Economia

O mercado financeiro estará atento à divulgação nesta quinta-feira, 13, dos novos dados de pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. O interesse pelo indicador foi redobrado depois que dados divulgados ontem, 12, apontaram uma escalada da inflação, o que causou forte estresse e reação negativa nos mercados, tanto nos EUA como no doméstico.

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Mercado externo segue na mira dos investidores nesta quinta-feira - Foto: Envato

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve forte desvalorização de 2,65% e o dólar, alta de 1,58%, para R$ 5,30, diante do temor dos investidores de que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) antecipe o reajuste das taxas de juro.

Uma expectativa que pressionou os juros dos títulos do Tesouro americano com prazo de dez anos, os Treasuries, cujas taxas encostaram em 1,70%, mesmo nível de um mês atrás, visto como elevado.

O movimento dos juros americanos, na esteira da escalada da inflação, reforçou o sentimento de aversão a risco, que faz o investidor abandonar as opções de maior risco, como as ações, em direção a portos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro americano.

Foi essa movimentação que derrubou o mercado de ações e deu fôlego ao dólar no mercado doméstico e dividiu analistas. Para a maioria, o comportamento de ontem foi pontual e momentâneo, com baixa possibilidade de que tenha continuidade nos próximos dias.

A menos que o número de pedidos de seguro-desemprego, que será conhecido nos EUA hoje, venha abaixo das expectativas e sinalize um mercado de trabalho aquecido que, com mais emprego e renda, poderia jogar mais lenha da fogueira da inflação americana.

Expectativa: declarações de Powell

Analistas consideram importante o acompanhamento de indicadores de preço e emprego nos EUA, mas destacam que a partir de agora ganha relevância ainda maior as declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre a visão que tem da recuperação econômica e da inflação.

Um eventual sinal de antecipação de alta dos juros nos EUA, acompanhada da retirada de estímulos à economia, que analistas domésticos ainda consideram pouco provável, tenderia a levar correções mais fortes dos mercados globais.

O Brasil não escaparia desse movimento, se ele vier a ocorrer, com novas rodadas de desvalorização da bolsa de valores e aumento de pressão sobre o dólar. E ainda possível elevação dos juros futuros, que pioraria as condições financeiras do País e prejudicaria a retomada econômica, de acordo com especialistas.

Outro dado econômico que será conhecido nos EUA nesta quinta-feira é o  referente à inflação ao produtor, uma versão americana do IGP-M brasileiro, com variação de preços no atacado.

Balanços: temporada segue forte

O mercado financeiro divide a atenção entre o cenário externo com a continuidade da safra de divulgação de resultados trimestrais das empresas.

Algumas empresas têm agradado aos analistas quanto aos resultados apresentados. Já outras estão com os números abaixo e mostrando ainda um longo caminho para se recuperar dos efeitos da pandemia da covid e voltar aos trilhos do crescimento. E isso, de forma geral, tem refletido no comportamento de seus papéis na B3.

Na véspera, companhias como Suzano, JBS, Natura, Locaweb, Via, BRF, entre outras, divulgaram seus resultados após o fechamento do mercado.

Para esta quinta-feira é esperado o desempenho trimestral de empresas como Lojas Renner, Magazine Luiza, Grupo Soma, C&A, Petrobras, Rumo, Cyrela, Eztec, Tecnisa, Even, CCR, Qualicorp, IRB Br, entre outras, que trazem seus resultados após o fechamento do mercado financeiro.

NY: futuros em baixa

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em baixa nesta quinta-feira, com os investidores atentos à divulgação dos dados da economia americana, como seguro-desemprego e inflação ao produtor.

Ontem, as bolsas de Nova York tiveram perdas de 2% ou mais, em seu terceiro pregão negativo seguido, após o CPI dos EUA vir muito acima do esperado, sustentando temores de que pressões inflacionárias forcem o Fed a elevar seus juros básicos mais cedo do que se imaginava.

O movimento também foi influenciado pela aceleração no ritmo de alta dos juros dos Treasuries, que alimenta especulações sobre o momento em que o Federal Reserve (Fed) poderá sinalizar o início de um novo ciclo de aperto monetário. As ações do setor de tecnologia tiveram algumas das principais baixas.

O Dow Jones fechou em baixa de 1,99%, a 33.587,66 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 2,14%, a 4.063,04 pontos, e o Nasdaq recuou 2,67%, a 13.031,68 pontos.

Ao longo da madrugada desta quinta-feira, os rendimentos dos Treasuries se estabilizaram, segundo o sócio da Wisir Research, Filipe Teixeira, minimizando a forte demanda no leilão dos papeis para 10 anos.

O “desconto” recente pode alimentar o apetite semelhante pelos títulos de 30 anos, colocados à venda nesta quinte-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e líderes do oposicionista Partido Republicano demonstraram a disposição de trabalhar juntos em um novo pacote de infraestrutura, mas há divergências profundas ainda sobre o tamanho do plano e a proposta de alta em impostos para custeá-lo. 

Biden tenta financiar mais de US$ 4 trilhões em gastos. Um grupo de republicanos no Senado preparou uma contraproposta de US$ 568 milhões.

CPI: pedido de prisão de Wajngarten

O mercado financeiro também está de olho nos desdobramentos da CPI da Covid no Senado. Na véspera, o ex-secretário de Comunicação da presidência prestou depoimento e as falas foram tomadas pelas contradições e apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

 A Comissão Parlamentar de Inquérito encaminhou à Procuradoria da República no Distrito Federal despacho pedindo para que se averiguem as declarações dadas pelo ex-secretário ao colegiado. Mais cedo, senadores acusaram contradições e inverdades do ex-secretário e pediram a sua prisão.

Wajngarten se esquivou de responder aos questionamentos dos senadores e apresentou contradições com o que disse em entrevista à revista Veja no final de abril. "Com mais de 10 inquéritos no STF, Renan tem moral para querer prender alguém?", questionou Bolsonaro nas redes sociais.

Renan pediu a prisão do ex-chefe da Secom após Wajngarten negar que autorizou a veiculação da campanha "O Brasil Não Pode Parar". Renan, então, mostrou as postagens oficiais feitas pelo governo. "O espetáculo de mentira é algo que não vai se repetir e não pode servir de precedente", disse Renan.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam com perdas significativas nesta quinta-feira, seguindo o tom negativo de Wall Street na véspera, após dados de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA bem acima das expectativas reforçarem temores de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) possa reverter a agressiva política de estímulos monetários que vem implementando para combater os efeitos da pandemia do novo coronavírus antes do esperado.

O índice acionário japonês Nikkei sofreu um tombo de 2,49% em Tóquio hoje, aos 27.448,01 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 1,81% em Hong Kong, aos 27.718,67 pontos.

O sul-coreano Kospi se desvalorizou 1,25% em Seul, aos 3.122,11 pontos, e o Taiex registrou baixa de 1,46%, aos 15.670,10 pontos, também em meio a preocupações sobre um recente surto local de covid-19.

Já na China continental, os mercados interromperam uma trajetória de recuperação que vinha desde o começo da semana. O Xangai Composto teve queda de 0,96%, aos 3.429,54 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,81%, aos 2.253,30 pontos.

A inflação vem ganhando força mundialmente, em parte por causa da recuperação dos preços das commodities, e gera preocupações de que outros grandes bancos centrais também possam rever sua postura acomodatícia.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho pelo terceiro dia consecutivo, após fechar em nível recorde no começo da semana. O S&P/ASX 200 caiu 0,88% em Sydney, aos 6.982,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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