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O resultado do Santander no balanço do primeiro trimestre, um lucro líquido de R$ 4,012 bilhões, estimulou forte valorização das ações do banco nesta quarta-feira, 28. E levou junto os papeis dos demais bancos cujos balanços devem ser conhecidos nos próximos dias.

As ações do Santander (SANB11) fecharam com alta de 8,06%, cotadas por R$ 40,60; do Itaú (ITUB4), alta de 4,32%, R$ 28,21; Bradesco (BBDC3), alta de 4,78%, R$ 21,48, Banco do Brasil (BBAS3), alta de 1,78%, R$ 30,30.

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Ações de bancos estão depreciadas e contam com potencial para subir; cautela deve ser com inadimplência

O lucro do Santander veio em linha com as expectativas do mercado, mas trouxe dados animadores para o investidor, comenta Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos. Um é a melhora do spread (diferença entre a taxa de captação e de repasse de recursos), após a retomada de alta da Selic, o que reforça os ganhos com o crédito. O outro, aponta, é o ROE (retorno sobre o patrimônio) acima de 20%.

Análise da Ativa Investimentos destaca “no bom resultado trimestral o crescimento da carteira de crédito, margem financeira e receita com serviços, combinado com uma gestão eficiente de despesas, o que culminou em um excelente índice de eficiência”. Isso, de acordo com a Ativa, fez o ROE do banco voltar a patamares pré-covid.

“O ROE dos bancos girava tradicionalmente em torno de 20%, antes de recuar com a crise da pandemia”, explica Oliveira, da Valor Investimentos. Os preços das ações de empresas do setor bancário, assinala, também caíram e estão bastante abaixo do período anterior à pandemia.

Oliveira diz que quem olha o balanço do Santander no primeiro trimestre e compara com o resultado com o preço com que as ações do banco estão sendo negociadas na bolsa passa a olhar com mais carinho o conjunto de papeis de todo o setor bancário. Não é à toa que, após a divulgação do balanço, o Santander vem puxando para cima as ações dos demais bancos.

“As ações do setor bancário estão muito atrasadas. Estão entre as de pior retorno na bolsa nos últimos 12 meses”, avalia. Os motivos, segundo Oliveira, são as preocupações com a concorrência dos novos entrantes, as fintechs, e a inadimplência, agravada pela crise.

Desafios que, para ele, não devem deixar de atrair o investidor para as ações de bancos. Ao contrário, podem passar a percepção de que bancos têm condições de dar bom retorno mesmo em ambiente de dificuldades. “Santander é prova de que bancos podem performar mesmo em cenário adverso.” E, por tabela, o mercado passa a projetar que os resultados de outros bancos que estão por vir também podem surpreender para cima.

Cautela com as provisões e inadimplência nos bancos

Apesar da reação positiva do mercado aos resultados do balanço, a equipe de análise da XP reitera a classificação neutra e preço-alvo de R$ 32, por acreditar que o banco possa ser levado a fazer mais provisões (reservas para a cobertura de calotes) no médio prazo. Santander (SANB11) fechou cotada por R$ 40,60, portanto acima do preço-alvo da corretora, nesta quarta-feira.

Embora o índice de inadimplência do Santander se tenha mantido estável no balanço do primeiro trimestre, a XP acredita em aumento das provisões porque prevê uma elevação desse índice diante da crise econômica provocada pela pandemia e agravada pela carteira concentrada em varejo e em crédito para veículos.

Marcel Campos, analista do setor financeiro da XP, diz que o resultado do Santander no primeiro trimestre deve ser visto com cautela, porque pode não ser recorrente. “O pico da inadimplência ainda não aconteceu, vivemos um cenário mais grave da pandemia, e o índice está baixo, inferior até ao do período pré-crise, portanto tende a subir.”

Dois pontos, ligados à inadimplência, colocam em dúvida os próximos resultados do Santander. Campos afirma que quase 70% da carteira de crédito do banco tem como clientes pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Em contrapartida, é o menos provisionado entre os grandes bancos, o que pode tornar mais difícil manter a rentabilidade.

De acordo com o analista, de forma geral os bancos estão ainda com os preços bastante baixos se comparados com o período pré-crise. “Bradesco e Banco do Brasil, que estão com preços ainda mais baixos, podem passar por uma correção, mas não neste trimestre.”

Campos prevê que, dos balanços que estão para sair, o do Bradesco e o do Itaú devem vir com bons resultados. “Os dois estão bem provisionados e não têm necessidade de fazer muita provisão complementar em 2021, o que possibilita custo de crédito menor e maior lucro.”

Para quem avalia a inadimplência como o grande fator de risco que deve ser monitorada pelo investidor, o analista da XP diz que o Bradesco tem quatro vezes mais reservas de provisão em relação ao que é hoje a inadimplência no banco. “Existe espaço para que a inadimplência cresça sem necessidade de provisões adicionais.”

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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