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Economia

IPCA-15 avança 0,69% em junho, ante alta menos expressiva em maio, de 0,59%; no acumulado em 12 meses, alta é de 12,04%

A alta foi generalizada entre todos os grupos pesquisados pelo IBGE para a composição do IPCA-15

Data de publicação:24/06/2022 às 10:02 -
Atualizado 2 meses atrás
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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), medido entre 14 de maio e 13 de junho e considerado uma prévia oficial da inflação, foi de 0,69% neste mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma aceleração de 10 pontos percentuais em relação a maio, quando o indicador teve uma alta menos expressiva, de 0,59%.

Apesar da alta, no acumulado em 12 meses até junho de 2022, o IPCA-15 teve uma desaceleração em relação ao mesmo período de 2021: 12,04% agora ante 12,20% no ano passado. Os números vieram levemente acima das expectativas do mercado, que esperava um resultado de 0,68% em junho e de 12,03% em 12 meses, segundo analistas do BTG Pactual.

IPCA-15 maio
IPCA-15 de junho acelera frente a maio | Foto: Reprodução

De acordo com o IBGE, neste mês, todos os grupos de produtos e serviços pesquisados avançaram em relação ao mês passado. O grupo de Transportes, que embora tenha desacelerado frente a maio (0,84% agora contra 1,80%), teve o maior impacto sobre o IPCA-15 de junho, com uma contribuição de 0,19 ponto percentual (p.p.).

Na sequência vêm os grupos de Saúde e cuidados pessoais e Habitação, que tiveram um peso de 0,16 p.p. e 0,10 p.p. na composição do índice, respectivamente.

Composição do IPCA-15 de junho

GrupoPeso na composiçãoVariação em junhoVariação em maio
Índice Geral0,69 p.p.0,69%0,59%
Alimentação e bebidas0,05 p.p.0,25%1,52%
Habitação0,10 p.p.0,66%-3,85%
Artigos de residência0,04 p.p.0,94%0,98%
Vestuário0,08 p.p.1,77%1,86%
Transportes0,19 p.p.0,84%1,80%
Saúde e cuidados pessoais0,16 p.p.1,27%2,19%
Despesas pessoais0,05 p.p.0,54%0,74%
Educação0,0 p.p.0,07%0,06%
Comunicação0,02 p.p.0,36%0,50%
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Destaques do índice

A maior contribuição para a alta do IPCA-15 veio de Transportes. Dentro do grupo, os principais impactos positivos foram as passagens aéreas, que subiram 11,36%, o seguro voluntário de veículos, alta de 4,20% e de emplacamentos e licenças, que avançaram 1,71%. Em contrapartida, os subgrupos relativos aos combustíveis caíram na passagem de maio para junho, levando a uma desaceleração do grupo de Transportes.

"A desaceleração do grupo Transportes se deu pela queda nos preços dos combustíveis (-0,55%), que haviam subido 2,05% em maio. Embora o óleo diesel tenha subido 2,83%, o etanol e a gasolina caíram 4,41% e 0,27%, respectivamente."

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Ainda de acordo com o IBGE, o segundo grupo com maior peso na composição do IPCA-15 neste mês, Saúde e cuidados pessoais, teve sua alta (de 1,27%) influenciada, sobretudo, pelo avanço nos preços dos planos de saúde. Em 26 de maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou um reajuste de até 15,50% no planos. "Além disso, houve alta de 1,38% nos produtos farmacêuticos, com impacto de 0,05 p.p. no índice do mês", destaca a nota.

Já em relação à Habitação, a queda de 0,68% nos preços da energia elétrica (desde 16 de abril passou a valer a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz) não foi o suficiente para segurar a variação positiva de 0,66% sentida pelo grupo em junho.

"A alta no grupo Habitação (0,66%) foi puxada pela taxa de água e esgoto (4,29%), consequência dos reajustes aplicados em três áreas de abrangência do índice: de 20,81% em Belém (11,41%), a partir de 28 de maio; de 12,89% em São Paulo (10,99%), a partir de 10 de maio; e de 4,99% em Curitiba (4,51%), a partir de 17 de maio."

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Perspectivas para os próximos meses

Analistas do BTG Pactual afirmam que, para os próximos meses, as medidas aprovadas pelo Congresso para reduzir os impostos sobre os combustíveis possam trazer uma pressão baixista para a inflação. "Vale ressaltar que há muita incerteza em relação ao real impacto das medidas e a possibilidade de judicialização dos estados, o que pode adiar a redução dos preços", ressaltam.

Em contrapartida, os especialistas explicam que os recentes reajustes nos preços da gasolina e do diesel pela Petrobras "podem amenizar a desaceleração nos preços dos combustíveis", contribuindo ainda mais para a pressão inflacionária.

"Além disso, para o curto prazo, o balanço de riscos segue assimétrico para cima, refletindo a elevada incerteza no cenário global com uma política monetária mais restritiva vinda do FOMC (o Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos), uma melhora no mercado de trabalho, que pode pressionar o setor de Serviços, e o clima adverso."

Analistas do BTG Pactual
Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno