Renda Variável

O pregão desta terça-feira, 28, foi de queda generalizada na Bolsa de Valores, que derreteu 3,05%, aos 110.123,85 pontos, acompanhando o movimento de desvalorização observado em todo o mundo.

Embora as ações da Vale e das siderúrgicas, que correspondem a boa parte da carteira teórica do Ibovespa, tenham sido os principais responsáveis por puxar o índice para baixo, as maiores quedas do dia ficaram por conta de ações do setor de tecnologia.

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Juros futuros prejudicam ações de tecnologia - Foto: Reprodução

Com base nos dados divulgados pela própria B3 ao fim do pregão, o pódio das baixas foi ocupado por duas ações do Banco Inter, BIDI11 e BIDI4, que despencaram 11,82% e 11,70%, respectivamente, e o papel CASH3, da Méliuz, que recuou 8,65%. A queda do setor está intimamente relacionada a alta nos juros futuros, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, explica a especialista em ações da Clear Corretora, Pietra Guerra.

Segundo ela, as ações de tecnologia, muitas vezes, só serão rentáveis no longo prazo. A partir desta condição, quando a curva de juros futuros, em qualquer canto do mundo, estão elevadas, a renda fixa pode se apresentar como uma opção mais atraente para o investidor que pretende garantir uma rentabilidade futura. Isso porque essa modalidade de investimento oferece mais segurança que a renda variável. Especialmente as ações de tecnologia são afetadas com esse movimento.

No Brasil, os juros futuros fecharam o pregão desta terça majoritariamente em alta, principalmente os contratos com vencimentos mais longos. Essa valorização veio depois da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que adotou um tom mais duro, sinalizando que deve aumentar a taxa básica de juros dentro do que for necessário para conter a inflação.

Já nos Estados Unidos, após a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, voltar a pedir ao Congresso que suspenda o teto de gastos do país para evitar a paralisação parcial do governo, associada ainda às expectativas de quando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve iniciar o processo de redução de compra de ativos (tapering), os investidores ficaram cautelosos, o que também refletiu no rendimento das Treasuries de 10 anos.

Treasuries são os ativos do Tesouro americano, considerados os títulos de dívidas mais seguros do mundo. "Sempre que a taxa de juros desses ativos sobe, isso acaba impactando os ativos de risco por lá e, também, nos mercados emergentes", explica Flávio de Oliveira, Head de Renda Variável da Zahl Investimentos.

Quando os títulos americanos oferecem um rendimento maior ao investidor, os ativos de risco, principalmente as ações de tecnologia, que se valorizam no longo prazo, conforme afirma Pietra, perdem competividade.

Na mesma esteira, outras ações do setor reportaram quedas acentuadas no último pregão. Os papéis da Totvs (TOTS3), Locaweb (LWSA3) e Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, caíram 3,44%, 4,65% e 5,53%, na sequência.

Banco Inter

Além do impacto causado pela valorização dos contratos de juros futuros, a forte queda registrada nos papéis do Banco Inter também refletem rumores que circularam no mercado sobre a companhia.

Depois de uma parceria anunciada em maio deste ano entre o Inter e a Stone, fintech de pagamentos, há alguns dias a notícia de que, em breve, o projeto entre as duas empresas poderia avançar, podendo resultar, até mesmo, numa fusão, tomaram conta do mercado. No entanto, na véspera, mesmo que nenhum comunicado tenha sido emitido por nenhuma das partes, acreditava-se que as negociações estariam travadas.

Pietra Guerra destaca ainda que, também no campo dos rumores, circula entre os investidores e analistas a informação de que a instituição poderia revisar seus dados de provisionamento contra inadimplência para o balanço do próximo trimestre.

O banco emitiu um comunicado oficial negando que existam fundamentos para tal especulação. Não foi o suficiente para tranquilizar os investidores, que optaram por realizar seus lucros com as ações da companhia.

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Repórter na Mais Retorno

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