Mercado Financeiro

A possibilidade de aumento dos impostos sobre as empresas nos Estados Unidos está deixando os investidores apreensivos e sem definição sobre qual caminho a seguir em relação aos seus ativos, segundo relatório da gestora americana BlackRock.  

Esse cenário faz com que as atenções sejam voltadas para ativos de renda variável de mercados em desenvolvimento - universo no qual o Brasil se encaixa. Para a BlackRock, os emergentes "estão bem posicionados para terem boa performance na retomada econômica".

fundos

Vivendo um momento de forte pressão por conta desse cenário, além de outros fatores, os papéis de alguns setores nas bolsas americanas - com empresas de tecnologia e healthcare - podem ter seus lucros prejudicados com essa medida, dependendo do porcentual de tributação a ser definido pelo governo.

Plano de infraestrutura

A preocupação dos investidores e das empresas está ligada ao plano de infraestrutura do presidente americano Joe Biden, de US$ 4 trilhões, cujo financiamento seria parcialmente bancado por impostos mais altos aplicados a grandes corporações e pessoas físicas de alta renda.

“As incertezas em torno dessa elevação dos impostos está tornando o cenário mais complicado para os investidores se posicionarem. As ações americanas estão sob pressão por conta disso, entre outros fatores”, aponta.

Além disso, de acordo com o relatório da BlackRock, pesa o fato de que os Estados Unidos também está apoiando a criação de uma política global, em uma iniciativa global, que parte da OCDE, para limitar as multinacionais de transferirem os lucros para outros países cujo imposto é menor.

Setores

A elevação dos impostos mexe com vários setores importantes que marcam presença de forma maciça no mercado de renda variável, segundo a BlackRock. Setores que tem taxas de impostos relativamente baixas, como a área de Tecnologia e Saúde, sentiriam o reflexo disso de forma mais intensa.

“Achamos que as grandes empresas de tecnologia e de saúde – cujo setor se beneficia mais com a transferência de lucros para locais com impostos mais baixos – podem ter seus lucros prejudicados se esse imposto mínimo de transferência realmente for criado”, apontam os analistas da casa.

Para “suavizar” o golpe, a BlackRock afirma que margens de lucros mais altas e suporte ao crescimento estrutural desses setores ajudaria a compensar os riscos. “Mesmo as empresas de tecnologia que são bem avaliadas no mercado não estarão livres de enfrentar esse desafio”

ETFs

Para os analistas da casa, os impostos mais altos podem levar os investidores a adotar uma carteira focada em ativos que permita a eles controlar os lucros, como é o caso dos ETFs (Exchange-Traded Funds).

E também podem fortalecer os títulos do governo indexados à inflação, por conta das pressões inflacionárias no médio prazo.

Retomada econômica global

Após a retomada econômica ter sido mais forte inicialmente em países como Estados Unidos e Reino Unido, na visão da BlackRock, a zona do euro também adotou uma velocidade mais forte nessa movimentação, com o avanço da vacinação contra a covid-19, segundo os últimos dados do Índice de Gerente de Compras (PMI) divulgados na semana passada.

Soma-se a isso o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) que reforça a falta de pressa da autoridade monetária em aumentar as taxas de juros, principalmente movidas somente pela inflação.

“Nós acreditamos que as taxas de juros vão subir mais lentamente do que no passado em resposta à inflação. O reconhecimento do Fed sobre as crescentes pressões sobre os preços não se traduziu em projeções de taxas de juros significativamente mais altas para um futuro próximo”.

Porém, diversos representantes do banco americano surpreenderam os mercados ao ressaltarem a inflação mais alta, anunciando um aumento nas taxas de juros em 2023, e não mais em 2024 como estava previsto.

Sustentabilidade

Para a BlackRock, a pandemia acentuou tendências já existentes no mercado, como a importância da sustentabilidade. E a casa avalia que haverá grandes oportunidades em papéis de empresas que podem reduzir os impactos das mudanças climáticas.

“Taticamente, nós destacamos os setores de saúde e tecnologia, mesmo com o desafio dos impostos, além de empresas com exposições mais cíclicas”, conclui.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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