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O protesto de caminhoneiros trouxe inquietação à sociedade e ao mercado financeiro. Não é para menos. Mais de 70% da movimentação de cargas pelo País depende do modal rodoviário. Um estrangulamento nesse sistema gera transtornos às empresas, como os da greve de 2018, com abrupta interrupção do fornecimento de bens e insumos básicos da economia.

Bloqueios parciais em algumas estradas de alguns Estados não chegam a causar desabastecimento em supermercados e centrais de distribuição de alimentos. Há sinais de que os atos de protesto da categoria, iniciados em 7 de setembro, passaram a minguar desde ontem, mas não deixaram ainda de compor o cenário em algumas rodovias pelo País.

Mais de 70% da movimentação de cargas no País é feito por rodovias - Foto: Agência Brasil

Uma eventual persistência desse movimento dos caminhoneiros, segundo especialistas, pode afetar setores e empresas, da indústria e do comércio, que dependem do modal rodoviário para o transporte de mercadorias e de produção agrícola.

“É um movimento que prejudica todos os setores da economia”, afirma Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos. As consequências podem se estender à inflação e para alguns segmentos da bolsa de valores, onde setores, como o industrial, podem sofrer um impacto maior, de acordo com especialistas.

Alimentos e mineração entre os mais atingidos

O analista Felipe Leão, da Valor Investimentos, diz que o bloqueio de rodovias prejudica a distribuição de produtos fabricados por grandes frigoríficos localizados em Mato Grosso e em Santa Catarina. E causa preocupação em empresas que dependem da malha rodoviária para logística, como as concessionárias CCR e Ecorodovias e as distribuidoras Vibra Energia e Raízen.

Ainda no setor de alimentos, o especialista Lage aponta como uma das que podem ser mais afetadas a empresa JBS, uma das maiores indústrias de alimentos do mundo. Outras que podem ser atingidas são as empresas que atuam no segmento de e-commerce, como Magazine Luiza e Via Varejo, além de Indústrias Romi, do setor de máquinas e equipamentos.

Outro segmento que pode ser prejudicado com o bloqueio de estradas, de acordo com Lage, é o de commodities, como mineração e siderurgia, em que atuam companhias como a Vale, Usiminas e CSN.

Ricardo Hirata, analista econômico e diretor da Plano, empresa especializada em gestão financeira empresarial, diz que commodities como grãos que são escoados do local de produção ao de consumo ou ao litoral, para embarque ao exterior, também dependem de rodovias. Ele destaca principalmente as empresas que produzem alimentos com datas curtas de vencimento, proteínas animais como carne e frango, como as mais atingidas por esses bloqueios.

Empresas que podem ser beneficiadas

Nem todas as companhias devem ser prejudicadas por barreiras em estradas que dificultem o escoamento de produtos. Empresas do setor de commodities, que são apontadas como as mais afetadas, também podem beneficiar-se da dificuldade de transporte pelas rodovias. ‘É o caso da BrasilAgro, que pode ser favorecida pela valorização de grãos causada pelo desequilíbrio entre aumento de demanda e diminuição de oferta, pela falta de transporte”, acredita Lage, especialista da Valor Investimentos. “Principalmente em cenário de médio e longo prazo.”

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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