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Com nova temporada de Stranger Things, Netflix pode reverter fuga de assinantes?

Série pode aumentar número de assinantes, mas Netflix tem outros problemas a serem enfrentados

Data de publicação:01/07/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
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Os últimos dois episódios da quarta temporada de Stranger Things, blockbuster da Netflix, estrearam na plataforma de streaming nesta sexta-feira, 1. Cercada de cuidados e com uma nova estratégia de distribuição, a série é uma das apostas da empresa americana para estancar um problema evidenciado no último balanço financeiro: a fuga de assinantes, que hoje dividem atenção (e o dinheiro) com concorrentes como Disney e HBO, por exemplo.

Stranger Things
Na foto, a personagem Eleven, interpretada pela atriz Millie Bobby Brown | Foto: Divulgação/Netflix

No primeiro trimestre de 2022 a pioneira do mercado de streaming reportou, pela primeira vez desde 2011, uma queda no número de assinaturas.

A base de assinantes da plataforma teve uma redução de 200 mil usuários, sentindo os impactos da saída da Netflix da Rússia, além de um aumento da concorrência com a chegada de novas empresas a esse mercado, em momento negativo de inflação elevada.

Com a estreia da quarta temporada de Stranger Things, no entanto, a base de assinantes pode registrar uma rápida recuperação. Os números só serão conhecidos, de fato, nos próximos balanços corporativos da companhia, mas já é possível ter alguma ideia do impacto da série nos resultados da Netflix.

Os números de Stranger Things

Depois de três anos de espera por novos capítulos, o primeiro volume de episódios da quarta temporada, lançados no último 27 de maio, já ocupou o posto de maior estreia de língua inglesa da Netflix, com impressionantes 286,7 milhões de horas assistidas ao redor do mundo apenas no final de semana de estreia, de acordo com informações divulgadas pela companhia.

Além dos números de visualizações, uma avalanche de comentários sobre Stranger Things tomaram conta das redes sociais. Só no Twitter, foram cerca de 5 milhões de menções à série no dia de lançamento do volume um da nova temporada e, depois disso, mais uma enxurrada de postagens na rede social do passarinho, TikTok, Instagram, YouTube e diversas outras plataformas.

Para assistir aos primeiros oitos episódios, quem não tinha conta precisou criar uma. E aí, "o jeito Netflix de assistir séries" deu as caras. O jornalista Paulo Gustavo Pereira, especializado em entretenimento, explica que a ideia de maratonar uma série nasceu com a Netflix e com Stranger Things o modelo não foi diferente. Até aqui.

Divisão das temporadas

Com a crescente competição no mercado do streaming audiovisual, as empresas precisaram adotar estratégias para fidelizar seus assinantes e mantê-los pelo maior tempo possível com a conta ativa. Disney+, por exemplo, passou a lançar séries com um episódio por semana (prática comum, até então, na televisão, mas não nos streamings). Outras plataformas seguiram o rastro, relata o especialista.

A ideia, conforme explica Pereira, é que o telespectador se mantenha ali, dentro da plataforma. As expectativas para cada novo episódio são refletidas também nas redes sociais. WandaVision, por exemplo, uma série do universo Marvel disponível na Disney+, entrava nos assuntos mais comentados do Twitter a cada novo capítulo lançado na plataforma.

A Netflix também tem algumas séries com episódios que estreiam semanalmente, mas não é o mais comum. Com a pandemia, a companhia adotou ainda o método de dividir uma temporada em dois volumes para que os clientes pudessem consumir pelo menos parte do conteúdo, enquanto as equipes reduzidas e o distanciamento social atrasavam os processos de gravação e edição.

Stranger Things também teve sua produção atrasada por conta da covid-19. Entretanto, a nova temporada chegou apenas muito tempo depois de finalizadas as gravações.

Pereira pontua que, em um ambiente com tantas expectativas em torno da continuidade da história, dividir a temporada em dois volumes pode ter sido, justamente, uma estratégia de manter os assinantes que chegaram ao streaming para ver Stranger Things por um tempo maior.

Afinal, mais de um mês separou uma temporada da outra. Neste período, além de segurar os assinantes, a plataforma pode tentar fidelizar o usuário com outros conteúdos originais.

Perspectivas para a Netflix

Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos, afirma que lançamentos de séries como Stranger Things, que têm uma grande força entre o público da plataforma, podem ajudar a empresa a alcançar números melhores de assinantes no trimestre de lançamento e, consequentemente, a receita pode ser melhor nos meses referentes à estreia.

Em contrapartida, a estrategista destaca que "há outras preocupações que o mercado e os investidores têm em relação ao desempenho da companhia":

  • Diversificação de receita: o primeiro ponto de atenção é que a maior parte da receita da Netflix depende, exclusivamente, das assinaturas. "Outras plataformas tem outras operações que geram receita", explica Jennie, que ressalta ainda que a pioneira do streaming está buscando agora novas possibilidades de gerar caixa, como opções de assinaturas mais em conta, propagandas dentro da plataforma e jogos digitais da própria empresa.
  • Competição no mercado de streamings: nos últimos dois anos, o número de players no mercado de streaming cresceu e, agora, a Netflix conta com uma competição que não existia antes. A estrategista da XP afirma que o impacto da concorrência ainda vai ser revelado nos próximos balanços, mas que pela popularidade dos conteúdos da Netflix, ela deve continuar como a principal empresa de streaming audiovisual.
  • Alta global da inflação: com a escalada dos preços de maneira generalizada entre todos os setores da economia e ao redor de todo o mundo, os consumidores passam a buscar os gastos que podem ser cortados e, nesse sentido, plataformas de streaming são opções que podem passar pelo corte. Por isso, Jennie considera que a Netflix pode passar a buscar com ainda mais urgência as opções de contas mais acessíveis e com anúncios, para não perder usuários.
  • Ambiente de juros altos: para conter a inflação, bancos centrais de diversos países elevaram as taxas de juros, o que impacta bastante as empresas do setor de tecnologia, que são consideradas empresas de crescimento - ou seja, apresentam resultados melhores no longo prazo - e dependem de juros mais baixos para conseguir financiar o seu desenvolvimento.

A especialista afirma que, por mais desafiador que o cenário se mostre, "estamos vendo a Netflix se mexendo, fazendo algumas mudanças e repensando algumas das estratégias para tentar endereçar pelo menos algumas dessas preocupações do mercado".

Os resultados dessas medidas e dos grandes lançamentos da plataforma, caso de Stranger Things, só serão conhecidos nos próximos balanços.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno