Mercado Financeiro

O mercado financeiro continua às voltas ainda com a análise das mudanças nas regras do imposto de renda propostas pelo governo no texto de reforma tributária enviado ao Congresso na última sexta-feira, 25.

etfs
No radar, divulgação da inflação na zona do euro na 4ª feira e dados do emprego na sexta - Foto: Envato

Os pontos mais polêmicos - fonte de mal-estar e insatisfação nos mercados - são a taxação de dividendos e o fim dos chamados Juros sobre Capital Próprio (JCP), uma espécie de remuneração aos sócios sobre investimentos na empresa.

A questão tributária divide a atenção dos investidores na semana com a agenda em que o principal foco são os sinais da esperada retomada da economia e, em sua esteira, a indesejável alta da inflação - que, por tabela, remete à elevação das taxas de juros. Um ponto que preocupa os investidores, tanto aqui como no exterior.

Com efeito, o mercado volta sua atenção nesta quarta-feira, 29, à divulgação de dados sobre a inflação na zona do euro, em busca de dados que confirmem ou não que a alta de preços está em processo global de aceleração, afirma Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor investimentos.

Com a mesma preocupação, o mercado deverá estar com o foco total nas informações sobre o mercado de trabalho que serão divulgadas nos Estados Unidos na próxima sexta-feira, 2. “A expectativa é que eles indiquem a criação de quase 700 mil vagas”, de acordo com Oliveira.

Para especialistas, um número forte, acima das previsões, seria uma indicação de que a economia americana estaria com mais tração no processo de retomada, o que mais cedo ou tarde poderia levar a uma revisão da política de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano).

Aumento dos juros nos EUA afeta o mercado

Uma alteração no nível dos juros, principalmente nos Estados Unidos, é um vetor capaz de alterar o fluxo de capitais entre diversos mercados.

O enfraquecimento recente do dólar por aqui, seguido da queda abaixo de R$ 5, é visto por analistas como consequência da manutenção dos juros de curto prazo - os fed funds - no intervalo entre 0 e 0,2% ao ano nos EUA e a elevação da taxa Selic para 4,25% ao ano.

Uma diferença de taxa que passou a atrair mais capitais de fora para aplicação na renda fixa no mercado doméstico, pressionando as cotações do dólar para baixo. Faltando dois dias para acabar o mês, a moeda americana acumula desvalorização de 5,28% em junho.

NY: futuros com sinais mistos

No cenário externo, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam com sinais mistos, com o mercado em compasso de espera sobre a divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho que acontece na próxima sexta-feira, 2.

Além disso, o mercado segue preocupado com a disseminação da variante delta do coronavírus, o que pode comprometer a recuperação econômica.

Na véspera, o Dow Jones terminou em baixa de 0,44%, aos 34.283,27 pontos, o S&P 500 avançou 0,23%, aos 4.290,61 pontos, e o Nasdaq registrou ganho de 0,98%, aos 14.500,51 pontos.

As ações "continuarão a ter um desempenho de alta se os gestores mantiverem a confiança de que o estouro da inflação vai diminuir, o que tende a manter os rendimentos dos títulos em níveis relativamente baixos", avalia Edward Park, diretor de investimentos da Brooks Macdonald.

"Os investidores que aplicam terão a alternativa de perder dinheiro no mercado de títulos com a inflação ... ou colocá-lo em ativos de risco", a fim de não ter os ganhos corroídos pela alta nos preços, descreve o analista.

Assim, Apple (+1,25%), Microsoft (+1,40%) e Amazon (+1,25%) avançaram. Além disso, no dia anterior um juiz federal dos Estados Unidos rechaçou processos antitruste que o governo federal e a maioria dos Estados haviam apresentado contra o Facebook.

O resultado foi uma vitória para a empresa, pouco depois dos processos terem sido apresentados. A decisão impulsionou as ações da companhia, que tiveram alta de 4,18%, e levou o Facebook a alcançar a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.

No último fim de semana, foi divulgado que a Tesla está fazendo recall de mais de 285 mil veículos na China por causa dos riscos de segurança associados ao seu sistema de piloto automático.

No entanto, outro fator que vem pesando nos papéis da companhia é o valor do bitcoin, devido às movimentações da empresa com as criptomoedas, e nesta segunda o avanço acima de 5% no ativo impulsionou as ações da Tesla, que subiram 2,51%.

CPI da Covid: Jair Bolsonaro

No cenário doméstico, o andamento dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado segue na pauta de atenção dos investidores, com os últimos acontecimentos criando uma certa tensão no mercado.

Na véspera, os senadores Randolfe Rodrigues, Fabiano Contarato e Jorge Kajuru enviaram uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a abertura de inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de prevaricação.

A investida vem na esteira da denúncia do deputado federal Luis Miranda e do irmão do parlamentar, Luis Ricardo Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, sobre as negociações para compra da vacina indiana Covaxin.

De acordo com os irmãos Miranda, que prestaram depoimento na CPI da Covid, o presidente teria ignorado alertas a respeito de suspeitas de irregularidades para aquisição do imunizante.

Diante da nova frente de investigação, o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues, apresentou um requerimento para prorrogar os trabalhos da CPI por mais 90 dias.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz, rebateu as acusações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro de que a comissão é quem estaria o acusando na compra da vacina indiana Covaxin. "Ele distorce", afirma.

Em uma resposta direcionada ao presidente, Aziz disse que "não foi a CPI que o acusou, nós nunca dissemos que o senhor falou A ou B. Quem disse isso, que chegou a suas mãos não investigou foi o (deputado) Luis Miranda", em referência às acusações feitas pelo parlamentar de que o presidente não teria investigado os contratos da vacina indiana.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira, à medida que a variante delta do coronavírus se espalha pelo mundo e pode puxar o freio da recuperação econômica.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,81% em Tóquio hoje, aos 28.812,61 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,94% em Hong Kong, aos 28.994,10 pontos, e o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,46% em Seul, aos 3.286,68 pontos.

Na China continental, o dia também foi de perdas: o Xangai Composto cedeu 0,92%, aos 3.573,18 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto registrou queda de 0,91%, aos 2.441,26 pontos. Exceção na Ásia, o Taiex garantiu alta marginal de 0,04% em Taiwan, aos 17.598,19 pontos.

Vários países da região asiática e do Pacífico enfrentam novos surtos de covid-19, com destaque para a disseminação da altamente contagiosa variante delta, que tem origem na Índia.

Investidores também estão na expectativa para novos dados de atividade manufatureira (PMIs) da China e do Japão, que serão divulgados entre hoje e quarta-feira,30.

Na Oceania, a bolsa de Sydney ficou praticamente estável pelo segundo dia consecutivo, em meio à adoção na Austrália de lockdowns motivados pela covid-19. O S&P/ASX 200 recuou 0,08% hoje, aos 7.301,20 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Imagem do autor

Colaborador do Portal Mais Retorno.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Visualizar Comentários

Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Veja mais Ver mais