Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou na manhã desta terça-feira, 11, a ata da última reunião na qual foi decidido o aumento de 0,75% na taxa Selic, taxa básica de juros do País, para 3,50%. De acordo com o documento, novos movimentos de elevação devem fazer parte de uma "normalização parcial" no juro.

De acordo com o documento, o Copom entende que essa decisão reflete o cenário básico da economia e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação.

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Copom deve subir a taxa Selic a 5,0% até o final de 2021 - Foto: Envato

“Essa decisão é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário 2022. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços, essa decisão também implica a suavização de flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, ressalta o comitê.

Na ata, o Copom destacou que a normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica, é apropriada. Porém, diz que “passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”.

De acordo com o cenário básico, que utiliza a trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus, as projeções de inflação estão levemente inferiores à meta para 2022. O Comitê ponderou que os riscos fiscais de curto prazo seguem elevados, implicando um viés de alta nessas projeções.

“Essa assimetria no balanço de riscos afeta o grau apropriado de estímulo monetário, justificando assim uma elevação de juros de 0,75 ponto percentual nesta reunião”, reforçou o Copom.

Para a próxima reunião, de acordo com a ata, o Copom deve dar continuidade ao processo de normalização parcial do estímulo monetário, fazendo um outro ajuste de 0,75% na Selic. "O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", enfatizou o comitê.

Cenário macro

Segundo o documento, apesar de alguns indicadores recentes sinalizarem uma evolução mais positiva do que o esperado, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira ainda permanece alta, “mas aos poucos deve ir retornando à normalidade”.

Os membros do comitê, segundo a ata, avaliaram que os avanços na implementação dos programas de imunização contra a covid-19 e a comunicação dos bancos centrais das principais economias sobre a continuidade dos estímulos monetários devem implicar crescimento durante o ano todo.

Porém, destacaram que a discussão sobre a reflação nos Estados Unidos poderia tornar o ambiente mais desafiador para as economias emergentes.

O Copom avaliou ainda que a atividade doméstica tem surpreendido positivamente, mesmo com a forte intensidade da segunda onda da pandemia.

“O segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”, aponta a ata.

Inflação

Para os membros do Copom, o cenário da inflação envolve fatores de risco em várias direções. Por um lado, segundo o documento, “o processo de recuperação econômica dos efeitos da pandemia pode ser mais lento, produzindo trajetória da inflação abaixo do esperado”.

Por outro, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar ainda mais os prêmios de risco do País, de acordo com análise do comitê.

De acordo com a trajetória extraída da última pesquisa Focus, as projeções de inflação do Copom são de 5,1% para 2021 e de 3.4% para 2022.

"Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 5,50% neste ano e para 6,25% para 2022. As projeções para a inflação de preços administrados são de 8,4% para este ano e de 5,0% para o período seguinte", analisa os integrantes do Copom.

 Analistas comentam a ata

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a ata do Copom não trouxe grandes informações adicionais à avaliação da empresa. “Avaliamos que o texto acabou corroborando com nossa avaliação de que a Selic deverá ser conduzida até 5,0% em 2021”.

Para Sanchez, o BC deverá elevar o juro em outras duas oportunidades em 0,75% ponto percentual, até chegar aos 5,0%, cujo patamar deve ser sustentado até o último trimestre de 2022, quando passará a 6,0%.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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