Mercado Financeiro

Mercado não deve ser impactado por MP de privatização da Eletrobras

Expectativas são em relação a sinalizações sobre aumento de juros, de quanto e quando

Data de publicação:22/06/2021 às 07:00 - Atualizado 6 meses atrás
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A aprovação do texto-base da medida provisória que permite a privatização da Eletrobras não deve provocar nova animação no mercado de ações nesta terça-feira, 22. Na última segunda-feira, antes da sanção da MP no Senado, as ações de Eletrobrás reagiram com fortes altas no pregão da B3.

Especialistas afirmam que a aprovação pelos deputados já está no preço de ações da holding do setor elétrico, que fechou com nova valorização no dia anterior: Eletrobrás ON subiu 2,92% e Eletrobrás PNB, 3,42%.

Foto: Flickr
Jerome Powell, presidente do Fed - Foto: Flickr

O especialista em Renda Variável da Valor Investimentos, Felipe Leão, afirma que o mercado reagiria negativamente se o projeto não fosse aprovado, já que medida perderia a validade nesta terça-feira.

“A aprovação do modelo de capitalização, que abre caminho para a privatização da Eletrobrás até fevereiro do ano que vem, já estava embutida na expectativa positiva dos investidores e também no preço das ações", diz Leão.

A partir de agora, segundo o especialista, investidores e profissionais estarão atentos e tendem a reagir à formatação do modelo para a venda da estatal de energia, que pelo sistema de capitalização aprovado vê reduzida de 60% para 45% a participação do governo na empresa. 

Um evento que atrai a tenção do mercado financeiro na manhã desta terça-feira, logo cedo, é a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que aumentou a taxa básica de juros, a Selic, de 3,50% para 4,25% ao ano, semana passada.

A elevação não surpreendeu o mercado. O que causou alguma estranheza e atiçou o interesse pelo documento que será divulgado às 8h é o tom hawkish (mais duro) adotado pelo BC no comunicado pós-Copom.

A mudança foi entendida como um possível aperto na política monetária, ou aumentos maiores na Selic, para conter a aceleração dos preços e colocar o IPCA no centro da meta do próximo ano, de 3,50%, ou no máximo no teto do intervalo de tolerância, de 5%.

A expectativa é que o BC venha a explicitar os próximos passos da política monetária e dar sinais que poderão fornecer pistas de como será a gestão da Selic, se será seguirá uma política de alta gradual, com um ciclo de ajuste mais longo, ou de alta mais agressiva, em um ciclo mais curto.

A ata do Copom divide a atenção do dia com o depoimento, à tarde, do presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, em um comitê econômico, quando os analistas esperam alguma referência à inflação e aos juros americanos.

NY: futuros em queda

No cenário externo, os futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em queda nesta terça-feira, atentos ao discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que acontece na parte da tarde, no qual ele deve reiterar sua avaliação de que o recente avanço da inflação nos Estados Unidos ao maior nível em 13 anos acabará sendo temporário.

No fechamento do dia anterior, o Dow Jones subiu 1,76%, aos 33.876,97 pontos, o S&P 500 avançou 1,40%, aos 4.224,79 pontos, e o Nasdaq registrou ganho de 0,79%, aos 14.141,48 pontos.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse que o processo de retirada de estímulos, conhecido "como tapering", ainda "levará algum tempo" para ser implementado. Na última sexta-feira, 18, um discurso mais "duro" de Bullard, que chegou a prever alta de juros em 2022, havia contribuído para a liquidação de ativos de risco como as ações.

Na visão da Capital Economics, a postura mais hawkish do Fed confirma a avaliação de que os mercados acionários americanos terão ganhos limitados até 2023.

Para o presidente do Fed em Nova York, John Williams, por outro lado, a economia americana ainda não avançou o suficiente para que a política monetária seja ajustada.

CPI da Covid: decisões importantes

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado seguem sendo acompanhados de perto pelo mercado.

Nesta terça-feira, o colegiado ouvirá o deputado federal Osmar Terra, que é médico e ex-ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro. Terra é conhecido por ser defensor da tese da imunidade de rebanho para a condução da pandemia da covid-19.

O ex-ministro será questionado sobre a atuação do suposto “gabinete paralelo”, um grupo de pessoas com poder de influência sobre Bolsonaro que teria ajudado a definir estratégias e atitudes contestadas para o combate ao vírus no País.

Na véspera, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, em ação monocrática, suspender a convocação de governadores à CPI.

Em sua decisão, a ministra citou que a Constituição Federal isenta o chefe do Poder Executivo de "prestar esclarecimentos perante as Casas Legislativas da União e suas comissões", por conseguinte, a vedação seria aplicável aos governadores.

De acordo com a ministra, cabe ao Tribunal de Contas da União a função de julgar a destinação das verbas federais repassadas pelo Planalto aos governadores, e não ao Congresso Nacional.

Além disso, o grupo majoritário da CPI da Covid no Senado quer avançar nos próximos dias em decisões internas importantes, como a discussão sobre incluir ou não o presidente Jair Bolsonaro no rol de investigados. Na semana passada, a comissão anunciou que investiga 14 pessoas. Na lista, estão o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o seu antecessor, Eduardo Pazuello.

Um grupo de juristas já estuda, a pedido da CPI, os crimes que podem ser imputados ao presidente e outras autoridades por ações e omissões no combate à pandemia de covid-19.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, seguindo Wall Street, que ontem se recuperou da sinalização do Fed de que poderá retirar estímulos monetários antes do esperado.

O índice japonês Nikkei liderou os ganhos na Ásia hoje, com valorização de 3,12% em Tóquio, aos 28.884,13 pontos, revertendo quase toda a queda da véspera. Já o sul-coreano Kospi avançou 0,71% em Seul, aos 3.263,88 pontos, e o Taiex registrou alta marginal de 0,07% em Taiwan, aos 17.075,55 pontos.

O dia também foi de ganhos na China continental: o Xangai Composto subiu 0,80%, aos 3.557,41 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve alta de 0,51%, aos 2.408,41 pontos. Exceção, o Hang Seng caiu 0,63% em Hong Kong, aos 28.309,76 pontos.

Já na Oceania, a bolsa australiana teve hoje seu melhor desempenho desde 1º de março, apagando a maior parte das perdas da sessão anterior. O S&P/ASX 200 avançou 1,48% em Sydney, aos 7.342,20 pontos, impulsionado por ações de bancos e de mineradoras. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.
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