Logo Mais Retorno
Mercado Financeiro

Em dia de divulgação de indicadores externos, as bolsas americanas e europeias devem impactar mercado brasileiro

Projeções econômicas pioram a cada semana, sem alento para os mercados

Data de publicação:17/11/2021 às 07:00 -
Atualizado 6 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

O mercado financeiro teve um comportamento negativo, com queda da bolsa de valores e alta do dólar, na volta do feriado e não há, para especialistas, fatos novos que indiquem uma reversão mais consistente de trajetória nesta quarta-feira, 17, nem para os dias restantes da semana.

A expectativa é que no pregão desta quarta-feira, 17, o mercado financeiro brasileiro seja impactado pelo desempenho das bolsas americanas e europeias, que devem refletir a divulgação de novos dados econômicos ao longo do dia.

Ibovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão de ontem com desvalorização de 1,82%, em 104.403 pontos, e o dólar com alta de 0,76%, cotado por R$ 5,50.

O comportamento da B3 destoou da trajetória das bolsas americanas, que reagiram bem aos dados das vendas a varejo nos EUA, que tiveram alta de 1,7%, acima das previsões de analistas. Investidores se animaram com os sinais de recuperação da economia, em vez de se preocupar com possível alta dos juros em sua esteira, e deram suporte ao mercado de ações.

O índice Dow Jones sustentou alta de 0,15%, para 36.076 pontos; o S&P 500 subiu 0,39%, para 4.700 pontos, e o Nasdaq, índice da bolsa de tecnologia, avançou 0,76%, para 15.973 pontos.

Mercado sem forças para engatar uma recuperação

Especialistas de mercado afirmam que o mercado de ações está sem alento para engatar uma recuperação mais consistente, rumo a patamares mais altos em pontos, em um cenário carregado de incertezas, principalmente econômicas.

Os indicadores projetados por economistas do mercado financeiro e estampados no boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, passaram por nova revisão para cima na inflação estimada para 2021 (de 9,33% para 9,77%) e para baixo (de 4,93% para 4,88%) na expansão prevista para o Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa para a inflação de 2022 subiu de 4,63% para 4,79% e para o PIB caiu de 1% para 0,93%.

Inflação em elevação, que puxa também os juros para o alto nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), via ajustes na Selic, exerce influência duplamente negativa sobre a bolsa de valores. Juro alto torna mais competitiva e atraente a renda fixa, na comparação com ações, em um cenário que prevê novas altas dos juros pela frente.

O momento de incertezas é tão grande, segundo especialistas, que parcela dos investidores, desapontados com a paradeira do mercado de ações, tem procurado combinar proteção com rentabilidade para a carteira na renda fixa. A piora das condições financeiras, na esteira da alta dos juros, reduz também a atratividade da bolsa de valores porque contribui para achatar o lucro das empresas, sobretudo das que dependem de financiamento ou estão endividadas.

PEC dos Precatórios

O deputado federal João Roma (Republicanos-BA) disse nesta terça-feira, 16, que reajustar os salários de servidores "não está no elenco" de ações pretendidas pelo governo a partir do espaço fiscal de R$ 91,6 bilhões que será aberto com a PEC dos precatórios, que altera o cálculo do teto de gastos (regra que limita o avanço das despesas à inflação) e adia o pagamento de dívidas judiciais.

Roma foi exonerado hoje do cargo de ministro da Cidadania, a pedido, para reassumir seu mandato de deputado federal e voltar à Câmara para apresentar emendas ao Orçamento de 2022. O deputado deve retornar à chefia do ministério depois dessa passagem pela Câmara.

"Isso (aumento para servidores) não está no nosso elenco. A PEC, o recurso dessa PEC está sendo destinado para a área social do governo. Ela estabelece justamente a viabilização do pagamento de R$ 400 (no) mínimo para cada beneficiário do Auxílio Brasil", afirmou Roma a jornalistas no Senado.

O ministro tem buscado o diálogo com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a votação da proposta até o fim de novembro, a tempo de pagar a parcela maior já no mês de dezembro.

Na véspera, porém, o presidente Jair Bolsonaro já havia dito que já conversou sobre a possibilidade de conceder reajuste salarial a servidores com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e relacionou a medida ao espaço aberto pela PEC.

"A inflação chegou a dois dígitos, então conversei com Paulo Guedes. Em passando a PEC dos precatórios, tem que ter um pequeno espaço para dar algum reajuste. Não é o que eles merecem, mas é o que nós podemos dar. A todos os servidores federais, sem exceção", disse o presidente durante visita ao Bahrein.

Senadores já resistentes à versão atual da PEC têm cobrado que o governo não use a folga fiscal aberta com a proposta para patrocinar outras benesses. Mais cedo, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) salientou que qualquer reajuste ao funcionalismo deveria ser compensado por um corte nas despesas discricionárias (que incluem custeio e investimentos), em vez de consumir o espaço gerado pela PEC.

No Senado, Roma disse que pediu a Pacheco prioridade na votação da PEC, que deve ser apreciada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na semana que vem. "Pedi toda prioridade. Expliquei a gravidade da situação. Que precisamos aprovar no espaço mais curto possível", disse, frisando que a data cabe ao Congresso Nacional. "Nós precisamos que seja aprovado o quanto antes, de preferência ainda no mês de novembro."

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), não descarta que a apreciação em plenário fique para a semana do "esforço concentrado", de 29 de novembro a 3 de dezembro. Roma, porém, evitou comentar os riscos desse cenário.

Cenário político

O ano eleitoral se aproxima e Jair Bolsonaro continua, até o momento, sem um partido para tentar a reeleição. Enquanto a filiação do presidente ao PL está sob dúvidas no mundo político, os dirigentes estaduais da legenda vão se reunir hoje, às 15 horas, em Brasília, com o líder da sigla, Valdemar Costa Neto. O PL chegou a marcar o ato de filiação de Bolsonaro para o dia 22, mas cancelou o evento em meio a tensões entre a cúpula do partido e o presidente.

De um lado, o chefe do Executivo pede controle maior do partido, especialmente do diretório paulista, que firmou acordo para apoiar o candidato do PSDB ao governo estadual, Rodrigo Garcia, nas eleições de 2022. Liderados pelo governador João Doria, que almeja disputar a presidência da República, os tucanos de São Paulo são inimigos políticos do Palácio do Planalto.

Do outro lado da moeda, Costa Neto resiste a entregar a máquina no seu curral eleitoral à família presidencial e quer dar liberdade aos diretórios locais para formar alianças que atendam às necessidades regionais.

Mercado lá fora

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden afirmou, na véspera, que espera ter uma decisão final sobre o comando do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em quatro dias.

Questionado por repórteres, o democrata indicou que a definição sobre uma potencial recondução de Jerome Powell à presidência do Fed ou da atual diretora da autoridade monetária Lael Brainard para o cargo deve ocorrer ainda nesta semana. Ambos foram entrevistados por Biden para o posto.

No radar do mercado americano, a divulgação do dado mensal de construção de casas novas, prevista para 10h30. Um pouco mais tarde, também nos Estados Unidos, acontece a divulgação dos dados de variação semanal de estoques de petróleo EIA.

Na Europa, os investidores repercutem os números do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro e do Reino Unido.

Na zona do euro, o CPI avançou 0,8% em outubro, na comparação com setembro, informou nesta quarta-feira a Eurostat, agência oficial de estatísticas do bloco. Na comparação anual, houve alta de 4,1%, na leitura final do dado. Os números vieram em linha com a previsão dos economistas consultados pelo Wall Street Journal.

O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,3% na comparação mensal e 2,0% na anual, segundo a Eurostat. O resultado mensal neste caso também veio em linha com o esperado, mas a expectativa para a leitura anual era de avanço um pouco maior, de 2,1%.

Já no Reino Unido, o índice avançou 1,1% em outubro ante o mês anterior, ide acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam alta menor, de 0,9%. Na comparação anual, o CPI subiu 4,2% em outubro, ante expectativa de avanço de 4,0%.

O núcleo do CPI subiu 0,7% no mês e 3,4% na comparação anual em outubro. Os números também superaram as previsões de altas de 0,5% e 3,2%, respectivamente.

Bolsas da Ásia fecham sem direção única

Os mercados acionários da Ásia não tiveram direção única, nesta quarta-feira, 17. Entre as maiores bolsas, Tóquio registrou queda, após ganhos recentes, mas Xangai exibiu ganhos.

No Japão, o índice Nikkei fechou em baixa de 0,40% em Tóquio, em 29.688,33 pontos. Um possível movimento de realização de lucros ocorreu, após quatro sessões seguidas de ganhos. Companhias de diversos setores caíram hoje, com Recruit Holdings em baixa de 4,6%, Toshiba de 3,8% e Dentsu Group, de 3,7%.

Já Inpex, ligada ao petróleo, avançou 1,9%, após o Ministério da Indústria japonês dizer que estuda uma medida temporária para mitigar os preços elevados de gasolina, por meio de subsídios a refinarias, o que tenderia a conter preços no atacado.

Já na China, a Bolsa de Xangai terminou com ganho de 0,44%, em 3.537,37 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 1,11%, a 2.592,04 pontos. Papéis ligados à produção de lítio e a energias renováveis se saíram bem e a reunião virtual desta semana entre os líderes de China e Estados Unidos apoiava o quadro geral.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou em baixa de 0,25%, em 25.650,08 pontos. A realização de lucros pode ter pesado também neste caso, após sequência de seis altas seguidas.

Ações de exportadoras puxaram as baixas, depois de ganhos fortes recentes. Entre papéis em foco, Sunny Optical caiu 4,4% e Shenzhou International, 1,5%. Incorporadoras também recuaram, depois de ganhos recentes em meio a especulações sobre eventual ajuda do governo de Pequim ao setor.

Em Taiwan, o índice Taiex fechou em alta de 0,40%, em 17.764,04 pontos.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi registrou queda de 1,16%, para 2.062,42 pontos. Papéis de companhias aéreas e dos setores de energia e biotecnologia estiveram entre as baixas e o avanço recente dos casos da covid-19 no país impôs certa cautela a investidores.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 fechou em baixa de 0,68%, em 7.369,90 pontos. Commonwealth Bank of Australia caiu 8,1%, após alertar sobre sua margem, em ambiente de forte concorrência e juros baixos, o que levou o setor financeiro em geral para o vermelho. Mineradoras também recuaram. / com Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.
Mais sobre