Economia

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,83% em maio, 0,52 ponto percentual acima da taxa de abril, que foi de 0,31%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 9. Foi o maior resultado para um mês de maio desde 1996 (1,22%).

Foto: envato
Maior impacto no IPCA de maio veio da habitação, segundo IBGE - Foto: Envato

Com isso, a taxa acumulada no ano foi de 3,22%. E dos últimos 12 meses, subiu para 8,06% - acima dos 6,76% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores - superando a meta para o teto da inflação estipulada pelo Banco Central, de 5,25%. Em maio de 2020, a taxa havia sido negativa em 0,38%.

 O resultado ficou acima do intervalo das estimativas dos analistas, que previam uma alta entre 0,65% e 0,76%, com mediana positiva de 0,71%.

No último boletim Focus, os economistas do mercado revisaram o IPCA para 2001, aumentando de 5,31%, na última semana, para 5,44%.

Alta em todos os grupos

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE no período, todos apresentaram viés altista. O maior impacto (0,28%) e a maior variação (1,78%) vieram da habitação, que acelerou em relação a abril (0,22%).

A segunda maior contribuição foi registrada pelos transportes, cujos preços subiram 1,15% em maio, após recuarem 0,8% em abril. Na sequência, saúde e cuidados pessoais (0,76%) e alimentos e bebidas (0,44%), com impactos de 0,10% e 0,09%, respectivamente.

A elevação no grupo habitação foi puxada principalmente pelo resultado da energia elétrica (5,37%), o maior impacto individual no índice do mês (0,23%). Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Em transportes, o maior reflexo foi proveniente da gasolina (2,87%), cujos preços haviam recuado em abril (-0,44%). No ano, o combustível acumula alta de 24,70% e em 12 meses, de 45,89%. Os preços do gás veicular (23,75%) do etanol (12,92%) e do óleo diesel (4,61%) também subiram no período.

Já no grupo saúde e cuidados pessoais, a contribuição mais forte veio dos produtos farmacêuticos (1,47%), embora a variação tenha sido inferior à de abril (2,69%). Vale destacar a autorização, a partir do primeiro dia de abril, para aplicar o reajuste de 10,08% no preço dos medicamentos. Na sequência, planos de saúde responderam por 0,67% e itens de higiene pessoal, com 0,63%, com impactos de 0,03% e 0,02%, respectivamente.

O resultado de alimentos e bebidas (0,44%) ficou próximo ao obtido em abril (0,40%). A participação da alimentação no domicílio caiu para 0,23% maio, contra 0,47% em abril, reflexo da queda nos preços das frutas (-8,39%), cebola (-7,22%) e do arroz (-1,14%).

Por outro lado, as carnes (2,24%) seguem em alta, acumulando 38% de variação nos últimos 12 meses.

A alimentação fora do domicílio (0,98%) seguiu movimento inverso, acelerando em relação a abril (0,23%). Contribuíram para isso as altas do lanche (2,10%) e da refeição (0,63%), cujas variações no mês anterior haviam sido de -0,04% e 0,30%, respectivamente.

Variação positiva em todas as regiões

Todas as áreas pesquisadas apresentaram variação positiva em maio. O maior índice foi o da região metropolitana de Salvador (1,12%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (8,43%) e da energia elétrica (10,54%). O menor resultado ocorreu em Brasília (0,27%), por conta da queda nos preços das passagens aéreas (-37,10%) e das frutas (-10,68%).

INPC sobe 0,96%

Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio foi de 0,96%, 0,58 p.p. acima do resultado de abril (0,38%). Essa é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,98%.

No ano, o indicador acumula alta de 3,33% e, nos últimos doze meses, de 8,90%, acima dos 7,59% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2020, a taxa foi de -0,25%.

Os produtos alimentícios subiram 0,53% em maio, ficando acima do resultado de abril (0,49%). Já os não alimentícios tiveram alta de 1,10%, contra 0,35% em abril.

Todas as áreas investigadas apresentaram variação positiva no mês. O menor índice foi observado em Brasília (0,41%), onde pesaram as quedas nos preços das passagens aéreas (-37,10%) e das frutas (-11,36%). Já a maior variação ocorreu em Salvador (1,25%), dadas as altas nos preços da energia elétrica (10,63%) e da gasolina (8,43%).

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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