Mercado Financeiro

O mercado financeiro tem pela frente uma semana com agenda fraca de eventos, tanto interna quanto externamente, que podem influenciar as expectativas e as decisões de investidores e gestores de mercado.

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Cresce interesse por números da inflação na medida em que se aproxima nova reunião do Copom - Foto: Arquivo

Nesta segunda-feira, 19, serão acompanhadas, como de costume, as previsões econômicas dos analistas de mercado no boletim Focus do Banco Central.

O único indicador mais relevante, no cenário doméstico, para o mercado financeiro será o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) de julho que o IBGE divulga na sexta-feira, dia 23.

A expectativa de analistas é que o índice ainda venha elevado por causa da pressão de alta dos alimentos. A estimativa é que fique no intervalo entre 0,65% e 0,70%.

O IPCA-15 não mede a inflação oficial, mas é considerado uma prévia, a que é calculada pelo IPCA. A metodologia de cálculo usada pelo IBGE é igual para os dois índices, o que muda é o período de medição.

A pesquisa de preços para a apuração do IPCA-15 é feita do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês seguinte; a do IPCA é feita de 1º ao último dia do mês.

O interesse para saber como anda a inflação corrente aumenta à medida que se aproxima a data de nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a virada de agosto - entre os dias 3 e 4 - para deliberar sobre a taxa básica de juros, a Selic.

O foco do Banco Central (BC) para a calibragem da Selic é a inflação projetada para 2022, por enquanto bastante abaixo da projetada para este ano.

Pelo último boletim Focus, a inflação prevista por analistas e economistas do mercado financeiro para este ano é de 6,11% (acima do teto da meta) e para 2022, de 3,75%, pouco acima da meta de 3,5%.

A preocupação do BC é conter a alta e levar a uma acomodação de preços para evitar que a dinâmica de alta não passe a pressionar a inflação estimada para o próximo ano, já que a de 2021 é considerada dada.

Mercado prevê nono ajuste de 0,75 na Selic

O mercado financeiro já prevê nova alta de 0,75 ponto porcentual, que elevaria a Selic para 5% ao ano, na próxima reunião do Copom. Uma Selic nesse patamar, com perspectiva de subir ainda mais, aumentaria a atratividade da renda fixa, o que poderia atrair mais capitais ao País.

Um aumento de fluxo de recursos externos ao País, por sua vez, tenderia a deprimir o dólar e, por tabela, reduzir a pressão sobre a inflação.

Uma decisão de política monetária no exterior esta semana é a que será tomada pelo Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, 22. A previsão de analistas é que a taxa básica seja mantida em zero porcento, para uma meta de inflação de 2% ao ano.

NY: futuros em queda

Em Nova York, os contratos negociados nas bolsas de valores operam em queda com os investidores mais cautelosos e receosos com o avanço da inflação nos Estados Unidos, preocupação com o avanço da nova variante da covid-19 e reagindo às últimas notícias sore o petróleo.

O clima otimista em Wall Street se reduziu um pouco depois que o sentimento medido pela Universidade de Michigan caiu significativamente, enquanto a inflação subiu acentuadamente em todas as áreas", diz o analista de mercado Edward Moya, da Oanda.

O índice de sentimento do consumidor americano caiu de 85,5 em junho para 80,8 na leitura preliminar de julho. Analistas previam um avanço a 86,3.

Para o economista Andrew Hunter, da Capital Economics, o dado "tirou o brilho" do resultado do varejo e forneceu mais evidências de que o aumento da inflação tem tido efeito sobre os gastos reais. Isso porque a expectativa inflacionária no curto prazo, um dos componentes do índice, subiu de 4,2% para 4,8%.

"Além da reabertura, o excesso de poupança do consumidor, os efeitos positivos de riqueza e a melhoria do mercado de trabalho devem apoiar aumentos sólidos nos gastos dos consumidores no segundo seNos últimos dias, teve início a temporada de balanços do segundo trimestre. Os primeiros a divulgar os resultados corporativos foram os bancos.

"Os balanços desta semana foram em geral positivos, mas a atenção agora está mudando para o que vem a seguir em termos de perspectivas, e aqui a imagem é menos clara", afirma o analista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson. mestre", avaliaram economistas da corretora americana LPL Financial.

Também devem continuar no radar dos investidores as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e as tensões geopolíticas entre os EUA e a China. Hoje, o governo Joe Biden alertou empresas americanas que operam em Hong Kong para "crescentes riscos" associados a medidas tomadas por Pequim no território semiautônomo.

CPI da Covid: Bolsonaro e Pazuello

Após o presidente Jair Bolsonaro atacar novamente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a pandemia de covid-19, ao deixar o hospital em São Paulo na manhã do último domingo, 18, o presidente da comissão, Omar Aziz, voltou a acusar Bolsonaro de ter prevaricado ao não investigar suspeitas de corrupção na compra de vacinas.

"O presidente mentir é normal, ele é contumaz nisso. Ele prevarica, ele desfaz fatos e cria versões. Ele está internado no hospital, mas está agredindo as pessoas. Ele tenta se vitimizar o tempo todo, mas a gente não vê na boca do presidente uma palavra de solidariedade ao povo brasileiro. Você só vê ódio", disse o senador.

Omar Aziz reforçou a avaliação de que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mentiu à CPI ao afirmar que em nenhum momento teria negociado diretamente a compra de vacinas.

Ele citou o vídeo de março deste ano, no qual o general promete a intermediários a aquisição de 30 milhões de doses da Coronavac a um preço superior ao contratado com o Instituto Butantan.

Mais cedo, Bolsonaro defendeu Pazuello com o argumento de que essa oferta não foi concretizada e avaliou que, se houvesse corrupção, o encontro não teria sido gravado, mas sim feito "às escondidas".

O presidente da CPI reafirmou que há "fortes indícios" de corrupção em negociações de compras de vacinas com preços superfaturados. Segundo ele, a comissão também vai investigar a compra de materiais hospitalares.

"Os indícios são muito fortes. Não podemos prejulgar e dizer quem é o responsável, mas vamos chegar lá. O fato mais grave é que o presidente Bolsonaro foi alertado e não tomou nenhuma providência", completou.

Para Aziz, a questão em jogo na CPI não seria apenas se o governo é corrupto ou não. " A corrupção em plena pandemia é um fato gravíssimo. Mas o pior são as vidas que se perderam pela brincadeira de gabinete paralelo", acrescentou.

Bolsas asiáticas fecham em queda

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira diante da aversão a risco no exterior. Os investidores reagem à piora da pandemia de covid-19 em diversas partes do mundo devido ao avanço da variante delta, que é altamente contagiosa.

Em Pequim, havia também expectativa pela decisão de política monetária do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês).

Na China continental, o índice Xangai Composto encerrou a sessão praticamente estável, em 3.539,12 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,1%, aos 2.452,32 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 1,8% em Hong Kong, aos 27.489,78 pontos, e o Kospi teve baixa de 1% em Seul, aos 3.244,04 pontos, após a Coreia do Sul impor restrições mais rígidas a reuniões privadas em todo o país para tentar conter a cepa delta.

"Os mercados da Ásia começaram a semana de forma negativa devido à preocupação com o rápido aumento dos casos globais da variante delta, bem como com uma perspectiva econômica de desaceleração", afirma o analista-chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

Mais tarde, o mercado acompanhará a definição do PBoC sobre as taxas de juros usadas como referência no país para empréstimos de curto e longo prazo, chamadas de LPR. Em junho, o BC chinês manteve a LPR de um ano em 3,85% e a de cinco anos, em 4,65%.

Recentemente, contudo, a autoridade monetária decidiu cortar a taxa do compulsório bancário. Já o Nikkei, por sua vez, caiu 1,3% no Japão, aos 27.652,74 pontos. No fim de semana, os organizadores da Olimpíada de Tóquio informaram que dois atletas testaram positivo para a covid-19.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, após um reforço do lockdown no país para conter a onda de infecções por covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 0,8% em Sydney, aos 7.286,00 pontos. Segundo analistas, a Indonésia, por sua vez, se tornou o novo epicentro da pandemia na Ásia. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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