Mercado Financeiro

Depois de um dia de muitas flutuações, em que a Bolsa transitou por pequenas altas e baixas, o índice Bovespa fechou em leve valorização de 0,27%, aos 119.209,48 pontos. O dólar teve queda de 0,24%, cotado a R$ 5,419.

Em uma semana forte de divulgação de balanços das instituições financeiras, os papéis do Bradesco (BBDC3 e BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB3 e ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) seguem valorizando desde o período da manhã.

As ações do Bradesco subiram 2,85% e 2,98%, respectivamente. Já os papéis do Itaú apontaram ganhos de 0,06% e 0,05. O Santander Brasil também seguiu na mesma esteira, com alta de 1,48%. Já o Banco do Brasil teve leve aceleração de 0,44%.

José Luciano Duarte Penido foi eleito presidente do conselho de administração da Vale. Penido, indicado pela administração da companhia, teve 2.633.360.725 votos, contra o outro candidato, Roberto Castello Branco, que teve 1.045.974.259 votos.

Dólar oscila

O dólar seguiu trajetória de queda nesta segunda-feira, após abrir o pregão e se manter volátil nas primeiras horas. Ao fim do período de negociações, a moeda americana à vista registrou baixa de 0,24%, cotado a R$ 5,419.

No radar estão o avanço dos rendimentos dos Treasuries nesta manhã, em meio à espera de discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje à tarde.

É precificado ainda por uma esperada alta de 0,75 ponto da taxa Selic, para 3,50% na próxima quarta-feira, 5, que deve melhorar o diferencial de juro interno e externo bem como a atratividade do País em termos de rentabilidade ao investidor estrangeiro.

No mês passado, no entanto, o dólar acumulou perdas de 3,5% ante o real - maior que o recuo contabilizado por pares emergentes e ligados a commodities, como rand, rublo e lira turca, por exemplo.

NY: bolsas sem sinal definido

O quadro externo também tem o acompanhamento atento do investidor, já que movimentos globais de bolsas e moedas, sobretudo nos Estados Unidos, influenciam o comportamento do mercado doméstico.

Nesta segunda-feira, os contratos negociados nas bolsas de Nova York tiveram sinais distintos, com os investidores avaliando os riscos de inflação em meio à melhora da atividade econômica. O índice S&P 500 registrou alta de 0,27%, Dow Jones com ganhos de 0,7% e Nasdaq, na contramão, com queda sensível de 0,48%.

Na manhã desta segunda-feira foram divulgados alguns números da economia americana. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria dos Estados Unidos caiu de 64,7 em março para 60,7 em abril, segundo pesquisa do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês).

O especialista da Valor Investimentos destaca que atraem atenção a sinalização do Fed (Federal Reserve, banco central americano), Jerome Powell, de manter os estímulos monetários (portanto, juros baixos) e as negociações do presidente Joe Biden, em conversas com o Senado, para aprovação dos pacotes trilionários de incentivo à economia. 

“Se tanto as promessas de Powell quanto as negociações de Biden com o Senado caminharem favoravelmente, poderá haver uma injeção de otimismo nos mercados financeiros.”

De acordo com o sócio da Wisir Research, Filipe Teixeira, a inflação continua sendo uma preocupação fundamental para os investidores.

Os dados mais recentes dos Estados Unidos mostram que o estímulo fiscal ajudou a impulsionar os ganhos mensais mais fortes na renda pessoal em registros que remontam a 1946 e o indicador de preços preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), aumentou para sua máxima desde 2018, segundo Teixeira.

Em sua última reunião anual, o bilionário Warren Buffet alertou sobre as crescentes pressões sobre os preços e uma elevação no consumo impulsionado pelas baixas taxas de juros.

O presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, que atualmente não tem direito a voto, disse que os sinais de risco excessivo sugerem que é hora de considerar menos compras de títulos. Suas observações contrastam com as do presidente do Fed, Jerome Powell.

As principais autoridades financeiras dos Estados Unidos estão minimizando o risco de inflação, de acordo com o sócio da Wisir. A secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse no último fim de semana que o aumento da demanda do plano econômico do presidente americano, Joe Biden, seria estendido ao longo de uma década.

Joe Biden chegou aos 100 dias no comando da Casa Branca com mais promessas cumpridas do que crises.

Os próximos 100 dias, no entanto, são mais arriscados para o democrata, que tenta concretizar propostas de transformação do Estado e emplacar uma agenda progressista em uma corrida contra o calendário eleitoral.

Expectativas para a nova taxa de juros

Além disso, os investidores mantêm a atenção à semana que tem como principal ingrediente a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que decidirá o rumo da taxa básica de juros.

A expectativa praticamente consensual do mercado é que o colegiado do BC repita o aumento de 0,75 ponto porcentual do encontro anterior, que elevou a Selic de 2% para o patamar atual.

O comunicado do Copom divulgado logo após a reunião de março sinalizou outra elevação de igual calibre para o encontro desta semana, que começa na terça-feira e termina na quarta. A essa indicação, contudo, seguiram-se sinais de que o ajuste na Selic dependeria da evolução de cenário, principalmente fiscal, internamente, e de juros, no exterior.

“Se a decisão do Copom vier em linha com a sinalização inicial, o mercado financeiro reagirá na normalidade, sem surpresa”, afirma Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos. Na reunião de março, o aumento de 0,75 ponto porcentual, acima da aposta majoritária dos analistas e economistas, causou mal-estar e certo estresse no mercado.

Lelis acredita que, desta vez, não haverá surpresa, dizendo que o 0,75 ponto sobre a Selic atual já está precificado (incorporado) no preço dos ativos, sobretudo de ações e de dólar.

“Se vier acima do esperado, poderá provocar uma desvalorização das ações, por causa da piora nas condições financeiras. Os custos do crédito e da dívida das empresas sobem. Se vier abaixo, o mercado de ações poderá reagir positivamente.”

O Copom é o evento mais próximo, logo na virada de maio, mas ao longo do mês a atenção dos investidores estará dirigida também a outros focos, igualmente de grande interesse. A pandemia do coronavírus é um dos principais, aponta o executivo da Valor Investimentos.

O mercado, afirma, acompanhará atentamente o cronograma e o ritmo de vacinação, a disponibilidade de vacinas, a quantidade de doses aplicadas, entre outros pontos que envolvem essa questão.

“Afinal de contas, todo o resto, na economia e tudo o mais, depende da evolução desse cenário da pandemia e de medidas de combate ao coronavírus”, afirma. “Se o quadro sanitário não evoluir favoravelmente, comércio, serviços, retomada da economia, nada disso voltará à normalidade sem o controle da pandemia.”

Da evolução desse cenário de enfrentamento à doença, nesse caso em escala mais ampla e global, dependerá também a trajetória do dólar. “Em um quadro de agravamento da pandemia e de avanço lento do processo de vacinação pelo mundo, o investidor tende a correr para o dólar, em busca de segurança e proteção.”

Sinais de controle da pandemia, por meio de um programa de imunização eficiente pela aplicação rápida de vacina, tenderiam a criar uma expectativa positiva para a economia global e deprimir o dólar. “No Brasil, uma alta da Selic poderia ajudar mais esse movimento e o dólar vir para patamares ainda mais baixos, em torno de R$ 5,20.”

Outro foco de interesse do mercado financeiro são os desdobramentos da CPI da Pandemia, no Senado, que começa os trabalhos para valer nesta semana, provavelmente com a convocação dos primeiros depoentes.

Como o objetivo da CPI é investigar as ações do governo no combate à pandemia do coronavírus, os investidores vão avaliar até que ponto e em que medida os depoimentos comprometem a atuação do governo federal e podem colocar em risco o mandato do presidente Bolsonaro.

Nessa perspectiva, ao lado das preocupações com a CPI, deve aparecer cada vez mais no radar dos mercados também, para monitoramento dos investidores, um cenário de possível adoção de medidas consideradas populares que tentem atender e agradar aos interesses do eleitorado.

“Uma tentação ao populismo, como costuma acontecer com governos em apuro”, de acordo com especialistas.

Essas medidas, comentam, poderiam encontrar brechas e se encaixar em alguns dispositivos sobre gastos extraordinários previstos no Orçamento 2021, que, embora sancionado pelo presidente Bolsonaro, poderia dar ainda margem a negociações entre aliados do Congresso e o governo.

Covid-19: mortes seguem subindo

No cenário doméstico, o número de vacinados com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou neste sábado, 1º, a 31.812.086, o equivalente a 15,02% da população total. 

O Brasil registrou 2.278 novas mortes no último sábado pela covid-19 nas últimas 24 horas, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Com os dados deste sábado, o Brasil chegou a um total de 406.565 vítimas do novo coronavírus desde o início da pandemia. 

Em rápido pronunciamento realizado na véspera, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, agradeceu à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização das Nações Unidas pela Infância (Unicef) pela chegada de 4 milhões de doses do Consórcio Covax Facility recebidas entre no final de semana passado no aeroporto de Guarulhos.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas encerraram os negócios desta segunda-feira, em um dia de liquidez reduzida em meio a feriados na China e no Japão que deixaram os mercados locais fechados e com investidores atentos à preocupante situação da covid-19 na Índia.

O Hang Seng caiu 1,28% em Hong Kong, aos 28.357,54 pontos, pressionado por ações do setor financeiro, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,66% em Seul, aos 3.127,20 pontos, com as perdas lideradas pelos setores químico e farmacêutico, e o Taiex registrou expressiva queda de 1,96% em Taiwan, aos 17.222,35 pontos, ao voltar de um feriado local.

Em função de uma série de feriados, os mercados japonês e chineses, os mais líquidos da região, só voltarão a operar na quinta-feira,6.

Em boa parte da Ásia, os casos de covid-19 estão em trajetória de alta e a vacinação contra a doença segue em ritmo lento, mas a Índia continua no centro das atenções, chegando a registrar mais de 400 mil novas infecções em 24 horas, um recorde global.

Na Oceania, a bolsa australiana garantiu alta apenas marginal nesta segunda, graças ao bom desempenho de ações de grandes bancos do país. O S&P/ASX 200 avançou 0,04% em Sydney, aos 7.028,80 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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