Economia

Após a decisão da Comissão de Política Monetária (Copom), que elevou para 3,50% a taxa básica de juros da economia, em uma decisão esperada pelo mercado, os investidores voltam-se nesta quinta-feira, 6, para o mercado externo, e no Brasil, para a agenda de balanços corporativos.

Mercado financeiro amanhece com expectativa de alta
O comportamento da inflação deve mexer mais com os mercados do que a elevação da Selic de 3,5% - Foto: Arquivo

O investidor deve ficar atento às ações das companhias do setor financeiro e da Ambev e Banco do Brasil, divulgam seus números referentes ao primeiro trimestre do ano nesta manhã.

A temporada de balanços tem trazido resultados ora positivos, ora negativos, e o mercado vem reagindo a essas notícias, trazendo volatilidade aos índices.

A lista para esta quinta-feira também contempla a divulgação de resultados de empresas como a B3, Lojas Americanas, B2W, Azul, Burger King, Banco BMG, JHSF, Ouro Fino, São Carlos, Sequóia Logística, Unicasa, entre outras.

Aumento na Selic: sem impactos

A elevação da taxa básica de juros, a Selic, não deve gerar impactos nos mercados nesta quinta-feira, 6, de acordo com analistas. Primeiro, porque a nova alta de 0,75 ponto porcentual, que subiu a Selic para 3,50% ao ano, veio alinhada com as estimativas do mercado.

E, segundo, porque o Copom antecipou, como no comunicado do encontro anterior, que deve promover outro aumento da mesma magnitude na próxima reunião. A expectativa é que a decisão do Copom seja bem recebida pelos investidores, avaliam especialistas.

Os efeitos no mercado financeiro, sobretudo no segmento de ações, vai depender, com o tempo, do controle ou não das expectativas de inflação, analisa Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos. Se a inflação for controlada e os juros permanecerem negativos, avalia, o cenário continuará favorável ao mercado de ações.

Para Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, a decisão do Copom mostra comprometimento com a meta de inflação, o que é muito positivo, apesar das dúvidas com o cenário de recuperação da atividade.

O sócio da Aplix Investimentos, Igo Falcão, prevê que os mercados reagirão mais a outros fatores da ordem o dia, como a perspectiva de fatiamento da reforma tributária, o que abre a perspectiva, segundo ele, de que a reforma desta vez saia do papel. Essa possibilidade combinada com a alta da Selic pode manter o dólar em desvalorização, acredita Falcão.

O andamento dos trabalhos da CPI da Covid, no cenário doméstico, continuará dividindo a atenção dos mercados com o que ocorre no exterior, dizem os especialistas.

CPI da Covid: Teich na véspera

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouviu na véspera o ex-ministro Nelson Teich. Segundo ele, sua demissão do cargo, em maio do ano passado, estava ligada ao fato à falta de autonomia e pelas divergências sobre o uso da cloroquina em pacientes com o vírus.

O líder da minoria da Câmara, deputado federal Marcelo Freixo, afirmou que os depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich "são provas cabais" de que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime contra a saúde pública.

"Os depoimentos de Teich e Mandetta são provas cabais de que Bolsonaro cometeu crime contra a saúde pública, infringindo o art. 132 do CP por 'expor a vida de outrem' ao recomendar medicamentos ineficazes que provocam efeitos colaterais graves e podem matar", escreveu Freixo em seu perfil no Twitter.

O ex-ministro Eduardo Pazuello deve ser ouvido no próximo dia 19.

Covid-19: média de mortes e vacinação

O Brasil registrou 2.791 novas mortes pela covid-19 no dia anterior. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 2.329, ainda em número bastante elevado, mas em ligeira queda recentemente - são 11 dias seguidos sem subir a marca.

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou na véspera a 33.404.333, o equivalente a 15,77% da população total.

Futuros em alta em NY

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York seguem em alta nesta quinta-feira, refletindo os reflexos dos indicadores econômicos divulgados na véspera.

O otimismo com os sinais de recuperação econômica ajudou o Dow Jones a renovar a máxima histórica de fechamento. Já os papéis de farmacêuticas foram pressionados após o presidente dos EUA, Joe Biden, sinalizar apoio à quebra de patentes para vacinas contra a covid-19.

Economistas ouvidos pelo mercado esperam que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano), anuncie uma redução no ritmo de compras de títulos no quarto trimestre. Embora o presidente Jerome Powell ainda não tenha mudado sua mensagem de que é muito cedo para discutir tal movimento, os legisladores começam a abordar a questão de forma mais direta.

O Dow Jones fechou em alta de 0,29%, a 34.230,34 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,07%, a 4.167,59 pontos, e o Nasdaq recuou 0,37%, a 13.582,42 pontos.

O presidente americano Joe Biden disse, na véspera, sem entrar em detalhes, que pretende apoiar uma isenção de propriedade intelectual nos imunizantes contra o coronavírus, por meio da Organização Mundial de Comércio (OMC), diante da pandemia.

A ideia de países em desenvolvimento é facilitar a transferência de tecnologia e possibilitar a produção de vacinas em nações que estão atrás na corrida pela imunização. Com essa notícia, as ações das farmacêuticas no país registraram queda

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas da Ásia do Pacífico fecharam sem direção única nesta quinta-feira, com os negócios voltando a ganhar liquidez, uma vez que os mercados do Japão e da China reabriram após três dias de feriados.

Na China continental, o tom foi negativo hoje. O Xangai Composto recuou 0,16%, a 3.441,28 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 0,97%, aos 2.276,58 pontos.

Já em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei subiu 1,80% em Tóquio, impulsionado por ações financeiras e de siderúrgicas, enquanto o Hang Seng avançou 0,77% em Hong Kong, aos 28.637,46 pontos.

O sul-coreano Kospi voltou de um feriado com ganho de 1% em Seul, aos 3.178,74 pontos, e o Taiex registrou alta de 0,90% em Taiwan, aos 16.994,36 pontos, interrompendo uma sequência de perdas que veio em meio a um novo surto de covid-19 na ilha.

Embora o ritmo da vacinação contra o novo coronavírus na Ásia seja lento, em relação ao dos EUA e da Europa, a recuperação da economia global alimenta otimismo sobre exportações e lucros de empresas que fazem negócios no exterior.

Em ata da reunião de política monetária de março, o Banco do Japão (BoJ) avaliou que o impacto negativo da covid-19 na economia mundial está provavelmente diminuindo.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, pressionada em especial pelo setor de tecnologia, que sofreu tombo de 3,6%, espelhando o fraco desempenho de ontem em Nova York de "giant techs" dos EUA, como Microsoft, Amazon e Facebook. O S&P/ASX 200 caiu 0,48% em Sydney, aos 7.061,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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