Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em queda nesta segunda-feira, 16, puxada pela desvalorização das ações dos bancos, da Petrobras e das siderúrgicas. O Ibovespa reportou uma desvalorização de 1,66%, caindo aos 119.180 pontos. Este é o menor patamar para o índice desde o dia 4 de maio, quando registrou 117.712 pontos.

Também contribuiu para o desempenho negativo da Bolsa neste pregão a preocupação dos investidores com o cenário político interno e a tensão no mercado externo causada pela crise no Afeganistão e os dados da economia da China.

Foto: B3
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Os bancos, que representam cerca de 17% da carteira teórica da B3, registraram queda acentuada. Itaú, Bradesco e Santander caíram 1,43%, 0,82% e 0,29%. O IFNC B3, índice que reflete o comportamento de papéis do mercado financeiro, teve baixa de 1,94%.

As ações das petroleiras e siderúrgicas também reportaram forte desvalorização. Os papéis da Petrobras e Petro Rio recuaram 2,42% e 3,73%, na sequência, com o recuo de cerca de 3% no preço do barril de petróleo.

A CSN e a Usiminas tiveram suas recomendações rebaixadas pelo Itaú BBA e fecharam o dia com queda de 2,72% e 5,30% em seus papéis. No mesmo sentido, a Gerdau caiu 3,13%. A Vale foi a única empresa do setor que avançou neste pregão, com alta de 0,46%.

Dólar em alta

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira, acompanhando o clima de tensão dos mercados. A moeda americana valorizou 0,50%, cotada a R$ 5,28.

De acordo com Davi Levis, especialista da Valor Investimentos, os dados divulgados da China, os temores causados pela tomada de cidades do Afeganistão pelo grupo extremista Talibã, e o cenário político interno contribuíram para o pregão de forte volatilidade e a alta da moeda americana.

Sobe e desce da B3

Após a divulgação de seu balanço trimestral, a Vivara colheu ganhos de 1,80% no pregão.

Já as ações da Alliar dispararam 19,92%, após a Rede D'Or aprovar a realização de uma oferta pública de aquisição das ações do centro de diagnósticos.

Na contramão, também com o reporte de seus números, a Méliuz, Enjoei, Ambipar e CVC, tiveram perdas acentuadas. As ações dessas companhia despencaram 12,59%, 15,07%, 10,19% e 8,56%, respectivamente.

Inflação local e dados da China

Durante a manhã foram divulgados indicadores econômicos locais e externos. No âmbito local, a edição do Boletim Focus desta semana aponta que os economistas do mercado seguem subindo as projeções da inflação para 2021. Segundo o documento, as estimativas para o IPCA subiram de 6,88%, na última semana, para 7,05%.

O mesmo movimento ocorreu com a Selic, taxa básica de juros do País. De 7,25%, no último boletim, foi ajustada para 7,50%.

Já no cenário externo, o mercado digere os números fracos da economia chinesa. Segundo informações do governo, as vendas no varejo cresceram 8,5% em julho, abaixo da expectativa de 11,5% dos analistas. A produção industrial subiu 6,4% no mesmo período e veio abaixo da expectativa do mercado de 7,8%.

Outro assunto que chama a atenção é a retomada do Afeganistão pelo grupo terrorista Talibã, após a retirada da tropa americana do país.

Cenário político: Bolsonaro x Poderes

No ambiente local, o tenso cenário político no País, com o agravamento da crise no governo, segue deixando o mercado em estado de apreensão.

No último final de semana, em mensagens publicadas no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai levar ao Senado um pedido de abertura de processo contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O clima entre Bolsonaro, STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esquentou após o presidente insistir nos ataques às urnas eletrônicas e na insinuação de que há um complô para fraudar as eleições de 2022 a fim de evitar sua vitória no pleito.

O Judiciário voltou do recesso disposto a dar uma resposta dura a Bolsonaro. Primeiramente, a corte eleitoral decidiu, por unanimidade, abrir um inquérito para apurar as acusações feitas pelo presidente, sem provas, de que o TSE frauda as eleições.

Depois, Barroso assinou uma queixa-crime contra chefe do Executivo e recebeu o aval do plenário da corte eleitoral para enviá-la ao STF.

Também na semana passada, o corregedor-geral do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, solicitou ao Supremo Tribunal Federal o compartilhamento de provas dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos com a ação que pode levar à cassação de Bolsonaro.

No mesmo dia, Moraes aceitou a queixa-crime de Barroso e incluiu Bolsonaro como investigado no inquérito das fake news. Além disso, os investidores acompanham os próximos passos da reforma tributária e os desdobramentos da PEC dos precatórios na Câmara.

NY: bolsas em alta

No cenário externo, as bolsas de Nova York viraram o sinal e fecharam em alta, após abrir o dia em queda refletindo a divulgação dos últimos dados econômicos locais e da China, apreensão sobre a invasão do Talibã no Afeganistão e avanço da variante delta do coronavírus.

O índice S&P 500 subiu 0,26%, Dow Jones valorizou 0,31% e Nasdaq 100 registrou alta residual de 0,03%.

Segundo informações divulgadas pela distrital de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York, recuou do nível recorde de 43 em julho para 18,3 em agosto.

O resultado veio abaixo da previsão já pessimista de analistas, que esperavam baixa do indicador a 29 neste mês.

Além disso, os investidores estão no aguardo da audiência do presidente do Fed, Jerome Powell, que acontece na próxima terça-feira, 17, e que pode dar pistas sobre se a série recente de fortes dados econômicos se qualifica como um “processo adicional” para a autoridade monetária reconsiderar a redução de estímulos.

As especulações sobre um anúncio na reunião de Jackson Hole, evento que acontece no fim deste mês, se aprofundam, mesmo com os dados da última sexta-feira, 13, mostrando que a confiança do consumidor americano despencou para o mínimo de quase uma década.

Além da fala de Powell, os investidores monitoram também as últimas datas do Fomc (Copom americano) nesta semana, já que há visões conflitantes sobre se a ata da inflação irá estimular a volatilidade persistente nos títulos do Tesouro.

Bolsas asiáticas fecham em queda

Os mercados acionários da Ásia fecharam na maioria em baixa, nesta segunda-feira, após indicadores da China frustrarem a expectativa dos investidores. No Japão, o Produto Interno Bruto (PIB) veio um pouco acima do esperado, conforme divulgação feita na véspera, mas isso não foi suficiente para reverter o quadro de cautela predominante.

Na própria China, não houve sinal único nas praças. A Bolsa de Xangai terminou perto da estabilidade, em alta de 0,03%, aos 3.517,34 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,58%, aos 2.568,14 pontos. Na agenda de indicadores, a produção industrial, as vendas no varejo e os investimentos em ativos fixos frustraram as previsões em julho.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) injetou yuans no sistema financeiro por meio de um instrumento de empréstimos de médio prazo, atuação vista por muitos como um esforço para impulsionar a economia. Em relatório, o Citi considerou que a China deve reforçar o apoio monetário e fiscal, diante do quadro de desaceleração econômica.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em baixa de 1,62%, aos 27.523,19 pontos. Ações de empresas de eletrônicos e de maquinário puxaram as quedas, com o fortalecimento do iene pressionando papéis de exportadoras.

Na agenda, foi informado que o PIB do Japão cresceu 0,3% no segundo trimestre ante o anterior, acima da previsão de avanço de 0,2%.

A Pantheon diz que o crescimento japonês deve seguir modesto neste ano, com a covid-19 contendo a atividade em geral, mas a consultoria acredita que pode haver mais apoio fiscal no país para apoiar o quadro.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou queda de 0,80%, aos 26.181,46 pontos, em sua terceira baixa consecutiva.

Em Taiwan, o índice Taiex caiu 0,73%, aos 16.858,77 pontos. Já a Bolsa de Seul não operou nesta segunda-feira, devido a um feriado na Coreia do Sul.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em baixa de 0,61%, aos 7.582,50 pontos, após recordes históricos recentes. Ações do setor financeiro estiveram entre as mais penalizadas nesta segunda-feira, com mineradoras também em queda. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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