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Mercado Financeiro

Ranking de junho: dólar sobe 10,13%; bolsa cai 11,50% e bitcoin despenca 40,65%; no semestre os três estão no vermelho

No semestre, bolsa cai 5,99%, dólar 6,14% e bitcoin, 60,51%

Data de publicação:30/06/2022 às 20:26 -
Atualizado um mês atrás
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O dólar, com valorização de 10,13%, foi o investimento mais rentável no ranking de junho, mês que as primeiras posições do ranking foram ocupadas por ativos de renda variável. No entanto, no ano, a moeda americana não conseguiu sair do vermelho com queda de 6,14%.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, está mal na fita nos dois períodos, com recuo de 11,50% no mês, o maior desde os 30% registrados em março de 2020. No semestre deste ano, a queda é de 5,99%. Nada foi pior, no entanto, do que o comportamento da bitcoin: queda de 40,65% em junho, e desvalorização acumulada de 60,51% em seis meses.

Ranking de junho

Aplicação/indicadorVariação
Dólar 10,13%
Ouro 7,60%
Euro 7,50%
Títulos IPCA*de 1,21% a 1,31%
Fundos DI**de 0,99% a 1,09%
Fundos de Renda Fixa**de 0,97% a 1,07%
CDB**de 0,95% a 1,05%
IPCA*** 0,73%
Poupança 0,65%
IGP-M 0,59%
Fundos Imobiliários (Ifix) - 0,88%
Bolsa/Ibovespa -11,50%
Bitcoin**** -40,65%
Fonte: Fabio Colombo

Obs.: * indicativo

       ** média

    *** estimativa

**** dados Investing.com

Recessão global traz aversão ao risco

Tanto a boa performance do dólar quanto o tombo da bolsa e da bitcoin no ranking de junho refletem em boa medida o aumento da aversão ao risco pela expectativa de uma possível recessão global. Um sentimento que leva os investidores a deixar ativos de maior risco, como ações, e a buscar proteção em outros, vistos como mais seguros, como o dólar.

O temor de que a economia global, a começar pela americana, esteja a caminho de uma recessão foi agravado pela escalada da inflação nas principais economias. Uma dinâmica de preços que levou o Fed (Federal Reserve, banco central americano) a acelerar a elevação dos juros.

Na última reunião de política monetária, em meados de junho, o Fed aumentou 0,75 ponto porcentual o juro de curto prazo, para uma faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano. A taxa dos Fed funds, que equivale à Selic, iniciou o ano em um intervalo entre zero e 0,25% ao ano.

ranking de junho
Aperto monetário nos EUA deve trazer mais impacto à economia global - Foto: Getty Images

Juros elevados

A expectativa é que outros países de economias avançadas, incluídos os da Europa, também aumentem com mais força os juros. 

Para especialistas, no entanto, é o aperto monetário nos EUA que mais impacta as condições financeiras e econômicas dos demais países, principalmente dos emergentes.

Juros altos tornam mais rentáveis os ativos de renda fixa americanos, o que atrai recursos ancorados em outros mercados para os EUA. Esse movimento de saída de capitais pressiona e valoriza o dólar.

Uma desaceleração da economia americana, considerada o motor da produção/consumo global, impacta também a atividade de outros países, o que gera maior preocupação com possível recessão em maior escala.

A piora nas condições internacionais, ligadas a pressões inflacionárias e ao temor de recessão, divide a preocupação dos investidores locais com o aumento do risco fiscal do País. O foco do momento é a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos Combustíveis, que tramita no Senado.

A PEC prevê uma série de medidas que turbinam o programa de benefícios sociais do governo, considerados eleitoreiros pelos analistas, que podem ter impacto bilionário nas contas públicas e pôr em xeque a credibilidade da âncora fiscal do País.

O temor dos analistas é que a gastança prevista no pacote de bondades, considerada uma farra fiscal pré-eleitoral, gere mais inflação, mais altas dos juros, que permaneceriam em níveis elevados por mais tempo.

Independentemente disso, diante do cenário de persistente inflação, o Banco Central já adiantou nova elevação da Selic para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em agosto.

O ciclo de elevação da Selic melhorou o rendimento nominal da renda fixa, “mas a maioria das aplicações a juros continua com resultado líquido negativo”, aponta o administrador de investimentos Fabio Colombo. “Os comentários de que o Brasil tem o maior juro real do mundo não fazem sentido, até o momento.”

Dentre os ativos da classe, o que tem performado melhor são os títulos indexados ao IPCA, que se beneficiam do repasse de correção monetária ao rendimento pela inflação oficial. A expectativa, contudo, é que a combinação de juro nominal alto e inflação em queda redunde em retorno real positivo de outros ativos de renda fixa em cenário mais à frente.

Ranking do semestre

Confira também quanto renderam as aplicações no primeiro semestre, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação/indicadorVariação
Títulos IPCA* 8,59%
IGP-M 8,16%
Fundos DI** 5,67%
Fundos Renda Fixa** 5,61%
IPCA*** 5,54%
CDB** 5,35%
Poupança 3,58%
Fundos Imobiliários (Ifix) -0,33%
Ibovespa -5,99%
Dólar -6,14%
Ouro -9,03%
Euro-13,15%
Bitcoin****-60,51%
Fonte: Fábio Colombo

Obs.:  * indicativo

         ** média

       *** estimativa

     **** dado calculado pelo site Investing.com

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.