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Inflação e ações
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Inflação em queda: quais setores ou papeis devem estar em carteira vencedora nesse cenário?

Banco Central já sinalizou que o ciclo de aperto monetário já está perto do fim, o que vai beneficiar empresas de setores cíclicos da economia

Data de publicação:09/08/2022 às 09:07 -
Atualizado 2 dias atrás
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A inflação do País em 2022 segue em trajetória de queda. Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 9, pelo IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação negativa de -0,68% em julho, acumulando 10,07% em 12 meses e 4,77% no ano.

"O pior já passou" acreditam especialistas entrevistados pela Mais Retorno, ao mesmo tempo em que começam a apostar em ações de empresas que se beneficiam desse movimento de queda dos preços.

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Especialistas explicam que é possível manter bons investimentos na Bolsa, mesmo com a inflação elevada - Foto: Reprodução

"Nós já estamos vivendo uma reversão de ciclo e as perguntas que o mercado vai fazer, a partir de agora, são quando o BC vai começar a reduzir os juros e em qual velocidade. É importante sempre o investidor antever os movimentos econômicos", aponta Gustavo Pazos, analista da Warren.

Essa visão está em linha com a sinalização do Banco Central de que o ciclo de alta da Selic, taxa básica de juros, deve estar chegando ao fim, ficando em 13,75% ao ano para 2022 ou em 14% se a autoridade monetária optar por fazer mais um ajuste residual de 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro.

Da proteção para exposição

Em cenários de alta da inflação - mesmo em projeções futuras - o investidor costuma buscar proteção de seu patrimônio em setores que se beneficiam desse movimento, como é o caso do mercado de energia elétrica, commodities, entre outros.

No sentido contrário, quando a inflação tem uma trajetória de queda, os investidores tem margem de manobra maior, podendo marcar posições em ações de empresas de setores cíclicos, como varejo, construção civil, saúde, que, normalmente, são bastante penalizados com a alta dos juros.

Para Rogerio Mauad, professor de finanças corporativas do Ibmec, o varejo pode se beneficiar com a queda gradativa da inflação, influenciado pela volta do poder de compra dos consumidores, da atual taxa de desemprego - que está em queda - e de uma possível redução da taxa de juros em 2023.

Pazos aponta que os efeitos dos benefícios fiscais aprovada pelo governo - que começam a ser pagos neste mês - também vão ajudar a melhorar o desempenho do varejo não somente alimentício, mas também discricionário. Nesse setor, ele cita nomes como Assaí, Grupo Mateus, Arezzo e Lojas Renner como alguns papeis nos quais a casa tem bons olhos.

Vitorio Galindo, head de análise fundamentalista da Quantzed, destaca ainda o Magazine Luiza, que neste ano teve queda de mais de 90%, mas já começou a mostrar sinais de busca de recuperação.

No entanto, Galindo aponta que é importante os investidores olharem as ações de forma particular .

"É fundamental eles avaliarem não somente o setor, porque sempre vai ter empresas com piores fundamentos em mercados que estão crescendo. É crucial olhar caso a caso e avaliar dados como lucro, receita e dívida antes de decidir pela alocação de posições".

Vitorio Galindo, da Quantzed

Construção civil

Outro setor que também entra no radar dos especialistas com a queda da inflação é a construção civil, que passam a ter um prognóstico positivo principalmente pelo ciclo monetário de alta chegando ao fim. Segundo os especialistas, o custo para levantar novos empreendimentos passa a ser um pouco menor e, com a queda da taxa de juros, o financiamento imobiliário torna-se mais barato, intensificando a compra de imóveis.

Neste setor, Pedro Serra, da Ativa, menciona as ações da MRV, que fazem parte da carteira de acompanhamento da casa.

A construtora reportou um lucro líquido de R$ 203 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 48,5% frente ao primeiro trimestre de 2021, e Receita Operacional Líquida (ROL) de R$ 1,8 bilhão, avanço de 13,7% na base de comparação com o ano anterior. Seu VGV no período foi de RS$ 2,40 bilhões.

Bancos

A volta do poder de compra do consumidor, com a queda da inflação, também terá efeito positivo para os bancos.

"No cenário atual, os bancos estão lidando com a piora da inadimplência. Se olharmos mais para frente, os gigantes financeiros devem ter melhoras nos resultados do primeiro trimestre do próximo ano. Somado a isso, seus papeis estão bastante descontados".

Pedro Serra, da Ativa

A casa acompanha o Itaú que, segundo o chefe de pesquisa da casa de análises, "se destaca por sua gestão madura e na sua movimentação mais assertiva no universo da digitalização".

Saúde

Serra enfatiza que o setor de saúde também entra no rol de boas apostas para o ciclo de reversão da inflação. "O mercado ainda está sofrendo os impactos da alta da inflação, mas lá na frente a tendência é de uma melhora no cenário".

A casa tem a preferência pelos papeis da Rede D'Or, empresa que fez IPO na Bolsa no ano passado. Recentemente, o Bradesco BBI elevou a recomendação de compra dos papeis da empresa para outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 46.

De acordo com o relatório da asset, um dos fatores que pesaram nessa recomendação foi "a sua resiliência em uma desaceleração econômica e boa visibilidade/dinâmica de lucros".

Shopping center

Outro setor que pode se beneficiar da queda dos juros é o de shopping center, que foi duramente penalizado por conta dos efeitos da pandemia da covid-19. "Os shoppings têm receita recorrente e previsibilidade boa", enfatiza Serra. Na carteira da Ativa, a Multiplan ganha destaque.

No segundo trimestre deste ano, a empresa obteve lucro líquido de R$ 172,5 milhões, um salto de mais de 80% em relação ao mesmo período de 2021, quando reportou lucro de R$ 93,7 milhões.

As vendas mesmas lojas atingiu 58,5% ante a mesma base de comparação anual, uma vez que as vendas dos lojistas atingiram R$4,9 bilhões, alta de 64,5%. Todos os shoppings da rede apresentaram um crescimento de dois dígitos ante os meses de abril, maio e junho de 2021.

Confira ações que podem se beneficiar com o recuo da inflação

EmpresaTickerSetor
AssaíASAI3Atacarejo
Grupo MateusGMAT3Atacarejo
ArezzoARZZ3Varejo
Lojas RennerLREN3Varejo
Grupo SomaSOMA3Varejo
Magazine LuizaMGLU3E-commerce
MRVMRVE3Construção civil
ItaúITUB4Financeiro
Rede D'OrRDOR3Saúde
MultiplanMULTI3Shopping center
Fonte: Mais Retorno

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Sobre o autor
Bruna Miato
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