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O que esperar dos balanços das empresas do 1º trimestre de 2022, com inflação e juros em alta?

Setores de commodities e financeiro devem trazer resultados fortes

Data de publicação:26/04/2022 às 01:40 -
Atualizado 21 dias atrás
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A temporada de balanços trimestrais vai expor um retrato de empresas diante de inflação e juros em alta em que o repasse de preços encontra limitações no desemprego e na queda de renda.

Para analistas, empresas exportadoras de commodities devem seguir bem, apesar da queda de preços no exterior, enquanto o setor de consumo de varejo deve continuar sofrendo com o cenário de alta dos preços e crédito mais caro. Confira aqui a programação completa de publicação dos resultados.

Balanços
Balanços de bancos devem ser favorecidos pelos juros altos - Foto: Envato

As empresas ligadas ao setor de commodities, como minério de ferro e petróleo, tendem a repetir nos balanços, segundo analistas, resultados que refletem ainda a alta de preços desses insumos no mercado internacional.

Companhias como Vale e Petrobras devem trazer resultados fortes em seus balanços. As siderúrgicas, por sua vez, tendem a demonstrar pressões de custo no trimestre.

A expectativa de analistas é de um trimestre forte nos balanços de companhias do setor de petróleo em geral, por causa dos preços elevados da commodity. Receitas e lucros em alta que redundam também em pagamento de polpudos dividendos, um chamariz para o acionista.

Outro setor que atrai atenção na safra de balanços é o financeiro. É um segmento que costuma beneficiar-se com os juros altos. Um custo financeiro maior, no entanto, inibe a concessão de crédito e estimula o aumento da inadimplência.

Não à toa, a deterioração da qualidade dos ativos bancários é uma das principais preocupações de analistas do setor.

A expectativa tem como foco os resultados de grandes bancos. Para analistas, um dos destaques positivos, pelo melhor conjunto de resultados, poderá ser o Banco do Brasil. O Itaú, por sua vez, deve continuar à frente, como líder, dos resultados de balanço dos bancos.

O setor de consumo e varejo, um dos que mais sofrem com a inflação, deve continuar contemplando com melhores resultados as empresas que atuam no varejo de alimentos. Analistas destacam as que atuam no sistema de atacarejo como as que tendem à maior resiliência.

Um setor que que se libertou das amarras da pandemia e pode beneficiar-se da reabertura da economia é o de viagens e turismo, como companhias aéreas, agências de viagem, locadoras de veículos, shoppings. No caso de aéreas, a alta dos combustíveis é um fator que prejudica a lucratividade.

Commodities e bancos

Por segmentos de atuação, estão na mira dos analistas especialmente os balanços de empresas do setor financeiro e os das ligadas a commodities.

Senão por outros motivos, porque são papeis de segmentos que atraíram com força o investidor estrangeiro à bolsa doméstica no primeiro trimestre. Os mesmos que vêm pressionando o Ibovespa para baixo em abril, mês que o capital estrangeiro passou de comprador a vendedor de ações na B3.

As expectativas em relação aos resultados do primeiro trimestre para as companhias do setor são positivas, segundo analistas. “Mais uma vez os números das empresas ligadas a commodities devem vir fortes”, acredita Fred Nobre, líder da área de análise da Warren Investimentos.

O analista avalia que a queda recente nos preços das commodities, “principalmente do minério de ferro, que foi mais acentuada”, não deve influenciar os resultados de empresas ligadas ao setor, como a Vale.

São dois os motivos, segundo Nobre, que devem preservar os números dos balanços do recuo das cotações. “Os preços das commodities, apesar das quedas, continuam em patamares bastante altos, comparados com a média histórica”, observa o analista.

Outro é que há certo espaço de tempo entre o movimento de preços e o impacto nos dados de receita, “porque as empresas de certa forma demoram para absorver e incorporar esses novos preços no balanço”.

As empresas ligadas a commodities, aponta o analista da Warren, têm a vantagem ainda de “conseguir repassar os preços, que são globais, preços de mercado”, no mercado, explica. “Esperamos receitas fortes, balanços fortes e Ebtidas (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) bastante elevados.”

A expectativa é por balanços mais robustos pelo lado da receita, mas é possível uma piora no resultado líquido, segundo Nobre, por causa do aumento de custos e da variação cambial – valorização do real perante o dólar ao longo do primeiro trimestre.

Bancos

Em meio à expectativa de deterioração da qualidade dos ativos, com possível aumento da inadimplência, analistas apostam no Banco do Brasil como destaque positivo nesta temporada de balanços do setor bancário.

Nobre afirma que “segue confiante com o BB, que é um papel que permanece com preços descontados, e a empresa tem trazido bons resultados”.

Principalmente na comparação com outros períodos históricos, afirma, “vejo o BB crescendo, as receitas aumentando, gerando bons resultados para o acionista e pagando bons dividendos este ano”.

De forma geral, para o analista, o setor financeiro tende a dar continuidade à boa temporada passada, “com resultados fortes em balanços do Itaú”, prevê. E também do Banco do Brasil, “provavelmente acima das expectativas”, ainda que com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) inferior à média do setor. 

Em sua avaliação, Bradesco e Santander devem continuar sofrendo os efeitos da crise econômica. “São bancos que têm boa parte das receitas atreladas às tarifas bancárias e maior dificuldade em digitalização”, o que afeta a competitividade com os demais grandes players.

“Comparativamente com o Itaú, outro banco privado, vejo que os balanços de Itaú e BB são nossos preferidos”, recomenda, sobressaindo-se, na carteira de dividendos, ao Bradesco e Santander.

O analista prevê que o Itaú deve continuar entregando um ROE acima do de outros grandes players do setor, “algo próximo de 20”, que é um retorno bastante expressivo.

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.