Economia

O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou nesta sexta-feira, 27, que a maioria dos dirigentes da instituição concorda que, caso a economia continue a evoluir "em geral conforme antecipado", seria "apropriado começar a reduzir o ritmo das compras de ativos neste ano".

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Jerome Powell, presidente do Fed - Foto: Flickr

A declaração foi dada durante discurso no Simpósio de Jackson Hole, no qual havia expectativa sobre comentários de Powell a respeito desse processo de tapering nas compras de bônus.

Powell afirmou que o Fed tem dito que continuará suas compras de ativos no ritmo atual até que ocorra mais progresso substancial rumo às metas de máximo emprego e estabilidade de preços.

Segundo ele, "mais progresso substancial" já foi atingido na inflação. Além disso, tem ocorrido "claro progresso rumo ao máximo emprego".

Nesse contexto, a posição da maioria sobre o tapering ainda neste ano era majoritária entre os dirigentes na reunião de julho, comentou Powell, citando ainda que essa também era a avaliação dele sobre o tema.

O presidente do Fed, porém, também mencionou que houve uma disseminação maior da variante delta da covid-19 nos EUA.

O dirigente disse que o comando do Fed avaliará com cuidado os dados por vir e os riscos no quadro. "Mesmo após nossas compras de ativos terminarem, nossa carteira elevada de ativos de longo prazo continuará a apoiar condições financeiras acomodatícias", ressaltou.

Criação de empregos

O presidente do Federal Reserve afirmou que continua a esperar "criação forte de empregos" nos Estados Unidos, no quadro atual de reabertura econômica. Ao mesmo tempo, porém, mencionou a variante Delta como um risco de curto prazo, monitorado pelo Fed.

Durante discurso no Simpósio de Jackson Hole, Powell disse que com o tempo também será possível saber mais sobre os efeitos da cepa delta do vírus.

Política monetária 'bem-posicionada'

Segundo ele, no quadro atual a política monetária está "bem-posicionada", mas o Fed está pronto para ajustar a política conforme apropriado, para atingir suas metas.

Powell citou o avanço na vacinação, a reabertura de escolas e o fim de benefícios de auxílio-desemprego como fatores que devem apoiar o mercado de trabalho.

"Embora a variante delta seja um risco de curto prazo, as perspectivas são boas por um progresso continuado rumo ao máximo emprego", avaliou o presidente do Fed.

O que pensa o mercado

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a barra colocada por Jerome Powell em sem discurso, ainda que dentro do arcabouço de política monetária, ficou acima do esperado, com um tom mais leve.

"Ainda que esperássemos gradualismo na fala do presidente do Fed, e que haveria apenas uma sinalização sobre a redução do ritmo de expansão do tapering, Powell reiterou inúmeras vezes a necessidade de se estimular o emprego até o máximo, o que ainda permanece longe a despeito da inflação elevadíssima", analisou Sanchez.

Para o economista, os relatórios do payroll deverão forçar o Fed a tomar medidas relativamente mais enérgicas de política monetária, "com uma eventual desaceleração mais intensa ainda este ano.

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