Mercado Financeiro

Após as quedas generalizadas em todos os papéis no pregão da véspera, a Bolsa busca uma recuperação nesta terça-feira, 5, puxado pelo clima positivo no exterior e pela forte valorização das ações da Petrobras, que sobem 1,63%, e também dos grandes bancos. Já o IFNC, índice da B3 que engloba os gigantes financeiros, avançava 1,66%.

Às 14h44, o Ibovespa registrava valorização de 0,63%, atingindo o patamar dos 111 mil pontos - 111.083. O dólar também sobe – alta de 0,43% - cotado a R$ 5,470.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

A persistência de fatores externos e domésticos negativos não permitem que a Bolsa suba com vigor. Durante a manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial do País caiu 0,7% em agosto frente a julho, dado pior do que o esperado, e contabiliza a terceira baixa seguida. No exterior, é crescente a percepção de agravamento da crise energética e alta da inflação no mundo.

No cenário doméstico, soma-se à crise hídrica, a falta de definição sobre o pagamento dos precatórios, a acomodação das despesas do programa social do governo, Auxílio Brasil e os desdobramentos da denúncia sobre as empresas offshore dos principais dirigentes econômicos do País.

Em relação ao caso, na noite anterior, o procurador-geral da República, Augusto Aras, informou que determinou a instauração de uma apuração preliminar que consiste no levantamento de informações sobre os fatos, e solicitação de esclarecimentos para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e para o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Juros futuros estáveis

Apesar do ambiente conturbado, os juros futuros operam estáveis. O investidor aguarda pelo leilão de NTN-B, que acontece a partir das 11h, em um dia sem um condutor mais forte para os negócios, que costuma manter alguma pressão de alta na curva.

Às 9h25 desta terça, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcava 10,62%, de 10,61% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 exibia taxa de 10,24%, de 10,22% na segunda-feira, e o para janeiro de 2023 operava estável a 9,21%.

Movimentação do pregão

Nesta terça-feira, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês) informou que, mesmo com a volta parcial das atividades, o prejuízo líquido das companhias aéreas deve atingir US$ 51,8 bilhões neste ano.

O montante ficou acima dos US$ 47,7 bilhões de perdas projetados pela entidade em abril. Isso quer dizer que, ao fim de três anos no vermelho por causa da pandemia de covid-19, o setor poderá perder globalmente US$ 200 bilhões.

Com isso, as ações da CVC caem forte no pregão. Às 14h36, os papéis da CVC recuavam 3,11%. No mesmo horário, as ações das aéreas Gol e Azul recuavam 2,40% e 3,11%.

Em dia de forte alta no preço do barril do petróleo, a Petrobras opera em alta na Bolsa, ajudando a impulsionar o Ibovespa - a petroleira representa mais de 9% da carteira teórica da B3. A PetroRio também se beneficia dessa movimentação e tinha suas ações subindo 1,69%, às 14h35.

Após trafegar em baixa durante a manhã, as ações das siderúrgicas e do varejo mudaram o sinal e operam em alta na Bolsa. No mesmo horário, os papéis da Vale, CSN, Usiminas e Gerdau avançavam 0,32%, 1,01%, 1,63% e 0,37%, respectivamente.

No mesmo período, as ações da Americanas, Via e Magazine Luiza valorizavam 5,35%, 2,99% e 1,97%, na sequência.

No exterior

Em Wall Street, o clima nas bolsas de Nova York é positivo e de busca por recuperação, após um pregão com fortes perdas na véspera. Às 14h56, o S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 avançavam 1,44%, 1,29% e 1,87%, respectivamente.

Durante a manhã, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou o déficit comercial dos EUA, que aumentou 4,2% em agosto ante julho, a US$ 73,3 bilhões. O resultado veio bem acima das estimativas dos analistas, que previam déficit de US$ 70,7 bilhões.

Já o saldo negativo da balança de julho foi levemente revisado para cima, de US$ 70,05 bilhões para US$ 70,3 bilhões. As exportações dos EUA cresceram 0,5% na comparação mensal de agosto, a US$ 213,7 bilhões, mas as importações avançaram em ritmo mais forte, de 1,4%, a US$ 287 bilhões.

Dissemina-se cada vez mais no exterior a ideia de agravamento da crise global de energia, cujo risco se elevou, como indicam a escalada dos preços do petróleo e do gás natural. Movimentos que geram um efeito indesejável, a ampliação de pressões inflacionárias e, em sua esteira, a perspectiva de elevação das taxas de juro.

Além de ser um tema acompanhado de perto pelos investidores no mercado local, a elevação da inflação também está no foco de atenção, principalmente quando o assunto é os Estados Unidos.

O mercado acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve começar a retirada de estímulos monetários, com a redução da recompra de títulos, já no próximo mês, o que traz um cenário desafiador para a renda variável.

O temor sobre um possível default da dívida do governo dos Estados Unidos segue pairando entre os investidores. A secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, destacou novamente que se isso ocorrer seria "catastrófico", pois minaria a confiança no país, poderia prejudicar o status de moeda de reserva do dólar e levaria à recessão.

A chefe do Tesouro voltou a pressionar congressistas a aprovarem com emergência a elevação do teto da dívida, o qual ela chamou de "arbitrário".

Para ela, esta é uma responsabilidade bipartidária e deve ser cumprida até 18 de outubro, quando o Tesouro estima que esgotarão os recursos do governo para o pagamento de suas obrigações.

Alvo de críticas por aumentar ainda mais os gastos do governo, o pacote trilionário de investimentos em infraestrutura foi defendido por Yellen como "fiscalmente responsável", cujos gastos não serão maiores que o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, diluídos ao longo de 10 anos.

Outro fator que persiste na preocupação dos mercados é o cenário de possível calote da incorporadora chinesa Evergrande, que carrega uma dívida perto de US$ 300 bilhões. Segundo especialistas, a gigante não tem quitado a conta semanal dos juros que deve aos credores.

As ações da empresa tiveram os negócios suspensos ontem em Hong Kong. O temor é que um eventual default ou falência da construtora contamine a economia da China, que tem dado sinais de perda de tração a cada divulgação de dados econômicos.

Em falar no continente asiático, as bolsas por lá fecharam sem direção única nesta terça-feira. Em Tóquio, o índice japonês Nikkei caiu 2,19%, aos 27.822,12 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi voltou de um feriado com queda de 1,89%, aos 2.962,17 pontos, seu menor nível em sete meses.

Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,28%, aos 24.104,15 pontos, graças a petrolíferas como a PetroChina, cuja ação saltou 7,59%, atingindo o maior nível desde janeiro de 2020, em meio a um forte avanço nos preços do petróleo.

Em Taiwan, o Taiex também garantiu alta moderada, de 0,32%, aos 16.460,75 pontos. Na China continental, os mercados seguem fechados em razão do feriado da Semana Dourada.

No começo da madrugada, o banco central australiano (RBA) manteve seu juro básico na mínima histórica de 0,10%, conforme previsto pelo mercado. O índice australiano S&P/ASX 200 recuou 0,41% em Sydney, aos 7.248,40 pontos./ com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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