Economia

O setor de agronegócio com avanço de 5,7% foi o que mais ajudou a puxar o crescimento de 1,2% do PIB no primeiro trimestre do ano, em relação ao trimestre anterior. Se a base de comparação for o primeiro trimestre de 2020 a alta é de 1%.

O bom desempenho do agro, de certa forma, já vinha sendo esperado pelos analistas, com a forte valorização das commodities no mercado internacional, sobretudo da soja, que exerce peso expressivo na lavoura brasileira. O que mais surpreendeu, no entanto, foi a alta de 0,7% na indústria e 0,4% nos serviços.

produção industrial
Indústria também cresceu no trimestre, com destaque para a Construção que teve alta de 2,1%

“Por qualquer ângulo de observação o resultado PIB é bastante positivo, porque vem de 2 trimestres consecutivos de crescimento”, afirma José Mauro Delella, consultor econômico da Alta Vista Investimentos.

“Embora tenha havido um destaque importante para a agropecuária, todos os grupos tiveram crescimento positivo, o que também é notável por se tratar de um período em que houve agravamento da pandemia e consequente fechamento de algumas atividades econômicas”, explica o consultor.

Ele destaca também o crescimento expressivo em investimentos, Formação Bruta de Capital Fixo, de 4,6%, que teve um pouco de impacto na mudança do Repetro, regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo comprar bens de capital sem tributos federais, mas também um aumento na produção interna de bens de capital.

Para Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, o PIB brasileiro continuou em trajetória de recuperação a despeito do agravamento da pandemia a partir de meados de fevereiro e também da interrupção de medidas de estímulo fiscal no final de 2020, com ênfase para as transferências de auxílio emergencial às famílias mais vulneráveis.

PIB cresce mesmo com pandemia

Margato esclarece que o impacto do fim dessas medidas de estímulo fiscal foi minimizado pelo uso das poupanças formadas pelas famílias de modo a se prevenir diante das incertezas trazidas pela Covid-19 e das restrições de mobilidade adotadas.

O economista ressalta também que “a forte elevação dos preços internacionais de commodities e a melhor adaptação de empresas e famílias ao cenário pandêmico também devem ter contribuído para o bom desempenho do PIB no início de 2021”.

A atividade industrial foi puxada pelas Indústrias Extrativas com alta de 3,2%, mas segmentos da Construção com avanço de 2,1% no trimestre, e de Eletricidade e gás, água e esgoto e atividades de gestão de resíduos com elevação de 0,9% também tiveram bons resultados. Somente a indústria de transformação apresentou queda de 0,5%.

O setor de serviços, sem dúvida o que está sendo o mais castigado pela pandemia e vinha travando uma maior avanço do PIB, já veio com indicações de recuperação de atividades econômicas nos três primeiros meses do ano.

Transporte, correio e armazenagem registraram alta de 3,6%; Intermediação financeira e seguros, de 1,7%; Informação e comunicação, 1,4%; Comércio 1,2%; Atividades imobiliárias 1,0%; e Outros serviços, 0,1%.

Em serviços, a única queda apareceu na área de Administração, saúde e educação pública, de 0,6%. SEgundo técnicos do IBGE, não está havendo muitos concursos para preenchimento de vagas ao mesmo tempo em que estão ocorrendo aposentadorias de trabalhadores com redução da ocupação do setor.

O número fraco de “Outros serviços”, que ainda apresenta queda de 7,3% no ano, traduz a contração dos serviços prestados às famílias, severamente impactados pelo aperto das restrições de mobilidade (implementadas em fevereiro e março) para contenção do contágio da Covid-19.

A balança comercial brasileira teve uma alta de 3,7% nas exportações de bens e serviços, enquanto as importações cresceram 11,6% em relação ao quarto trimestre de 2020. “Na pauta de importações, destacaram-se os produtos farmoquímicos para a produção de vacinas contra a Covid-19, máquinas e aparelhos elétricos, e produtos de metal. Entre as exportações, foram os produtos alimentícios e veículo automotores.

Consumo das famílias

Segundo o IBGE, os efeitos da pandemia influenciaram a estabilidade no consumo das famílias, que teve queda de 0,1% no primeiro trimestre deste ano, frente ao quarto trimestre. Já o consumo do governo teve queda de 0,8%.

Nesses resultados pesaram o aumento da inflação, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período e o mercado de trabalho desaquecido também.

Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do governo às famílias, como o auxílio emergencial”, detalha Rebeca Palis, observando, por outro lado, que houve aumento no crédito para pessoas físicas.

Perspectivas para o PIB

Margato, da XP, destaca que os dados de atividade no 2º trimestre também vêm mostrando sinais relativamente favoráveis, como reflexo do aumento significativo dos índices de mobilidade, a partir de meados de abril, e da firme retomada da confiança de consumidores e empresários após o tombo registrado em março.

A nova rodada de auxílio emergencial às famílias de baixa renda e a antecipação do pagamento do 13º salário do INSS também devem contribuir para a sustentação dos serviços prestados às famílias e vendas varejistas. O setor, aparentemente, vem se recuperando de forma antecipada e rápida em relação às expectativas formadas após a implementação de medidas de distanciamento social mais rígidas em fevereiro e março.

Com isso, a XP já alterou sua projeção de comportamento do PIB para o segundo trimestre, que era de queda de 0,5%, para um viés altista. O que interfere também nas estimativas para o 1º semestre ao ano para números mais sólidos.

Ao mesmo tempo, “a crise da Covid-19 permanece como principal risco ao crescimento da economia local, e as estatísticas relacionadas à pandemia publicadas recentemente aumentaram as preocupações acerca de outro recrudescimento agudo da crise sanitária no país. Principalmente no que diz respeito à disseminação de uma nova variante do coronavírus e ao ritmo errático de imunização da população contra a doença”.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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