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Mercado Financeiro

Em dezembro, 24 empresas distribuem R$ 51,5 bilhões em dividendos; 82% disso são da Petrobras

Além da petroleira estão a Petrobras, os grandes bancos, elétricas, varejistas, entre outras

Data de publicação:02/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 7 meses atrás
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O último mês do ano chegou e o Papai Noel não deve economizar nos presentes para os acionistas de algumas empresas. Somente em dezembro, 24 companhias pagarão cerca de R$ 51,5 bilhões em proventos, incluindo dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP), segundo levantamento feito pela reportagem da Mais Retorno. A maior parte deles, ou 82% do total, será paga pela Patrobras.

A grande maioria delas se divide entre os setores elétrico e financeiro. Porém, há também varejistas, empresas de educação, saúde, entre outros, que dividem a fatia do bolo com seus sócios minoritários.

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No mês de dezembro acontecerá o maior pagamento de dividendos do ano - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

De acordo com Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, dezembro fará o maior pagamento de dividendos do ano. Esse movimento, segundo ele, reflete a retomada econômica no período pós-pandemia. “Geralmente as companhias que são tradicionais boas pagadoras de proventos estão com um potencial ainda maior de pagamento devido à pandemia”.

A combinação do aumento da inflação - cujas projeções engataram os dois dígitos, segundo as projeções dos economistas que participaram do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta semana – a demanda reprimida e apreciação do dólar elevou o lucro de empresas como às ligadas ao setor de commodities.

Nesse sentido, um dos destaques do período é a Petrobras, que após um longo tempo volta a distribuir dividendos a seus acionistas.  Segundo Lage, a petroleira está pagando o maior volume de proventos dos últimos 10 anos.

“A empresa está saudável desde o governo Dilma Rousseff, voltando a registrar lucro. Além disso, a união entre fatores como o aumento do preço do petróleo, redução da corrupção e desinvestimentos aumentou o caixa da companhia”.

Para este mês, a empresa deve entregar R$ 42,4 bilhões, ou R$ 3,50 por ação ON e PN, um presente de fim de ano bem generoso aos seus acionistas. Nesta semana, a Petrobras confirmou, por meio de comunicado, que prevê a distribuição entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões em dividendos entre os anos de 2022 e 2026.

Além disso, a petroleira ocupa o segundo lugar entre as companhias que mais pagaram proventos aos acionistas em 2021, segundo levantamento da Economatica. Somente a Petrobras, contando com os dividendos de dezembro, fecha o ano com o montante de R$ 63,4 bilhões de dividendos entregues.

Dessa torta de proventos, o governo, que é o maior acionista da companhia, fica com a fatia mais recheada, com cerca de R$ 23,3 bilhões. Os demais 850 mil acionistas – sendo 750 mil no Brasil – receberão R$ 40,1 bilhões.

Flavio Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos, afirma que a menos que haja intervenção na estatal ou algum acontecimento que mexa na estrutura da empresa, o fluxo de entrega de lucro aos acionistas deve continuar forte na petroleira.

Bancos

Tradicionais pagadores de dividendos, os gigantes do setor financeiro também dividem lucros com seus acionistas em dezembro. Para Lage, da Valor, os bancos fazem parte do melhor segmento da B3, Bolsa de Valores de São Paulo, sob o ponto de vista de proventos e expansão.

“O PIX facilitou a movimentação financeira nos grandes bancos. A taxa de juros mais baixas, durante a pandemia, aumentou o consumo das pessoas por produtos financeiros, como empréstimos. Tudo isso ajudou a melhorar a estrutura dessas empresas”, ressalta.

Flavio Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos, destaca que os gigantes estão fazendo investimentos para competir com as fintechs e reduziram suas provisões. “A quantidade de dividendos que não foi distribuída no ano passado, por conta da proibição da distribuição de proventos pelo Banco Central, agora está sendo repassada aos acionistas”.

Para Oliveira, a entrega de bons proventos por parte dos bancos deve continuar em 2022. “Eles vão distribuir mais lucro do que as fintechs”, enfatiza.

Elétricas

O setor elétrico também prepara sua distribuição de dividendos para seus acionistas. Com a crise hídrica, a energia elétrica ficou mais cara, o que elevou os lucros de geradoras e transmissoras. “São negócios relativamente estáveis, além de ter uma demanda inelástica. É um ramo previsível, a não ser que a crise hídrica possa impactar fortemente esses resultados ou questões regulatórias”, enfatizou Oliveira.

Outro ponto enfatizado por Lage, da Valor, é a busca por alternativas de fonte de energia renovável, assunto que ganhou relevância durante a COP-26 neste ano, em Glasgow, na Escócia. “As empresas estão tentando reduzir sua dependência das hidrelétricas e apostando em outros caminhos, como a energia eólica. Ou seja, elas estão fazendo o dever de casa”.

Ele ressalta, entre os destaques do segmento, está a CPFL. “A elétrica investiu fortemente em tecnologia a seu favor, reduzindo o seu atendimento físico com foco no digital e, consequentemente, os seus custos. Além disso, está apostando na energia eólica.  Com isso, a empresa se tornou uma das melhores alternativas de investimento no setor elétrico”.

Outros setores

O especialista da Valor Investimentos destaca a resiliência da Raia Drogasil. “O setor de saúde está alerta por conta de novas ondas de contaminação da covid-19 que podem ocorrer. Além disso, as pessoas nunca deixam de consumir remédios, o que ajuda a sustentar a sua resiliência”.

A Ser Educacional, na visão de Virgílio, está focada em surfar a onda da retomada econômica. “Em relação aos seus pares como Yduqs e Cogna – que está bastante alavancada – a Ser é a empresa que oferece, neste momento, o risco retorno mais saudável entre elas”.

Lage aponta ainda a varejista M. Dias Branco, que se reinventou no pós-pandemia, com a demanda de consumo reprimida. “A empresa focou em produtos de consumo rápido e familiar e dividiu seus itens de alimentos e consumo”.

Tributação

Focar em montar uma carteira de dividendos é uma estratégia interessante no médio e longo prazo. Porém, a questão da tributação dos proventos ainda é uma eterna incógnita que ronda o mercado.

“A reforma tributária está sempre no radar, apesar de não ter sido votada neste ano e, provavelmente, deve ficar em segundo plano em 2022 por conta das eleições. Porém, em algum momento o tema sobre a tributação dos dividendos voltará à tona. O que foi proposto anteriormente, dando uma contrapartida aos tributos das empresas, pode penalizar companhias que têm menor capacidade de crescimento”, avalia o especialista da Zahl.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.