Economia

O dólar operou em clima de muita tensão nesta quarta-feira, 8, e fechou em forte alta, na máxima do dia aos R$ 5,326. Nem a fala do presidente da Câmara, Athur Lira, na tentativa de pacificar os conflitos entre os Poderes, nem a do presidente do STF, Luiz Fux, foram capazes de sossegar o mercado.

As cotações foram impulsionadas pelos temores trazidos pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações do 7 de setembro, Dia da Independência. Ao afirmar que não cumprirá mais decisões tomadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o presidente abre caminho para uma crise institucional.

Foto: envato
Dólar volta a operar abaixo dos R$ 5

Lira falou em pacificar a relação entre os Poderes, na defesa da Constituição e na aceitação, pelo presidente Bolsonaro, sobre questões que já tiveram definições pela Justiça, como o de voto eletrônico nas próximas eleições. Fux foi mais contundente ao deixar claro que se as decisões do STF não forem respeitadas, por chefe de qualquer Poder (Executivo ou Legislativo) haverá "crime de responsabilidade".

Nenhum dos dois discursos, no entanto, foi suficiente para dissipar o receio que tudo desemboque em uma crise institucional. As atenções estão voltadas agora para os próximos capítulos dessa novela que não chegou ao fim.

Com respaldo no artigo 85 da Constituição, que define como crime de responsabilidade os atos do presidente que atentem contra o livre exercício do Poder Judiciário e o cumprimento das leis, são esperadas falas contundentes dos representantes das instituições em resposta à fala de Bolsonaro. Mais ainda, a expectativa é de que novos pedidos de afastamento do presidente da República sejam encaminhados à Câmara.

"Entendemos que os discursos de Bolsonaro realizados ontem devem tensionar ainda mais a relação entre os Poderes, penalizando os mercados", diz o departamento econômico da corretora Renascença em nota a clientes nesta manhã. . "Politicamente em nada favorece a Bolsonaro a volta das críticas ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, principalmente no que tange ao relacionamento dele com Arthur Lira, que semanas atrás pautou o tema do voto impresso no plenário sob a promessa de encerramento desse assunto, o que evidentemente não ocorreu", prossegue a nota.

Por conta de tudo isso, os preços da moeda americana devem seguir pressionados, já que o dólar é tido como um refúgio em momentos de crise e turbulências.

No exterior, o clima também é de prudência, com os mercados novamente refletindo os temores de que o avanço da variante delta atrase a recuperação econômica mundial. O dólar se fortalece ante divisas fortes e apresenta comportamento diverso entre moedas de países emergentes e exportadores de commodities, em manhã de alta dos preços do petróleo.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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