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Em relatório divulgado nesta quinta-feira, 26, o Bank of America (BofA) elevou o preço-alvo das ações da XP Investimentos, que é negociada na Nasdaq, de US$ 50 para US$ 56. O banco, no entanto, manteve a recomendação de compra em neutra para os papéis da companhia.

Os analistas estimam que o PL da ação, ou seja, a relação preço versus o lucro, em 2022 será de 0,9. O valor é considerado "um prêmio para outras finanças brasileiras de alto crescimento, dado o histórico de execução da XP".

Foto: Reprodução ações da xp
Fachada de prédio da XP Investimentos | Foto: Reprodução

Perspectivas para o futuro

O BofA aumentou suas estimativas para a corretora brasileira em cerca de 25% nos próximos três anos, a partir do terceiro trimestre de 2021. Para essa atualização, os especialistas consideram uma geração de receita mais forte por parte da XP, maiores investimentos e uma taxa de imposto efetiva mais baixa.

As perspectivas para uma receita sólida nos próximos semestres, de acordo com o relatório, se apoiam em dois principais pilares. O primeiro deles é o rendimento de receita resiliente, "uma vez que a venda cruzada aprimorada de produtos financeiros e maior flutuação nos saldos dos clientes deve ser compensada por um mix de investimentos mais fraco", avaliam os analistas.

Simultaneamente, o banco espera um crescimento robusto nos ativos sob custódia, suportado pelo aumento da participação das carteiras dos clientes. Dessa forma, os analistas projetam um aumento de despesas em 2021, que devem permanecer pressionadas nos próximos anos. Reflexo da maior amortização de incentivos pagos aos agentes autônomos, maior quadro de funcionários e investimentos em tecnologia, novos produtos e no canal B2C.

Neste cenário, a previsão é de que a taxa efetiva de impostos fique abaixo de 14% até 2023. O número "deve apoiar a margem líquida próxima ao limite superior da faixa de orientação de médio prazo da administração de 24-30%", analisam os especialistas.

Com essas perspectivas futuras para a XP, o BofA estima um lucro líquido de R$ 3,7 bilhões em 2021 e R$ 4,9 bilhões em 2022. As expectativas do mercado, segundo o banco, giram em torno de R$ 3,2 bilhões e R$ 3,9 bilhões para os dois anos, respectivamente.

Incorporação da XPart e classificação neutra para as ações da XP

Embora a visão de médio e longo prazo sejam positivas para as ações da XP, "potencial excesso de papéis" no curto prazo foi responsável por manter a recomendação de compra do BofA em neutra.

O banco, bem como boa parte do mercado, espera que a corretora incorpore a XPart, que equivale a 40,5% dos papéis da companhia detidos pelos acionistas do Itaú. Os analistas destacam que a incorporação deve acontecer em 4 de outubro, assumindo a aprovação na assembleia de acionistas no dia 1° do mesmo mês. A transação aumentará a participação do grupo de controladores de 55,4% para 68,3% das ações com direito a voto.

O negócio, entretanto "poderia levar a alguma pressão de venda das ações, considerando: (1) grande participação acionária de fundos passivos; (2) incapacidade de certos fundos locais de deter BDRs; e (3) o diferente perfil de investimento dos acionistas do Itaú", explicam os analistas.

"Dessa forma, esperamos que o negócio impeça o desempenho superior no curto prazo e mantemos nossa classificação de Neutro para as ações", finaliza o relatório.

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