Finanças Pessoais

O mercado financeiro encerrou a semana nesta sexta-feira, 19, com a bolsa de valores em alta e o dólar em baixa. O mercado de ações se recuperou da queda da véspera e o dólar colecionou a quarta queda consecutiva.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, sustentou valorização de 1,03%, no nível de 166.017,87 pontos. O anúncio da renúncia de André Brandão à presidência do Banco do Brasil, após o fechamento dos mercados na véspera, não interferiu no ânimo do pregão. E tampouco na ação do banco. O Banco do Brasil (BBAS3) apurou ligeira alta de 0,36%.

Dólar em baixa

O dólar amargou a quarta desvalorização consecutiva. Foi cotado por R$ 5,48, baixa de 1,50%. A queda, para analistas, foi um ajuste ao corte de rendimento projetado pelos Treasuries com vencimento em dez anos. O vaivém da remuneração dos títulos do Tesouro americano é um dos fatores que influenciam a trajetória do dólar por aqui.

O que estaria claro, de acordo com especialistas, é que o dólar enfraqueceu após a alta mais forte, de 0,75 ponto porcentual, na Selic. A ação firme do Banco Central, seguida da sinalização de mais uma alta de mesmo calibre, teria contido o movimento de alta da moeda americana. A próxima reunião do Copom ocorre em maio.

As bolsas dos EUA tiveram uma trajetória hesitante, entre altas e baixas, pela manhã, mas os índices se alinharam na mesma direção à tarde. Todas chegaram ao fim do dia com ligeiras altas.

A B3 subiu 1.81% na semana e acumula valorização de 5,62 no mês, até agora. No ano, carrega uma perda de 2,35%. O dólar recuou 1,45% na semana e 2,15 no mês, mas ainda sobe 5,60% no ano.

B3 nesta sexta

O mercado financeiro operava no início da tarde com a bolsa de Nova York seguindo sem uma direção única, Ibovespa em trajetória ascendente e Europa ainda trafegando em ritmo de descida.

O cenário seguia no azul na B3, puxada pelos ganhos obtidos pelos papeis da Petrobras (PETR3 e PETR4) e da própria B3 (B3SA3), que operavam em alta de 1,72%, 1,18% e 2,57%, respectivamente, às 12h30. Às 12h14, o Ibovespa registrou elevação de 0,33%, aos 115.208,80 pontos.

Já o dólar se mantinha em baixa. Às 12h16, a moeda americana à vista estava sendo comercializada a R$ 5,494, com retração de 1,36%.

A bolsa de Nova York navegava por rotas indefinidas. Às 12h18, os principais papeis americanos estavam em direções opostas: Dow Jones caindo 0,79%, S&P 500 descendo 0,18% e Nasdaq em elevação de 0,46%.

O índice europeu Stoxx 600 mantinha-se em baixa. Às 12h18, o recuo registrado era de 0,78%.

Segundo Filipe Teixeira, gestor da Wisir Research, a decisão do presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell, de deixar a economia dos Estados Unidos aquecer mais com o apoio do Banco Central estimulou apostas em uma inflação mais rápida, levando as expectativas do mercado de pressões de preços a máximas plurianuais.

Bolsa da China
B3: investidores monitoram bolsas pelo mundo e questões domésticas - Foto: Divulgação

No mercado doméstico, segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a aposta é de um dia influenciado pelas decisões da União Europeia de retomada da vacinação em alguns países, como Portugal, Alemanha e França.

A indústria Astra Zeneca afirmou que a vacina contra o coronavírus produzida pela empresa é “segura e eficaz”, após a ocorrência de coágulos sanguíneos supostamente relacionados à imunização.

Nos Estados Unidos, Cruz destaca que também está havendo um movimento de “doação” de vacinas entre o país, México e Canadá, o que deve intensificar ainda mais a imunização no mundo.

Movimentações do mercado brasileiro na véspera

O mercado financeiro concluiu o primeiro dia de negócios após a elevação da Selic, de 2,00% para 2,75%, com cautela. Tanto o mercado de ações como o de dólar fecharam com perdas.

O Ibovespa registrou 114.835 pontos, com queda de 1,47%. No encerramento das negociações no câmbio comercial, o dólar à vista ficou cotado a R$ 5,57, com baixa de 0,30%.

Especialistas comentam que o mercado passou o dia analisando e digerindo o impacto da decisão do Copom na véspera. Em vez de uma alta de 0,50 ponto porcentual na Selic, estimativa majoritária entre analistas do mercado, o Banco Central surpreendeu. Calibrou uma elevação maior, de 0,75 ponto porcentual.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas decidiu adiar dois feriados municipais de 2021 e três de 2022 para tentar evitar a circulação de pessoas entre os dias 26 de março a 04 de abril para combater o coronavírus.

Presidente do BB pede demissão

Ontem, após o fechamento do mercados, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, renunciou ao cargo. Ele vem de desgastes com o governo desde o início do ano.

E a instituição já tem um novo possível comandante. À noite, o presidente Jair Bolsonaro escolheu Fausto de Andrade Ribeiro, atual presidente da BB Administradora de Consórcio para assumir o cargo.

O executivo também tende a preencher o lugar ocupado por Brandão no conselho de administração da instituição financeira.

De acordo com o Ministério da Economia, o nome será encaminhado para análise do Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade do BB.

Menos de duas horas depois do anúncio da demissão de Brandão, dois nomes já tinham sido indicados para ocupar o cargo no lugar de Brandão: Fausto de Andrade e Eduardo Dacache, atual presidente da Caixa Seguridade.

Mais um dia difícil para a Saúde

O Estado de São Paulo registrou ontem 659 mortes por coronavírus - sua segunda pior marca em toda a pandemia. Outros oito Estados também superaram a barreira de 100 óbitos no dia: Rio Grande do Sul (298), Minas Gerais (274), Paraná (191), Goiás (180), Bahia (153), Santa Catarina (126), Ceará (119) e Rio de Janeiro (109).

O Brasil registrou 2.659 novas mortes pela covid-19 e em apenas 18 dias do mês de março já superou todas as vítimas de fevereiro, que já tinha sido um período muito ruim no País. A média móvel de óbitos semanal bateu recorde pelo 20º dia consecutivo e ficou em 2.096 casos.

Com transmissão descontrolada da doença, o País tem visto o colapso de várias redes hospitalares, incluindo unidades particulares.

Wall Street oscila nesta sexta-feira

A bolsa de Nova York oscila nesta sexta-feira, mas se mantém em alta boa parte do dia.

A alta nos rendimentos dos Treasuries voltou a influenciar os negócios nas bolsas americanas. O aumento das taxas pode ter um impacto nas ações, tornando seus retornos futuros menores.

Em Nova York, os principais índices fecharam ontem em baixa, com destaque para o Nasdaq, que recuou mais de 3%, considerada a maior baixa em três semanas, com a alta dos títulos públicos.

Por outro lado, as ações de bancos se valorizaram na esteira da alta dos Treasuries. Os papéis do JPMorgan subiram 1,65% e Goldman Sachs avançaram 0,88%.

Sinais de fragilidade no mercado de trabalho americano colocam em xeque o ritmo de recuperação da economia americana. O Departamento de Trabalho do governo estadunidense divulgou que o volume de pedidos de auxílio-desemprego no país atingiu 770 mil na última semana, volume bem acima da previsão dos economistas do mercado.

BC da Inglaterra mantém taxa de juros

O Banco da Inglaterra (BoE) anunciou que manterá inalterado os principais pilares de sua política monetária, seguindo com a taxa básica de juros em 0,10% e o programa de títulos em 895 bilhões de libras.

De acordo com análise da Capital Economics, o BC britânico demonstrou que não está nem perto de discutir um aperto das condições monetárias e que não está preocupado com a escalada dos retornos dos Gilts, como são conhecidos os títulos ingleses.

"Nossa previsão de inflação sugere que o Banco provavelmente não pensará em reverter o QE ou aumentar as taxas de juros até 2023/24", argumentou.

A decisão do BoE repercutiu em várias mesas de operação do mundo. O índice Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou o pregão com ganho de 0,40%, aos 426,59 pontos.

O índice DAX, de Frankfurt, ganhou 1,23%, aos 14.775,52 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, subiu 0,13%, aos 6.062,79 pontos.

Em Milão, o FTSE MIB se elevou 0,33%, a 24.360,49 pontos.

Nas praças Ibéricas, o Ibex 35, de Madri, aumentou 0,29%, aos 8.624,60 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, avançou 0,41%, aos 4.789,47 pontos.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

Nesta sexta-feira, a conclusão do pregão em boa parte das bolsas asiáticas foi com perdas expressivas, após as ações dos Estados Unidos caírem ontem com os rendimentos dos Treasuries alcançando 1,75%, um dos níveis mais altos do ano desde janeiro de 2020.

No Japão, o índice Nikkey despencou 1,41% em Tóquio hoje, após anúncio do Banco do Japão sobre a concentração das compras de fundos negociados em bolsa no antigo indicador Topix. Incluiu também um índice de 0,25% de cada lado de sua meta de 0% para o rendimento de 10 anos.

Antes, o BoJ tinha uma tolerância entre -0,20% e 0,20% dentro da sua meta para a taxa, em torno de 0%. Além disso, a instituição abandonou sua meta de comprar 6 trilhões de ienes (US$ 55 bilhões) em fundos de índices referenciados em ações (os chamados ETFs) anualmente.

O presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, garantiu, porém, que isso não significa que as aquisições dos papéis serão reduzidas ou encerradas.

Na China, o Hang Seng teve recuo idêntico de 1,41% em Hong Kong, a 28.990,94 pontos. O Xangai Composto se desvalorizou 1,69%, aos 3.404,66 pontos, e o Shenzhen Composto apresentou baixa mais expressiva, de 1,90%, aos 2.194,91 pontos. Já o Taixex registrou perda de 1,34% em Taiwan, aos 16.070 pontos.

O cenário de baixa no dragão vermelho voltou a dar força ao temor de que pressões inflacionárias possam levar os grandes bancos centrais a reverter, antes do previsto, as medidas agressivas de estímulos que adotaram em reação à pandemia da Covid-19.

Na Austrália, a bolsa do país fechou no vermelho, influenciada pela alta de 7% no preço do petróleo nas ações do setor de energia. O S&P/ASX 200 caiu 0,56% em Sydney, a 6.708,20 pontos. / com Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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