Mercado Financeiro

A menos que ocorra algum fato novo relevante, no Brasil ou fora do País, o mercado financeiro deve continuar seguindo a toada dos últimos dias, monitorando eventos e expectativas do cenário doméstico e reagindo mais a tendências e acontecimentos internacionais, principalmente dos Estados Unidos.

“Os movimentos da Bolsa de Valores, a B3, estão muito atrelados ao que acontece no exterior”, comenta Yuri Cavalcante, sócio da Aplix Investimentos. E não sem motivo, justifica, porque a tendência dos mercados, sobretudo o de ações e do dólar, tem sido influenciada pelas expectativas de inflação e juros nos EUA.

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Perspectiva de que alta da inflação é passageira anima o mercado de ações - Foto: Arquivo

O humor na Bolsa depende basicamente - enquanto o cenário doméstico permanece em clima mais morno, apesar dos numerosos focos de tensão aqui e ali - dos sinais de alta ou baixa da inflação americana.

Uma sinalização de alta, seguida do risco de elevação dos juros, leva o mercado de ações a reagir negativamente porque juros mais elevados nos EUA competem com a bolsa de valores na atração de investidores.

Em geral, a migração de capitais externos, atraídos por juros mais altos dos títulos americanos, considerados os mais seguros do mundo, esvazia os negócios no mercado de ações e tende a pressionar o dólar, um sinal que o mercado considera negativo para a economia.

Foi o sentimento de que a alta da inflação americana é pontual e passageira, como reforçou o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, na última terça-feira, que melhorou o humor do mercado financeiro na véspera, com valorização da bolsa de valores e queda do dólar. A valorização das bolsas americanas também contribuiu para o dia positivo.

O alívio, contudo, pode ser momentâneo, alertam os especialistas, porque os mercados têm reagido mais a fatores pontuais do dia a dia. Lembram que nesta sexta-feira, 28, será divulgado, nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação preferida do Fed para a calibragem da política monetária.

Para os especialistas, é um dado de inflação ao consumidor que leva em conta os gastos da família, que as autoridades do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) olham com muita atenção, como indicador importante para a administração da política monetária, o que pode acirrar as expectativas dos investidores e provocar alguma volatilidade no mercado financeiro já nesta quinta-feira, 27.

Aqui, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga a inflação pelo IGPM no mês de maio, nesta quinta-feira.

NY: futuros em queda

O mercado financeiro de Nova York tem os contratos futuros negociado em bolsas operando em queda nesta quinta-feira, com os investidores em compasso de espera por dados de inflação dos Estados Unidos que sairão na próxima sexta-feira, 28.

Em sessão volátil e sem publicação de indicadores relevantes, o cenário corporativo chamou atenção. Um dos principais temas foi o retorno de movimentos especulativos de investidores de varejo, que levaram ações como GameStop e AMC a subir mais de 10%.

O índice Dow Jones avançou 0,03%, em 34.323,05 pontos, o S&P 500 subiu 0,19%, aos 4.195,99 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,59%, aos 13.738,00 pontos.

A alta ocorreu depois de os índices terem recuado na última terça-feira com a divulgação de indicadores nos Estados Unidos que sugeriram impacto da pressão de preços recente na retomada econômica. Há, de certa forma, um compasso de espera por dados de inflação dos EUA que sairão na sexta-feira.

Único dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a discursar na véspera, Randal Quarles afirmou que se a economia cumprir as expectativas nos próximos meses, o debate sobre a redução gradual do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) poderia começar.

CPI da Covid: novos depoimentos


No ambiente doméstico, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid segue sendo acompanhada pelo mercado. Nesta quinta-feira, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, será ouvido no Senado.

Dimas Covas deve responder questões sobre a produção da vacina Coronavac e a relação do Butantan com o governo federal.

Na véspera, a comissão aprovou a convocação de nove governadores para depor, além do ex-chefe do Rio, Wilson Witzel, que foi cassado do cargo após um processo de impeachment.

O aval da comissão para que esses gestores compareçam ao colegiado atende a pedido de governistas, que desde o início dos trabalhos tentam direcionar o foco da CPI na apuração do destino de recursos federais repassados a Estados e municípios para combate à pandemia.

Na lista de governantes estaduais convocados estão Wilson Lima, do Amazonas; Helder Barbalho, do Pará; Wellington Dias, do Piauí; Ibaneis Rocha, do Distrito Federal; Mauro Carlesse, do Tocantins; Carlos Moisés, de Santa Catarina; Antônio Denarium, de Roraima; Waldez Góes, do Amapá; e Marcos Rocha, de Rondônia.

Além disso, os membros da CPI aprovaram a reconvocação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, para um novo depoimento.

Ambos já testemunharam à comissão, mas a sua postura durante a oitiva não agradou ao grupo majoritário do colegiado, que apontou contradições e omissões nos testemunhos.

Apontados como integrantes de um suposto "assessoramento paralelo e extraoficial" do governo Bolsonaro sobre assuntos da pandemia, o empresário Carlos Wizard e do ex-assessor da Presidência Arthur Weintraub foram convocados no dia anterior para depor à comissão.

Sobre a falta de oxigênio em Manaus, os membros do colegiado convocaram o diretor da empresa White Martins, Paulo Barauna, para depor.

Durante sua oitiva, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello atribuiu à empresa e ao governo do Amazonas a responsabilidade pela crise de desabastecimento.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, com investidores à espera de indicadores dos EUA para avaliar o impacto de pressões inflacionárias na maior economia do mundo.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,33% em Tóquio hoje, aos 28.549,01 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,18% em Hong Kong, aos 29.113,20 pontos, o sul-coreano Kospi cedeu 0,09% em Seul, aos 3.165,51 pontos, e o Taiex registrou perda de 0,25%, aos 16.601,61 pontos.

Nas últimas semanas, os mercados financeiros globais têm sido pressionados por temores de que o avanço na inflação, que se tornou um fenômeno mundial, leve grandes bancos centrais a reverter seus agressivos estímulos monetários mais cedo do que se imaginava.

Na China continental, por outro lado, as bolsas ficaram em terreno positivo nesta quinta-feira. O Xangai Composto subiu 0,43%, aos 3.608,85 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,79%, aos 2.399,27 pontos.

Dados oficiais mostraram que o lucro industrial chinês saltou 57% na comparação anual de abril, mas mostrou forte desaceleração ante o ganho de 92,3% visto em março.

Já o vice-primeiro-ministro da China e principal chefe de comércio, Liu He, teve um contato telefônico com sua contraparte dos EUA, Katherine Tai, para discutir o comércio bilateral entre os dois países, segundo comunicado. Foram as primeiras negociações de alto nível desde a posse do presidente americano, Joe Biden.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável hoje. O S&P/ASX 200 teve alta marginal de 0,03% em Sydney, aos 7.094,90 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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