compradora de carne bovina do Brasil".

Por fim, o analista destaca que, para o horizonte de curto prazo, as melhores projeções ficam com "empresas ligadas ao petróleo, energia elétrica e exportação de alimentos, como de carne bovina. Esses segmentos vêm tendendo lucros significativos e aumento na produtividade, trazendo assim uma maior expectativa para seus investidores".

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno