Mercado Financeiro

Ao longo desta pandemia, a sensação de medo e insegurança vem sendo experimentada por milhares de pessoas, preocupadas com o seu futuro diante do caótico cenário global. Entretanto, especialistas em saúde mental alertam que alguns tipos de receios podem se transformar em patologia quando se trata de um pavor exacerbado, que prejudica o indivíduo em suas tarefas do dia a dia. Para nomear esse comportamento, já existe até uma expressão na Psicologia: a coronofobia.

De fato, é estranho iniciar um artigo sobre o mercado financeiro falando da ansiedade da população por conta da Covid-19. Mas este tema é um bom exemplo para explicar a diferença entre a cautela natural dos investidores, que vendem seus ativos quando “preveem” uma grande turbulência econômica, e o comportamento do investidor que decide abandonar suas posições, sem qualquer motivo racional, a não ser a limitação de seus ganhos.

O perfil cauteloso aparece, geralmente, quando o mercado é surpreendido por uma notícia (ou um forte rumor) que causa um alto impacto nas previsões de crescimento econômico de um País. Neste cenário, os primeiros a receber a informação bombástica zeram suas posições para garantir o lucro conquistado até aquele momento. E os que ficam por último também são aconselhados a ter paciência para estudar o melhor momento de saída da Bolsa.

Esse tipo de comportamento racional foi visto, por exemplo, em 2008 na crise do subprime, nos Estados Unidos, após a notícia da quebra do banco Lehman Brothers. Situação semelhante aconteceu no Brasil em 2017, quando o Ibovespa despencou ladeira abaixo após o escândalo político envolvendo o então presidente da República Michel Temer e o empresário Joesley Batista, no famoso “Joesley Day”.

Nessas circunstâncias, é comum ver investidores preocupados em vender suas ações ou solicitar o resgate dos fundos de investimento, com o argumento de que o mercado atravessará um longo período de desvalorização. Por vezes, a notícia ruim não afeta o mercado como um todo, mas apenas um segmento específico ou uma empresa de forma pontual. De qualquer maneira, a história se repete: os primeiros acionistas fogem, e a manada os acompanha na sequência.  

Não quero entrar no mérito quanto ao comportamento financeiro mais adequado em situações extraordinárias como as descritas acima. Guardarei esse tema para uma outra oportunidade.

O mais importante agora é chamar atenção para o perfil de investidor que se desfaz de excelentes ativos, pois não se conforma com sua trajetória de alta rentabilidade num longo período. Esses acionistas sofreriam do que eu chamo de “ganhofobia”, pois acham que alguma coisa deve estar muito errada para justificar a constante boa performance de sua carteira de ações ou do seu fundo de investimento.

Do início de janeiro à primeira quinzena de abril, um fundo de ações como o Avantgarde Multifatores FIA registrou rentabilidade de 21,2%, contra um Ibovespa de 1,60% no mesmo período. Ora, do mesmo modo que existem cotistas comemorando o excelente retorno, é provável que haja outros assustados com a boa valorização do portfólio ou em pânico por receber um ganho de quase 20% nesse intervalo de tempo.

Comportamento do investidor tem de ser racional

Esse temor irracional faz com que muitos investidores interrompam um ciclo de expansão de seu patrimônio, sem nenhum motivo racional. Mas a “ganhofobia” tem cura, e o medicamento se chama Informação.

As gestoras de recursos costumam estar à disposição de seus cotistas para esclarecer dúvidas sobre os seus produtos, de forma didática e acessível.

É preciso aproveitar a prerrogativa da transparência na hora de tomar uma decisão sobre o destino do seu dinheiro. Do mesmo modo que é errado comprar um ativo sem estudar os fundamentos da empresa ou entender a estratégia de investimento de um fundo, também não faz sentido abandonar certas posições, ignorando os motivos concretos para solicitar um resgate, no caso dos fundos.

Seja em uma situação completamente vital – como na adoção de cuidados para evitar a contaminação durante a pandemia –, ou nas escolhas sobre onde, como e quando investir seus recursos, a busca por informações, seguida pela interpretação de suas consequências, é mandatória em qualquer circunstância.

Acredite: o conhecimento sempre será um excelente remédio.

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Luciano Boudjoukian França (CFP®️) economista pela FEA-USP, Pós-Graduado em Finanças, Mestre em Economia pelo Insper e sócio da Avantgarde Asset Management.

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