Economia

Volta a subir o número de trabalhadores brasileiros fora do mercado de trabalho. A taxa de desemprego do País no trimestre até janeiro ficou em 14,2%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 31, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, a população desocupada no Brasil somava em janeiro 14,3 milhões de pessoas. Já as ocupadas chegavam a 86,025 milhões.

Desemprego cresce no Brasil
Desemprego alcança 14,3 milhões de brasileiros, segundo Pnad, do IBGE - Foto: Romeu Escanhoela

Os números do IBGE apontaram para um aumento de 19,8% na população desocupada, na comparação entre o trimestre finalizado em janeiro de 2021 (novembro, dezembro e janeiro) com o mesmo período, um ano atrás (novembro e dezembro de 2019 e janeiro de 2020), antes da crise do coronavírus. São mais de 2,4 milhões de pessoas que perderam emprego nessa fase.

Já a população ocupada ficou em 86 milhões, um acrescimo de 2% frente ao último trimestre. Mas, quando comparado ao mesmo trimestre de 2020, caiu 8,6%.

A taxa de informalidade da população ocupada continua em alta. No trimestre encerrado em janeiro foi de 39,7%, acima dos dados do trimestre imediatamente anterior, que havia sido de 38,8% e abaixo do mesmo trimestre de 2020, que era de 40,7%.

A quantidade de desalentados, que são aquelas pessoas desempregadas e que não procuram mais por trabalho, aumentou 25,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior (trimestre terminado em janeiro de 2020), e ficou em 5,9 milhões de pessoas.

O que dizem os analistas sobre a Pnad

De acordo com analistas do BTG Pactual digital, que divulgou relatório sobre os resultados da Pnad, o desemprego do período, considerado alto, "reflete o fim do isolamento social, o que aumentou a população que procura emprego e, portanto, elevou a base de cálculo do indicador".

Para os analistas do banco, entre maio e julho havia um isolamento social maior no Brasil, com mais restrições no comércio, o que desestimulava a procura por emprego. "Com a redução das restrições nos últimos meses, existe uma movimentação mais forte no mercado de trabalho. Adicionalmente, apesar da aparente recuperação do emprego, ele não tem conseguido acompanhar a aceleração da população economicamente ativa."

"Não obstante, com o recrudescimento da curva de contágio da covid-19 e a retomada das medidas de isolamento social, esperamos uma depreciação no mercado de trabalho", afirma a nota. "Porém, como afirmamos anteriormente, as pessoas retornando ao isolamento não poderão procurar empregos, levando a uma queda artificial da taxa de desemprego."

Para o economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito, chama atenção a queda na massa salarial no período. "(Esse dado) reforça nossa percepção de demanda fraca no início do ano. A Massa Salarial está em R$ 211 bilhões, um recuo de 0,5% em relação ao mês anterior", diz.

Já o economista da XP, Rodolfo Margato, as vagas com carteira assinada estão na mínima histórica. Em comparação com o nível anterior à crise, o total de empregos formais acumula perdas de 3,5 milhões. Em relação aos resultados mais recentes, houve uma melhora bem modesta nas contratações. São dados que, para o economista, divergem dos dados do Caged, que vêm apresentando números robustis no crescimento de vagas, Só em fevereiro foram presentaram a criação de 401.639 vagas.

Nas projeções de Margato, "o mercado informal de trabalho apresentará deterioração adicional nos próximos meses, como reflexo da pandemia e consequentes restrições mais rígidas de mobilidade social". No entanto, ele ressalta que as expectativas são de melhora no mercado de trabalho no segundo semestre do ano, em linha com o avanço da vacinação, e a gradual normalização das atividades econômicas.

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Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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