Logo Mais Retorno
Renda Fixa

Taxa Selic sobe 1,5pp para 9,25% ao ano: mercado já vê juros em 11,75% em março de 2022

Perspectiva é a de que a Selic continue subindo no ano que vem

Data de publicação:08/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 7 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Os economistas do mercado financeiro estão alinhados na aposta de que a taxa básica de juros, a Selic, subirá para 9,25% ao ano, um aumento de 1,50 ponto porcentual em relação à atual de 7,75%. A decisão será anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), nesta quarta-feira, 8.

“Não se esperam grandes surpresas. Esse é o aumento que já está precificado (incorporado no preço) em todos os ativos ”,

João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos
selic
Taxa Selic vai continuar subindo em 2022 e pode chegar a 11,75%na reunião de março do Copom

Com o reajuste nesse calibre considerado favas contadas, até adiantado pelo BC após o último encontro do Copom, em outubro, analistas e gestores do mercado estarão com o olhar dirigido ao comunicado que será divulgado depois do encontro. A expectativa é que o BC avalie a perspectiva de inflação e sinalize nova elevação do juro básico para a reunião do Copom, a primeira do ano, em fevereiro de 2022.

Em vez de responder com baixa a seguidas altas da Selic, que subiu de 2,00%, em março, ao atual patamar de 7,75%, “a inflação tem surpreendido e preocupado o BC e os mercados”. Principalmente pela alta disseminada de preços para todos os itens de grupos que compõem o levantamento do IBGE.

Pressões inflacionárias pesam na Taxa Selic

O economista da Rio Bravo diz que as principais fontes de pressão inflacionária são os setores de bens industriais e de serviços. Os preços industriais sobem por causa de “gargalos na cadeia de suprimentos”, com a escassez na produção de importantes insumos, “sobretudo no mercado asiático”, pelo desequilíbrio entre a baixa oferta e a demanda aquecida.

O setor de serviços, explica Leal, passa por uma pressão de preços derivada da reabertura da economia e do fim das restrições à circulação das pessoas, em um cenário de inflação “agravado ainda pela piora do câmbio”. A valorização do dólar exerce também efeitos nocivos sobre os preços.

A alta disseminada de preços na economia, ao contrário da setorial e temporária dos alimentos do início do ciclo inflacionário, “vai exigir que o Banco Central continue duro na gestão da política monetária”, o que quer dizer que a Selic seguirá em trajetória de alta no próximo ano.

Mandato do BC

A missão do BC, como guardião da moeda, é cuidar da estabilidade monetária, cujo instrumento de controle está no manejo de juros – se a inflação sobe, o BC sobe a Selic; se a inflação recua, o BC reduz a Selic. Uma função que não o isenta de dilemas, de acordo com os especialistas.

Na avaliação da equipe de macro research do BTG Pactual Digital, se o Banco Central correr com mais juros, o PIB de 2022 tende a se consolidar no terreno negativo; se ficar no mesmo tom, as expectativas podem desancorar ainda mais e corroer a autonomia da autoridade monetária.

Colocados os prós e contras na mesa ou na balança, “esperamos uma elevação do tom: além dos consensuais 150 bps de dezembro, já indicar novos 150 bps na reunião de fevereiro”, pontua a equipe de macro research em relação às expectativas com a atuação do BC.

O economista João Leal, da Rio Bravo, também prevê uma elevação de 1,50 ponto porcentual e nova dose de igual calibre em fevereiro. E vai além. Para ele, o ciclo de alta da Selic chegaria ao fim na reunião de março, quando o Copom elevaria mais 1 ponto porcentual, para 11,75%.

Já a equipe de analistas da XP Investimentos desenha dois cenários para a Selic. Um cenário-base, com elevação de 1,50 ponto porcentual, em linha com o sinalizado na última reunião, e outro alternativo, com alta de 1,75 ponto. Para os analistas, esse caminho mais duro poderia ser escolhido para demonstrar comprometimento do BC com o controle da inflação.

Veja algumas apostas para a Selic nesta quarta-feira:

Casas elevação nova Selic

  • Bradesco  1,50pp 9,25%
  • Itaú-Unibanco 1,50pp 9,25%
  • Western-Asset 1,50pp 9,25%
  • BV 1,50pp 9,25%
  • SVN Investimentos 1,50pp 9,25%
  • Trígono Capital 1,25pp 9,00%
  • Messem Investimentos 1,50pp 9,25%
  • Ativa Investimentos 1,50pp 9,25%
  • BTG Pactual 1,50pp 9,25%
  • TC Investimentos 1,50pp 9,25%
  • Daycoval Asset 1,50pp 9,25%
  • Rico Investimentos 1,50pp 9,25%
  • Rio Bravo 1,50pp 9,25%
  • XP Investimentos 1,50pp 9,25%
  • Órama 1,50pp 9,25%

Selic em alta reforça atratividade da renda fixa

O cenário de elevação dos juros na esteira dos ajustes na taxa Selic, que deverão ter continuidade em 2022, fortalece a atratividade dos investimentos em renda fixa. “A renda fixa, de forma geral, é beneficiada pela alta dos juros”, avalia Leal, economista da Rio Bravo.

Aplicações indexadas à inflação, como o Tesouro IPCA ofertado na plataforma do Tesouro Direto, estão embutindo juro prefixado, equivalente ao ganho real, acima de 5% ao ano. Um papel de dívida privada, como as debêntures incentivadas, chega a acenar com rendimento real mais robusto, de IPCA mais juro ao redor de 7% ao ano.

Títulos indexados ao IPCA oferecem rendimento que combina proteção contra a inflação e juro real atraente, mas papeis prefixados e atrelados à Selic também estão bem cotados.

Os prefixados, tanto os públicos como Tesouro Prefixado quanto os privados, como CDB, oferecem taxas que giram ao redor de 11% a 12% ao ano, considerados interessantes para um cenário em que a inflação venha a ser domada pela elevação da Selic.

A alta da Selic, por sua vez, favorece as aplicações atreladas à taxa básica, como o Tesouro Selic. O rendimento desse papel, ofertado na plataforma do Tesouro Direto, sobe à medida que o Banco Central eleva o juro básico.

Confira a tabela abaixo com as alterações da taxa Selic em 2021

20 de janeiro2,0% a.a.
17 de março2,75% a.a.
5 de maio3,5% a.a.
16 de junho4,25% a.a.
4 de agosto5,25% a.a.
22 de setembro6,25% a.a.
27 de outubro7,75% a.a.
Fonte: Banco Central do Brasil

O que é a taxa Selic?

Taxa Selic é o nome dado à taxa básica de juros da economia brasileira, criada em 1979 e utilizada pelo Banco Central para calibrar a inflação e o PIB, como um instrumento das chamadas políticas monetárias.

Embora a taxa Selic seja excepcionalmente importante no mercado bancário, servindo como base para os empréstimos interbancários (e a taxa DI), ela também influencia a vida comum de todos os brasileiros. Como a taxa Selic guia as taxas cobradas pelos bancos em suas respectivas linhas de crédito, ela afeta a incidência de juros sobre empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e afins.

E como as companhias também são grandes devedoras das instituições financeiras, a taxa Selic também afeta os investimentos empresariais e os custos atrelados à fabricação de produtos e execução de serviços. Com isso, conforme ela cresce ou diminui, os gastos seguem a mesma tendência e consequentemente os preços que chegam ao consumidor - podendo causar inflação ou deflação.

Como a taxa Selic é definida?

A taxa Selic é definida ao menos 8 vezes ao ano, nas reuniões do chamado Comitê de Política Monetária (o COPOM). É o principal produto da reunião, ao lado de itens como a taxa de redesconto e o depósito compulsório.

Para entender a definição exata da taxa Selic pelo COPOM, é importante antes compreender as características e a importância da política monetária - afinal, a taxa Selic é criada como uma ferramenta dessa necessidade.

É chamada de política monetária o conjunto de medidas tomadas por um banco central, em qualquer país do mundo, que tenha como objetivo interferir na quantidade de moeda em circulação.

Seguindo a lei da oferta e da demanda, quanto maior é a oferta de dinheiro na economia, mais barato e acessível ele se torna. Por outro lado, quanto menor é a oferta, mais caro ele fica e maiores são as barreiras para acumulá-lo.

Se você já leu o nosso artigo sobre juros, sabe que é esse elemento o responsável pelo encarecimento da moeda.

Juros mais pesados dificultam o acesso ao crédito, visto que as pessoas e as companhias se sentem menos compelidas a tomar empréstimos, por exemplo. É como te explicamos na primeira seção, isso impacta diretamente o valor dos produtos. Até porque consumidores com menos dinheiro disponível tendem a gastar menor, forçando a oferta a superar a demanda, derrubando os preços.

O Banco Central sabe disso. Todas as vezes que a economia apresenta inflação elevada ou desaceleração no nível de crescimento, ele altera a taxa básica para manipular a oferta monetária e impulsionar (ou não) o consumo.

Como a taxa Selic afeta as suas finanças como investidor e devedor?

No site do Banco Central, é possível acompanhar dados como a taxa Selic atual e o histórico dos últimos anos.

Diante dessa informação é possível verificar se a taxa atual (e a tendência) está favorável ou desfavorável ao seu posicionamento.

Para devedores, ou seja, para aqueles que tomam empréstimos e financiamentos, ter a taxa Selic baixa é um cenário vantajoso. Isso porque os juros que incidirão sobre a dívida serão menores, de modo que o valor final a ser pago também será menor.

Por outro lado, para investidores (assim como para o próprio banco, que empresta capital), juros altos garantem um retorno maior do investimento.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.