Mercado Financeiro

O mês das crianças chegou, mas quem fica feliz com os “presentes” são os acionistas, os dividendos programados para serem pagos em outubro. De acordo com um levantamento feito pela reportagem do portal Mais Retorno, 21 empresas pagarão R$26,3 bilhões entre dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) para seus investidores.

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Durante o mês de outubro, 21 empresas desembolsarão cerca de R$ 26,3 bilhões em proventos aos seus acionistas - Foto: Envato

Para o período está prevista a distribuição de proventos de companhias do setor financeiro, mineração, saúde, varejo, locação de veículos, tecnologia, entre outros. Esse movimento não deixa de ser uma pequena radiografia de como esses setores se comportaram ao longo do último semestre e antecedem o início da temporada de resultados do terceiro trimestre.

Segundo Leo Monteiro, analista de Research da Ativa Investimentos, algumas grandes companhias já têm uma programação estabelecida para o pagamento dos lucros até o próximo ano, o que é uma prática usual no mercado.

Bancos

Os proventos das gigantes do setor financeiro sempre os mais esperados pelos acionistas, não somente pelo fato de serem pagadores assíduos, mas também pelo montante desembolsado, normalmente bastante parrudo. Neste mês, Itaú e Bradesco distribuem JCP e dividendos no valor total de R$ 22,6 bilhões.

De acordo com Ilmer Oliveira, especialista da Valor Investimentos, o Itaú melhorou sua margem financeira e carteira de crédito, o que ajudou a reforçar sua performance no segundo trimestre.

Já em relação ao Bradesco, o destaque foi o incremento na carteira de seguros, de acordo com Oliveira. Agora, as atenções se voltam para os próximos proventos, já que o setor bancário é influenciado positivamente com o aumento da Selic, taxa básica de juros do País.

Rodrigo Crespi, analista de Equity Research da Guide Investimentos, destaca que o montante ainda está um pouco longe do período pré-pandemia, porém a melhora deles deve acontecer, por conta dos efeitos da elevação da Selic, e impulsionar a subida da média dos dividendos pagos por companhias de outros setores.

Mineradoras

Neste mês, há o desembolso de proventos da Usiminas, uma das cinco maiores empresas do setor de mineração, que acumulou ganhos expressivos ao surfar a boa fase do preço do minério de ferro, que chegou no patamar de US$ 200 a tonelada.

A siderúrgica conseguiu reverter o prejuízo de R$ 400 milhões obtidos no segundo trimestre do ano passado em um lucro de R$ 4 bilhões no mesmo período de 2021, favorecida por ganhos cambiais e créditos fiscais.

O valor total de proventos pagos pela Usiminas neste mês totaliza mais de R$ 1,2 bilhão. Apesar de ser um pacote gordo, não chegou nem perto da última leva de dividendos distribuída pela Vale no final do mês passado – R$ 40,2 bilhões, ou R$ 8,108 por ação.

No entanto, o setor de mineradoras e siderúrgicas está agora diante de um cenário adverso, que envolve a recente queda do preço do minério de ferro, por conta da pressão da China sobre a commodity, o que pode impactar na próxima distribuição de dividendos.

Outro fator que joga contra o setor, de acordo com Crespi, é o aumento da taxa de juros do País. “O dividendo dessas companhias fica menos atrativo e os investidores acabam fugindo para a renda fixa”.

Locadoras

Nessa leva de proventos, outro destaque são as locadoras de veículos - com exceção da Localiza, que não faz pagamentos neste mês. Juntas, Unidas e Movida vão desembolsar mais de R$ 99 milhões entre JCP e dividendos.

O setor segue aquecido, como reflexo do cenário atual da indústria automobilística, que tem enormes gargalos na sua produção por conta da ausência de semicondutores, situação que está afetando a produção global de veículos.

Com a falta de carros novos para venda, pela dificuldade de montagem e entrega, o mercado de seminovos é favorecido, com o preço dos veículos – não somente novos, como usados – saltando mais de 30% e com poucas opções disponíveis para as locadoras.

O analista da Guide destaca que a Movida, que antes fazia uma previsibilidade anual de entrega de carros novos, passou a avaliar esse processo diariamente por conta do cenário desafiador da indústria automobilística.

Já em relação à Unidas, uma das gigantes do mercado, um dos pontos favoráveis da companhia é o seu perfil de dívida bem alongado, com prazo até 2025, de acordo com Crespi.

Além disso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já deu o sinal verde para a fusão com a Localiza – mediante à aplicação de alguns “remédios” – o que deve reforçar ainda mais sua atuação no mercado.

Shoppings

Duramente impactado por conta dos efeitos da pandemia, o setor de varejo busca recuperar as perdas sofridas no período em que houve fechamento do comércio em várias ondas de propagação do vírus. Apesar disso, a Multiplan entrega proventos para seus acionistas na ordem de R$ 270 milhões.

Durante a participação em um evento, no mês passado, Vander Giordano, vice-presidente institucional da empresa, comentou que, apesar da falta de contrapartidas das autoridades públicas por conta do fechamento dos shoppings, a empresa conseguiu manter o a ocupação dos empreendimentos em um nível saudável.

“A Multiplan concedeu mais de R$ 1 bilhão de descontos ou adiamento de cobrança de aluguel e taxas condominiais de lojistas como forma de dar fôlego financeiro para as varejistas”, contou.

Seguros

Mesmo impactada com um alto índice de sinistralidade decorrentes da Covid-19, assim como o aumento de gastos operacionais e queda de número de vidas nos planos de saúde, a Porto Seguro também se destaca na distribuição de proventos – R$ 295,4 milhões.

No segundo trimestre deste ano, seu lucro líquido cresceu marginalmente – 0,3% - ante a mesma base de 2020 – R$ 658,6 milhões.

Atacarejo

Destaque entre seus pares por seu perfil resiliente, na visão do mercado, o Assaí segue mantendo um ritmo forte de crescimento de receitas e margens, além de investimentos em expansão geográfica.

“A combinação de pontos como uma excelente execução estratégica com expansão geográfica coloca o Assaí em evidência, sendo a empresa do setor de atacarejo que mais cresce entre a concorrência”.

Outro aspecto ressaltado pelo analista da Guide é a agenda ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) da companhia, que ganha cada vez mais espaço em sua atuação. “Esse tema tem tido muita relevância no mercado. Os investidores passaram a se preocupar com essa métrica”.

De acordo com Crespi, da Guide, com a queda da renda dos consumidores, o atacarejo se tornou uma opção mais atraente para a compra de produtos em relação aos supermercados convencionais.

Na visão de Oliveira, da Valor Investimentos, a companhia se destaca também em relação à concorrência por ter uma alta eficiência de venda por m². “Mesmo que o consumidor mude a cesta de compras, ele não abre mão da loja do Assaí como praça de consumo obrigatório”.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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