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Economia

Haverá uma nova ordem mundial, com a China superando os EUA? Veja o que pensa o megainvestidor Ray Dalio

A supremacia dos Estados Unidos estaria chegando ao fim?

Data de publicação:24/03/2022 às 00:30 -
Atualizado 2 meses atrás
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Esse é um tema cada vez mais recorrente entre os economistas e investidores, mas que muitos ainda não pararam para analisar de maneira mais fria ou mesmo se deram conta: a possível nova ordem mundial, ou seja, a inversão das potências que controlam o mundo e que acabam influenciando no nosso dia a dia.

Mas o porquê dessa discussão agora? Recentemente, o grande investidor e bilionário Ray Dalio, conhecido também por ter escrito o livro “Princípios”, lançou o livro Principles for dealing with the changing world order: Why Nations Succeed and Fail (“Princípios para se lidar com a nova ordem mundial: Porque nações têm sucesso e falham”, na tradução literal).

nova ordem mundial
Em seu novo livro, Ray Dalio convida o leitor a refletir sobre uma possível nova ordem mundial - Foto: Reprodução

Na obra, o autor reúne anos de análises e estudos sobre as economias e mercados, e explica o porquê que os próximos anos serão completamente diferentes do que estamos acostumados a viver. Inclusive, no vídeo de lançamento do livro, a história já é muito bem resumida.

O mais interessante é estarmos vivenciando exatamente uma provável troca de potências entre Estados Unidos e China, e que teremos que estar preparados caso isso realmente ocorra.

Outro questionamento possível é o que ele observou na história que reflete nos dias de hoje e como isso pode mudar nosso futuro. Apenas relembrando a famosa frase do cientista e escritor Carl Sagan: “Você precisa conhecer o passado para entender o presente”.

A história em ciclos

Ray Dalio começou a perceber que os acontecimentos mundanos, por mais variados que sejam, acabam ocorrendo de forma similar ao passar dos ciclos, e que as crises internas nos países, problemas financeiros e conflitos entre as nações são coisas que acontecem de forma constante, apenas com personagens diferentes.

Dalio analisou os últimos 500 anos da história da humanidade, desde o crescimento e a decadência do grande Império Colonial Holandês, passando pelo grande Império Britânico e pelos Estados Unidos que conhecemos hoje, e percebeu que todas essas potências passaram por caminhos semelhantes durante seus reinados, e que hoje podemos estar no fim do ciclo americano.

Ele conta sobre a sua experiência no início de carreira no mercado financeiro na década de 70, quando o então presidente Americano Richard Nixon acabou com a paridade entre ouro e dólar nos Estados Unidos.

Na época, as consequências dessa escolha foram o contrário do que Dalio imaginava. Ao invés de os mercados reagirem negativamente no curto prazo, as bolsas subiram de forma substancial antes de entrarem em outra recessão.

Estudando melhor sobre a economia americana, Dalio notou que o que aconteceu com o dólar em 1971 foi muito semelhante ao que ocorreu em 1933, com a decisão de Franklin D. Roosevelt que quebraria a promessa de trocar dólar por ouro.

E por que isso aconteceu? É aí que a história realmente começa.

Normalmente, o ciclo de uma possível potência mundial se inicia após uma “guerra” entre nações, resultando em um novo padrão estabelecido. E como essa nação é considerada uma potência que acabou de derrotar seu “inimigo”, ninguém quer os desafiar ou entrar em rota de colisão, criando assim um ambiente de paz, prosperidade e produtividade.

Um país em expansão normalmente gasta muito mais do que arrecada, o que faz com que os bancos centrais tenham que criar medidas para poder financiar esse crescimento, e a melhor maneira encontrada é a pura impressão de dinheiro e incentivo à economia.

Com mais dinheiro em circulação, cria-se uma necessidade entre as pessoas de investir esse capital para se protegerem ou multiplicarem seus patrimônios, o que faz com que os mercados de ativos reais, ouro (commodities em geral) e bonds recebam grande parte desses valores, aumentando assim os seus preços e inflacionando a economia. Inclusive, essa dinâmica é um dos princípios que Dalio aprendeu com o mercado.

Nesse momento precisamos parar e assimilar tudo isso com o que estamos passando nos últimos anos: a crise de 2008, com a impressão de dinheiro para salvar o mercado imobiliário americano, e em 2020 para ajudar a economia a se reconstruir das consequências da crise da covid-19.

Com todo esse crescimento e aumento monetário, as nações começam a ter dificuldades para pagarem suas dívidas, mesmo deixando seus juros a zero.

Um segundo momento, devido a esses acontecimentos, é o aumento das disparidades sociais, pois quem já era do topo consequentemente enriquece mais, e quem não era fica mais distante deles, aquecendo os conflitos internos e a polarização no país.

Além disso, a sociedade fica dividida entre aqueles que querem distribuir esse capital para todos e aqueles que são radicalmente contra essa medida (um exemplo é a discussão sobre aumentar os impostos dos mais ricos, principalmente nos Estados Unidos). Em decorrência disso, novos conflitos começam a aflorar ao redor da nação, principalmente influenciando as grandes trocas políticas e o enfraquecimento do poder.

É válido citar algumas revoluções internas que ocorreram ao redor do mundo com algumas dessas características e que também acabaram moldando alguns dos principais países da atualidade. A Constituição dos EUA criada após a guerra civil 1787, a troca de poder da Revolução Russa de 1917 com o surgimento dos comunistas até a queda em 1991, e a Revolução Chinesa em 1949, quando o partido comunista chinês venceu a guerra civil dominando o país até hoje.

Por fim, uma nação crescente e com potencial, que observa esse cenário de fragilidade do outro, acaba aproveitando esse momento para tomar o poder, uma vez que quem “está no comando” está com essa disfunção interna e fragilizada.

Relembrando a história, a última vez que essa troca de superpoderes ocorreu foi no período da Segunda Guerra Mundial com a vitória dos aliados (EUA, Inglaterra, França e URSS), fazendo com que os Estados Unidos se estabelecessem como protagonista dessa nova ordem liderando até os dias de hoje.

Naquela época, com o acordo de Bretton Woods, criaram então o sistema mundial predominante, no qual o dólar é considerado como reserva mundial, aceita na grande maioria dos países e nas transações comerciais, o que fez com que a economia americana fosse a mais influente ao redor do planeta.

Por fim, querendo ou não, esses ciclos fazem parte da história, e provavelmente nossa geração estará presente para vivenciar essa inversão de poderes entre os Estados Unidos e China.

E você, o que imagina que irá mudar nas próximas décadas? / Texto de Pedro Campos

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