Mercado Financeiro

A Bolsa fechou com desvalorização de 0,90% na semana, e o dólar, com queda de 3,01%. Em um período de rescaldos de sinalização de política monetária mais forte, com possibilidade de alta dos juros mais acelerada, tanto aqui como nos EUA, a perspectiva imprimiu um ritmo de mais cautela dos investidores.

Nesta sexta-feira, 25, o Ibovespa despencou 1,74%, marcando 127.255,61 pontos, com o mercado reagindo à proposta do governo para a volta da tributação de 20% em lucros e dividendos cobrada na fonte.

O dólar, que derreteu abaixo abaixo dos R$ 5 pelo quarto dia consecutivo em um ano, fechou o dia em alta de 0,67%, aos R$ 4,938.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo (SP) - Foto: B3/Divulgação

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, entregou hoje ao Congresso mais uma fase do projeto de reforma tributária. Nessa fase, o Governo propõe mudanças no Imposto de Renda (IR) para investimentos, pessoas físicas e pessoas jurídicas.

Segundo o texto proposto pelo Ministério da Economia para as alterações no IR, haverá uma isenção de até R$ 20 mil por mês para distribuição de lucros e dividendos feita por empresas de pequeno porte e microempresas.

O tributo sobre dividendos foi a forma encontrada pelo governo para compensar outra proposta de alteração encaminhada hoje ao Congresso, que envolve o aumento da isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 2,5 mil ao mês. Hoje, só quem recebe até R$ 1,9 mil está isento do Fisco.

Sobe e desce na B3

A alta no preço do minério de ferro na China na última sessão impulsionou um desempenho positivo para algumas empresas do setor de siderurgia e mineração. A Vale - que representa 13% da carteira teórica do Ibovespa - avançou 1,23. As ações da Gerdau e Metalúrgica Gerdau fecharam em alta de 0,23% e 0,49%, respectivamente.

De acordo com análise de Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos, a queda do Ibovespa neste pregão só não foi mais acentuada por conta da valorização nos papéis das siderúrgicas.

Num dia de realização de lucros na bolsa, as quedas mais acentuadas foram nos papéis da Ambev, Yduqs e Multiplan, que fecharam com um desempenho negativo de 5,57%, 4,20% e 4,53%.

Também no lado das baixas, as ações da Petrobras registraram uma desvalorização de 1,85%.

Dólar em alta

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, influenciado pela proposta de tributação dos dividendos. Ainda assim, a moeda americana segue cotada abaixo dos R$ 5.

O que justifica a valorização do real frente ao dólar é a perspectiva de entrada de capital estrangeiro no Brasil. Com as últimas decisões do Copom em aumentar a Selic, além de sinalizar possíveis altas futuras para controlar a inflação, os títulos brasileiros de renda fixa, principalmente os públicos, se mostram mais atrativos aos investidores de outros países num cenário de taxa de juros zerada nos Estado Unidos.

IPCA-15 de junho

Os agentes do mercado digerem a alta de 0,83% registrada pelo IPCA-15 de junho, abaixo da mediana esperada pelo mercado, de 0,85%, e dentro do intervalo de previsões captadas por alguns analistas, de 0,67% a 0,92%. O resultado observado reflete, principalmente, o aumento no preço da gasolina e da energia elétrica, esta puxada pela mudança na bandeira tarifária por conta da crise hídrica que atinge o país.

No acumulado do ano, a alta foi de 4,13%. A taxa em 12 meses ficou em 8,13%, acima do teto da meta de inflação de 2021 (5,25%), mas abaixo também da mediana projetada pelo mercado (8,16%). As projeções iam de avanço de 7,96% a 8,23%.

Inflação americana

Em relação ao cenário externo, as atenções dos mercados se voltaram para a divulgação do PCE americano, importante índice que define os caminhos da política monetária dos Estados Unidos.

Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Comércio do país, o PCE subiu 0,4% em maio ante abril, e 3,4% na comparação com maio de 2020.

O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,5%, vindo abaixo da previsão de alta de 0,6% estimada pelo mercado.

Levando em conta preços que sofrem maior variação, como alimentos e energia, a alta foi de 3,4% na base anual e foi considerada a mais rápida desde o início de 1990.

A elevação do índice reflete a agilidade da expansão econômica dos Estados Unidos e as pressões de preço que resultam desse movimento. Além disso, sinalizou o movimento de retomada que o país vem obtendo desde a pandemia.

Por outro lado, o Fed continua adotando a postura de insistir que a inflação atual é temporária e que pode reduzir com as condições econômicas retornando à normalidade.

NY: bolsas mistas

No cenário externo, as bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta sexta-feira refletindo os resultados do PCE americano. O índice S&P 500 registrou avanço de 0,33%, Dow Jones com ganhos de 0,69% e Nasdaq 100, no rumo oposto, teve leve queda de 0,14%.

Além dos dados do PCE, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou que os gastos com consumo no país ficaram estáveis entre maio e abril de 2021. O resultado veio abaixo da estimativa dos analistas locais, que esperavam alta de 0,4% no período.

Já a renda pessoal caiu 2% na mesma comparação, acima do consenso do mercado, de queda de 2,7%.

Os dados de gastos com consumo de abril ante março foram revisados para cima, de alta de 0,5% para avanço de 0,9%, enquanto os de renda pessoal não sofreram revisão.

CPI da Covid: irmãos Miranda

A CPI da Pandemia ouve nesta sexta-feira, 25, a partir das 14h, os depoimentos do servidor do Ministério da Saúde e ex-chefe de Importação do Departamento de Logística da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda e de seu irmão, o deputado federal Luis Miranda.

Ambos denunciaram possíveis irregularidades na compra pelo governo federal da vacina indiana contra a Covid-19, Covaxin.

Luis Ricardo relatou ao Ministério Público ter recebido pressões para acelerar o processo de aquisição do imunizante, fabricado pela empresa Bharat Biotech, com sede na Índia.

Já Luis Miranda afirmou que alertou o presidente Jair Bolsonaro sobre as suspeitas, que por sua vez nega qualquer irregularidade. A negociação está sob suspeita em razão do alto valor de cada dose, em torno de R$ 80, e da participação de uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos.

Bolsa asiática fecha em alta

As bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada nesta sexta-feira, acompanhando o tom positivo de Wall Street na véspera, quando o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou um acordo bipartidário para um projeto de gastos em infraestrutura.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,66% em Tóquio hoje, aos 29.066,18 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 1,40% em Hong Kong, aos 29.288,22 pontos.

Já o sul-coreano Kospi valorizou 0,51% em Seul, para a nova máxima histórica de 3.302,84 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,55% em Taiwan, aos 17.502,99 pontos.

Na China continental, os mercados tiveram desempenho ainda melhor, com alta de 1,15% do Xangai Composto, aos 3.607,56 pontos, e avanço de 1,11% do menos abrangente Shenzhen Composto, aos 2.442,08 pontos.

Há temores de que crescentes pressões inflacionárias possam levar o Fed a antecipar o aperto de sua política monetária. Dirigentes do Fed, no entanto, insistem que o salto da inflação americana é transitório.

Na Oceania, a bolsa australiana também foi impulsionada por Wall Street, e o S&P/ASX 200 avançou 0,45% em Sydney, aos 7.308,00 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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