Mercado Financeiro

O mercado financeiro inicia os negócios nesta quinta-feira, 9, preocupado com o movimento de paralisação dos caminhoneiros.

A concentração de participantes e bloqueio de rodovias, que às 20h30 atingia 14 Estados, de acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Infraestrutura, agravou o cenário de incertezas políticas no dia seguinte às manifestações de apoio ao presidente Bolsonaro, realizadas em Brasília e em São Paulo no dia 7.

Foto: Envato
Inflação oficial de agosto será divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE - Foto: Envato

Nelas não faltaram falas golpistas e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo a um de seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes.

A paralisação dos caminhoneiros cria intranquilidade no mercado financeiro porque o episódio remete à greve da categoria que em 2018 praticamente paralisou o País e estrangulou a atividade econômica.

Embora não seja consenso na categoria, e há entidades do setor se declarando contra a pauta política e antidemocrática, a paralisação, ainda que por poucos dias, pode provocar danos à economia que levarão meses para serem reparados.

No final da noite anterior, circulou pelas redes sociais um áudio do presidente Jair Bolsonaro pedindo aos participantes o fim da ação, argumentando que ela atrapalha a economia, provoca desabastecimento, inflação e prejudica sobretudo os mais pobres. No entanto, os líderes do movimento não se mostraram muito convencidos a acatar o pedido.

A insegurança dos investidores com a crise político-institucional agravada pelo movimento dos caminhoneiros levou a uma pressão vendedora de ações e a uma busca simultânea de proteção que redundou em forte queda da Bolsa de Valores e arrancada do dólar. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuou 3,78%, para 113.412,84 pontos, e o dólar avançou 2,89%, cotado por R$ 5,33 para a venda.

Atento à movimentação política, ainda como desdobramento dos atos de 7 de setembro, e no ato dos caminhoneiros, o mercado financeiro toma conhecimento da inflação oficial, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que o IBGE divulga nesta quinta-feira. 

Turbulência política afeta economia e mercado

O sentimento de investidores e de gestores de mercado é de redobrada cautela diante de um cenário em que a turbulência política tende a levar a uma deterioração das expectativas econômicas, segundo analistas.

Dólar em alta pressiona a inflação, que passa a exigir juros mais altos na calibragem da Selic pelo Banco Central, em meio a dúvidas com o controle das contas públicas.

A preocupação com o ajuste fiscal aumenta porque não existe uma definição ainda para a gestão da conta dos precatórios, cujo pagamento exigirá desembolso de R$ 90 bilhões em 2022, e do novo programa do Bolsa Família, que, sob o nome de Auxílio Brasil, o governo pretende um valor maior para o benefício. Questões pendentes que permanecem empacadas no Congresso, em meio ao agravamento da crise política.

Críticas ao extremismo

Após o presidente Jair Bolsonaro fazer ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante os atos de 7 de setembro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, divulgou um pronunciamento criticando o extremismo nas manifestações e cobrando respeito à Constituição.

Pacheco afirmou que, tanto para os brasileiros nas manifestações quanto para aqueles que não foram, há uma realidade: um país em crise.

"Essa solução não está no autoritarismo, não está nos arroubos antidemocráticos, não está em questionar a democracia. Essa solução está na maturidade política dos Poderes constituídos de se entenderem, de buscarem as convergências para aquilo que verdadeiramente interessa aos brasileiros", disse o senador.

O presidente do Senado renovou o compromisso de buscar um diálogo entre os Poderes para resolver a crise econômica. Nas últimas semanas, reuniões com o presidente Jair Bolsonaro e o STF foram adiadas. Para Pacheco, é necessário que os chefes das instituições "sentem à mesa" e se organizem.

 "Não é com excessos, não é com radicalismo, não é com extremismo, é com diálogo e com respeito à Constituição que nós vamos conseguir resolver os problemas. É isso que os brasileiros esperam de Brasília e dos Poderes constituídos", ressaltou.

Além disso, Pacheco avalia devolver a medida provisória assinada por Jair Bolsonaro que endureceu as regras para a remoção de conteúdos nas redes sociais. Senadores tem pressionado o chefe do Legislativo a nem sequer aceitar a MP como uma resposta às ameaças antidemocráticas feitas durante o feriado.

A publicação da norma, na véspera dos atos de terça-feira, foi avaliada como um aceno de Bolsonaro à sua militância digital, que tem sido alvo de remoção de conteúdos que propagam informações falsas. A postura do presidente nas manifestações, porém, levou Pacheco a cogitar a devolução.

A MP não proíbe a retirada de conteúdos das redes sociais, mas endurece as regras para que isso aconteça. Pelo texto, plataformas de redes sociais como Instagram, Twitter e Facebook serão obrigados a tornar públicos os critérios usados para definir quais conteúdos serão removidos. Para especialistas, a medida limita a capacidade de moderação e facilita a propagação de fake news.

Código eleitoral

 O projeto que cria o novo Código Eleitoral chegou a entrar em votação no plenário da Câmara na véspera, mas, após apelo de líderes da Casa, o presidente Arthur Lira aceitou adiar a deliberação para quinta-feira.

Na semana passada, em uma tentativa de acordo, a deputada Margarete Coelho, relatora do projeto mudou a regra que institui uma quarentena a juízes e militares disputarem eleições. Na versão mais recente do seu texto, ela adia a vigência da nova regra de 2022 para 2026. A proposta proíbe militares, policiais, juízes e promotores de concorrerem nas eleições por um período de cinco anos após deixarem seus cargos.

Do jeito como estava, a quarentena para militares, membros do Judiciário e do Ministério Público afetava a pretensão de alguns partidos de lançar o ex-juiz Sérgio Moro como candidato a presidente em 2022.

Críticos do texto reprovam os pontos da medida e dizem que limitam a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), restringem a divulgação de pesquisas eleitorais e diminuem a transparência e fiscalização de partidos no uso dos recursos públicos.

NY: futuros no vermelho

Em Nova York, os contratos futuros das bolsas locais operam em queda, com os investidores trabalhando com a hipótese de uma recuperação econômica mais lenta e com a perspectiva de redução de estímulos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) em um horizonte próximo.

Na véspera, a autoridade monetária divulgou o Livro Bege. Segundo o documento, que compila percepções de empresários sobre a economia americana, o crescimento foi afetado, em parte, pela variante delta do coronavírus, que levou a uma retração nos setores de restaurantes, viagens e turismo.

Além disso, aponta o Livro Bege, a escassez de suprimentos, devido aos gargalos nas cadeias de produção, e a falta de mão de obra nos EUA têm freado a recuperação da crise.

"Na sequência do Goldman Sachs no fim de semana, também vimos o Morgan Stanley e o Citigroup começarem a ficar negativos nas perspectivas para as ações dos EUA", afirma o analista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson, ao comentar a queda dos índices acionários hoje.

Também divulgado no dia anterior, o relatório Jolts mostrou que o número de postos de trabalho abertos no país atingiu em julho o nível recorde de 10,934 milhões. Essas vagas abertas ainda não haviam sido preenchidas naquele mês.

Em meio ao debate sobre o tapering, como é chamado o processo de redução das compras de ativos do Fed, o presidente da distrital de Nova York, John Williams, disse que a retirada desses estímulos pode começar este ano, mas depende do mercado de trabalho.

Os investidores também acompanham o impasse legislativo nos EUA sobre o teto da dívida. O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Brian Deese, disse que o Congresso deve agir "de forma responsável".

Bolsas asiáticas fecham mistas

 As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira, com parte delas acompanhando as perdas do dia anterior em Wall Street.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,57% em Tóquio, aos 30.008,19 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 1,53% em Seul, aos 3.114,70 pontos.

Já o Hang Seng teve expressiva queda de 2,30% em Hong Kong, aos 25.716,00 pontos, pressionado por ações de tecnologia após relatos de que o governo chinês irá suspender a aprovação de novos jogos online.

Já na China continental, os mercados ficaram no azul, impulsionados por ações de siderúrgicas e de produtoras de carvão. O Xangai Composto subiu 0,49%, aos 3.693,13 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve ganho marginal de 0,07%, aos 2.494,27 pontos. Em Taiwan, o Taiex apresentou leve valorização de 0,20%, aos 17.304,33 pontos.

Dados oficiais mostraram que a taxa anual de inflação ao produtor (PPI) da China atingiu 9,5% em agosto, superando as expectativas e tocando o maior patamar em 13 anos. Por outro lado, a inflação anual ao consumidor chinês desacelerou para 0,8% no último mês.

Na Oceania, a bolsa australiana teve perdas quase generalizadas, registrando sua maior perda diária em sete meses. O S&P/ASX 200 terminou o pregão em Sydney com queda de 1,90%, aos 7.369,50 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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