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Mercado Financeiro

Bolsa cai 1,15% na semana com risco fiscal e recessão global; dólar sobe 1,94%

Risco fiscal pressiona dólar para cima e segura melhor desempenho do Ibovespa

Data de publicação:24/06/2022 às 18:29 -
Atualizado 2 meses atrás
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Embora tenha fechado com alta de 0,60% o pregão desta sexta-feira, aos 98,672 pontos, a Bolsa de Valores, a B3,amarga uma queda de 1,15% na semana. Já o dólar cravou mais um dia de alta, de 0,44%, e chegou a R$ 5,25, acumulando uma alta de 1,94% em relação à sexta-feira, dia 17.

A recuperação do Ibovespa nas negociações de hoje veio no rastro da valorização das commodities no mercado internacional, especialmente as metálicas que subiram mais de 4% na véspera e também do petróleo, ressalta Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3.

Bolsa
Mercados globais fecharam no positivo nesta quinta-feira | Foto: Reprodução

Ele explica que a reação das commodities está ligada às declarações do presidente chinês, Xi Jinping, nesta quinta-feira, de que a China vai perseguir as metas de crescimento estabelecidas pelo governo. A sinalização de evolução econômica na maior economia do mundo foi suficiente para trazer calmaria e ânimo para o setor.

O movimento trouxe reflexos imediatos para papeis de siderúrgicas negociados na B3. As ações da CSN fecharam com alta de 5,18%, da Usiminas, de 2,99%, Gerdau, 395%, e as de Vale que têm forte peso na composição do Ibovespa subiram 2,78%, influenciadas também pela alta do minério de ferro.

O petróleo também apresentou leve alta permitindo uma recuperação das petroleiras: PetroRio apresentou alta de 5,18%. Já os papeis de Petrobras estão sendo prejudicados pelas pressões do governo sobre a política de preços da empresa. As PETR4 caíram 0,75% no pregão desta sexta-feira.

A firmeza das bolsas internacionais também contribuiu para o resultado positivo do Ibovespa. Em Nova York, Dow Jones subiu 2,68%, S&P 500, 3,06%, e Nasdaq, 3,34%. Esteves atribuiu a reação positiva do mercado à divulgação de dados mais fracos da economia americana ao longo da semana, o que levou a uma reprecificação de aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve. "A expectativa é a de que a mão não seja tão pesado no ajuste dos juros dado ao baixo desempenho da economia", explica o especialista.

Cenário doméstico pressiona a Bolsa

Por aqui, foram divulgados dados da inflação um pouco acima do esperado, a prévia do IPCA de junho, que ficou em 0,69%, estressando as curvas de juros, pressionando as taxas futuras para cima.

A questão fiscal também interferiu nos negócios desta sexta-feira. Medidas que preveem aumentos e criação de benefícios sociais, como Auxílio Brasil e voucher dos caminhoneiros, levam receio ao mercado de estouro no teto de gastos do governo.

Ao mesmo tempo em que impediu um desempenho melhor do Ibovespa, o risco fiscal do País deu gás para a alta do dólar.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.