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Capital externo tem saldo negativo na B3 em setembro, mas volta com força às compras em outubro; entenda

Incertezas globais e aversão ao risco afugentaram os estrangeiros da B3 no mês passado

Data de publicação:07/10/2022 às 05:00 -
Atualizado 2 meses atrás
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Mesmo com a volta do investidor externo às compras de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, nos últimos dias do mês passado, setembro não escapou de um saldo negativo (volume de vendas superior ao de compras) de R$ 91,520 milhões de capital externo na B3.

Apesar do balanço negativo no saldo mensal, que se seguiu a três meses seguidos de superávits, o saldo acumulado pelos estrangeiros no ano em operações no mercado à vista continua positivo. Soma valor total superavitário de R$ 72,442 bilhões. 

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Foto: Envato

Após vender mais que comprar ações, na última semana de setembro o capital estrangeiro voltou às compras com força, no mercado à vista, movimento que persiste nos primeiros dias de outubro.

Os dados são de estudo de Leonardo Morales, especialista da SVN, para quem o saldo de estrangeiro voltou a ficar positivo na bolsa, após uma pausa momentânea. O fluxo negativo no mês, para ele, refletiu o aumento da aversão ao risco, em ambiente de incerteza global mais forte.

“O cenário global bem desafiador, por causa da alta da inflação e dos juros que podem levar a Europa e os Estados Unidos à recessão, pela prática de um aperto monetário bem relevante”, tem impactado os ativos de risco, avalia Morales.

É um movimento do qual o Brasil vem se descolando um pouco, afirma, “e o mercado se beneficiado porque conta com empresas de valor, com boa representatividade em commodities e financeiras”.

Aversão ao risco afugentou o capital estrangeiro

Embora no mês passado tenha havido uma saída de estrangeiros “muito por conta desse risk off global, esse medo de recessão nos EUA e na Europa, o fluxo para a bolsa no ano continua muito positivo. Mesmo em um ano de eleição, que costuma trazer muita volatilidade ao mercado”.

Dados da B3 apontam que, após acumular saldo negativo em setembro, o balanço de capital estrangeiro em outubro, até dia 4, registra um superávit, em compras no mercado secundário, de R$ 3,690 bilhões. O saldo positivo acumulado no ano até essa data está em R$ 73,750 bilhões.

“As compras vêm aumentando nos últimos dias, o Brasil é visto como rota de investimento seguro para o investidor estrangeiro assustado com o cenário de aumento de juros e risco de recessão global”, analisa Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem investimentos.

Comparado com os demais pares pelo mundo, “o Brasil é um país seguro, com uma bolsa que negocia ações de boas empresas, com bons resultados, geradoras de caixa e lucros e, principalmente, boas pagadoras de dividendos”, avalia Bertotti.

São quesitos positivos que se juntam a um cenário de atividade econômica em alta, destaca o economista, de estabilidade dos juros e inflação em queda, uma combinação que tende a estimular o consumo. “Isso faz com que o capital estrangeiro veja o risco Brasil com bons olhos.”

Os papeis preferidos

As ações preferidas pelos investidores externos na bolsa, de acordo com Bertotti, são as principais blue-chips, líderes do Ibovespa, como Petrobras, Vale, Banco do Brasil, Gerdau, Bradesco. E ainda ações de empresas do setor de varejo e construção civil, vistas como baratas.

Ações de empresas estatais, com os resultados corporativos do primeiro trimestre e expectativas eleitorais, podem ter sido as mais procuradas, ao lado de Petrobras, Banco do Brasil e Sabesp, acredita Morales, da SVN.

O último boletim Focus, com prognósticos do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos, estima um crescimento de 2,70% para o PIB deste ano. Mas há casas que apostam em alta maior, de até 2,80%.

O baixo preço dos papeis é outro atrativo nesse cenário avaliado como positivo e boas perspectivas o mercado de ações. “A bolsa de valores tem performado muito bem por conta do valuation, os preços estão descontados em relação ao valor médio histórico”, analisa Morales.

Chama a atenção a forte participação do capital estrangeiro no pregão de segunda-feira, 3, dia seguinte ao do primeiro turno das eleições, com compra de R$ 2,380 bilhões no mercado secundário à vista. No mesmo dia, houve vendas de R$ 5,127 bilhões no mercado futuro. Uma atuação que gerou, no consolidado do dia, saldo negativo de R$ 2,746 bilhões.

O resultado do primeiro turno das eleições parece ter agradado também o investidor estrangeiro. “O mercado reagiu bem ao perfil de um Congresso mais conservador e à indefinição da eleição presidencial no primeiro turno, que deixou tudo em aberto”, afirma Morales, da SVN. “Um cenário que estimulou a compra de ações também pelos investidores locais.”

Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos, diz que, na visão do mercado, “a manutenção do atual governo seria melhor”. Ele destaca, contudo, que “um Congresso conservador tenderia a conter uma ação mais radical ou contundente contra as estatais”.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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