Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em alta de 0,59% nesta segunda-feira, 14, chegando aos 130.207,96 pontos. A valorização foi puxada principalmente pelas ações da Petrobras e a divulgação de indicadores econômicos.

O anúncio de que a petroleira pediu a cooperação da BR Distribuidora para a realização de uma oferta secundária de ações com o intuito de vender sua participação de 37,50% na empresa foi bem recebido pelo mercado. Os papéis de Petrobras fecharam com elevação de 0,74%.

Foto: B3
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Pela manhã, o Banco Central divulgou os dados do Índice de Atividade (IBC-Br), uma prévia do PIB. Embora tenha ficado abaixo do esperado, com expansão de 0,44% em abril ante março, o mercado mantém expectativas de uma recuperação rápida da economia.

Nesta semana, vai acontecer a Super Quarta, com a realização das reuniões do Copom no Brasil e do Fomc (Copom americano) e analistas não esperam surpresas com aumento dos juros além do projetado.

Por aqui, o Comitê de Política Monetária do BC decide, ao final da reunião, a nova Selic, que deve ter um aumento de 0,75%, elevando o juro básico da economia para 4,25% ao ano. Já em relação à  reunião do Fomc, nos Estados Unidos, não são aguardadas mudanças nos juros.  

Também empurraram a bolsa para cima os papéis que se beneficiam da reabertura do comércio, após São Paulo antecipar em 30 dias o calendário de vacinação, o que contribuiu para maior liberação das atividades econômicas.

Sobe na B3

Com o anúncio da antecipação da vacinação em 645 municípios de São Paulo, feito pelo governador do Estado, João Doria, empresas de educação, turismo e varejo viveram um dia positivo para seus papéis na Bolsa.

No setor educacional, as ações da Cogna saltaram 8,76%. Já os papéis da Yduqs tiveram elevação de 3,71%.

No mercado de shopping center, Multiplan, Br Malls e Iguatemi obtiveram ganhos de 3,42%, 4,26% e 3,04%, respectivamente.

No turismo, o destaque ficou por conta do avanço das ações da Azul, com elevação de 1,88%. A CVC fechou o dia com valorização de 1,75% na B3.

E no varejo, a Lojas Marisa puxou a alta, com avanço acentuado de 7,97%. Seguindo na mesma esteira, a Lojas Renner acumulou ganhos de 3,21 % e a Via (antiga Via Varejo), fechou com variação positiva de 1,37%.

Dólar em queda

O dólar fechou em queda no mercado doméstico nesta segunda-feira, 14, após subir na sexta-feira: a moeda americana caiu 1,01%, cotada a R$ 5,071.

O dólar acompanhou também o recuo no exterior ante seus pares principais, mas os sinais são mistos em relação a divisas emergentes e ligadas a commodities, embora suba em relação ao peso mexicano, rublo e rand sul africano, que tem forte correlação com o real.

Indicadores econômicos no Brasil

Os investidores passaram o dia refletindo sobre os dados do Índice de Atividade (IBC-Br), divulgados nesta manhã pelo Banco Central, que aponta alta de 0,44% em abril ante março. No terceiro mês deste ano, o indicador havia recuado 1,61% (dado revisado).

Apesar da alta, o dado veio abaixo da mediana projetada pelos analistas. Alguns bancos, como o Bradesco, estimavam aumento de 1,3%.

Junta-se a isso as projeções feitas pelos economistas do mercado para 2021, apresentadas no boletim Focus, que apontam inflação e taxa de juros básica mais altas para o período, mas com um Produto Interno Bruto (PIB), ainda mais robusto, seguindo o tom otimista que vem permeando o cenário local.

De acordo com o documento do BC, a estimativa do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) subiu de 5,44% para 5,82%. Há um mês estava em 5,15%. A projeção para o índice em 2022 foi de 3,70% para 3,78%. Quatro semanas atrás, estava em 3,64%.

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Selic, considerada a taxa básica de juros do País, também sofreu variação positiva para este ano. Aumentou de 5,75%, nos últimos sete dias, para 6,25%. Ficou estável em 6,50% para 2022 e com o mesmo valor para 2023.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, seguindo a tendência otimista, também foi elevado pelos especialistas. De 4,36% na última semana foi ajustada para 4,85%.

NY: mercado sem sinal único

As bolsas de Nova York fecharam suas atividades sem direção única nesta segunda-feira, com os investidores em compasso de espera sobre a realização da reunião do Fomc, que tem início amanhã, 15, e termina no dia seguinte, com o anúncio da taxa de juros do país.

Às 17h, o índice S&P 500 teve alta de 0,18%, com Nasdaq 100 na mesma esteira, fechando o pregão com avanço de 0,93%. Já o Dow Jones teve uma desvalorização de 0,25%.

Com a tendência de queda dos rendimentos dos Treasuries, os investidores estão prevendo que o Fed reafirmará que sua política flexível e de estímulos continua apropriada e que é muito cedo para começar a contemplar a redução das compras de títulos.

Ainda assim, as autoridades podem projetar um aumento nas taxas de juros de 2023 em meio a um crescimento econômico e inflação mais rápidos, de acordo com economistas do mercado.

Seguindo o dado de inflação publicado na quinta-feira no país, há avaliação de que o índice está aumentando devido aos problemas da cadeia de suprimentos e aos gastos reprimidos do consumidor, "que devem começar a diminuir no final do verão", aponta Edward Moya, da Oanda.

"As próximas sessões de negociação provavelmente verão um posicionamento modesto à frente do comitê de política monetária do Fed, com os investidores fixando-se sobre como as discussões sobre a redução começarão", projeta Moya.

CPI: quebra de sigilo

No cenário doméstico, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid seguem na agenda de atenção dos investidores.

Os ministros Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negaram no último sábado, 12, pedidos para suspender as quebras de sigilos telefônico e telemático aprovadas pela CPI contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o ex-chefe do Itamaraty Ernesto Araújo e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como ‘capitã cloroquina’.

Os magistrados entenderam que as medidas foram determinadas ‘nos limites dos poderes constitucionais e regimentais’ e ‘no exercício dos poderes instrutórios’ do colegiado.

Na última sexta-feira, a microbiologista Natalia Pasternak e o médico sanitarista Cláudio Maeriovitch foram ouvidos pelo colegiado.

O depoimento de dois cientistas deve reforçar os argumentos da comissão para responsabilizar o presidente Jair Bolsonaro pelo descontrole da pandemia. Natalia Pasternak e Cláudio Maierovitch apontaram consequências graves do chamado tratamento precoce contra a doença e de outras medidas defendidas pelo Palácio do Planalto que contrariam evidências científicas.

O uso da cloroquina é um dos principais temas abordados na comissão. Os dois especialistas ouvidos reforçaram que o medicamento não tem eficácia comprovada para curar ou reduzir os efeitos da covid-19 em pacientes que contraíram a doença.

A CPI pretende responsabilizar integrantes do governo que tenham agido a favor desse tratamento. Além disso, os integrantes da comissão querem apontar um cruzamento ilegal de ganhos abusivos de farmacêuticas com a venda de remédios do chamado 'kit covid', como hidroxicoloquina e invermectina.

Bolsas asiáticas fecham em alta

Os mercados asiáticos encerraram a segunda-feira em alta. O índice japonês Nikkei fechou em elevação de 0,74%, aos 29.161,80 pontos. O Hang Seng, em Hong Kong, concluiu o pregão com ganhos de 0,36%, aos 28.842,13 pontos.

Já o sul-coreano Kospi também seguiu na mesma linha, com valorização leve de 0,09% no fim do dia, aos 3.253,13 pontos.

Na Austrália, o S&P/ASX200 fechou em leve alta de 0,13%, aos 7.213,20 pontos. /com Júlia Zillig e Agência Estado

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