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Em 2022, fundos multimercado ganham em rendimento e perdem recursos, os de renda fixa fazem caminho inverso; entenda

Rendimento médio dos 20 multimercado campeões ficou em 29,92%; dos de ações, em 18,78%; e dos de renda fixa, em 13,74%

Data de publicação:23/11/2022 às 05:00 -
Atualizado 12 dias atrás
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Os fundos multimercado, que passaram por um processo mais forte de perda de recursos em 2022, são destaque de rentabilidade: o retorno médio dos 20 fundos mais rentáveis no ano está em 29,92%, o maior entre as três principais classes de ativos. O que não deixa de ser um contrassenso, da mesma forma que os fundos de renda fixa que, com um rendimento médio de menos da metade dos multimercado, de 13,74%, foram os que mais receberam depósitos no mesmo período.

Segundo analistas, a aversão ao risco é o principal fator que está por trás desse movimento, o mesmo que motivou a saída de recursos dos fundos de ações, que acabaram por ficar em faixa intermediária tanto em liquidez como em desempenho. Considerando também os 20 fundos de melhor performance, a remuneração média dos fundos de ações ficou em 18,78%.

fundos multimercado
Fundos multimercado contaram com várias opções de ganhos com volatilidade dos mercados - Foto: Reprodução

Os 20 fundos multimercado campeões em 2022

“A classe de multimercado, principalmente a macro, conseguiu aproveitar o movimento de alta dos juros em alguns países. Este é um ano que tem consagrado a classe,” afirma Sérgio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital.

Para ele, não apenas a elevação dos juros, mas a diversificação tem ajudado bastante essa classe de ativos. "Fazia tempo que não havia tantas oportunidades para ganhar dinheiro operando juros e moedas, como ao longo deste ano e no ano passado também”, complementa Zanini.

Matheus Lamah, analista de fundos da Órama, explica que a discussão em torno de inflação e juros, no Brasil e lá fora, deixou muito claro para os gestores de multimercado um ciclo de alta dos juros. “O Brasil entrou no ciclo de aperto monetário mais cedo, abrindo oportunidades de ganho com a alta dos juros. O mesmo movimento gerou oportunidades no exterior, com alta dos juros e queda das bolsas americanas. E os gestores continuam nessa posição até hoje.”

Segundo Lamah, "historicamente, os gestores ganham mais dinheiro com juros, e este ano ganharam aqui e lá fora. E como os juros batem na bolsa, ganharam com posições que sofrem com a alta dos juros.”

Fundos MultimercadoRend. 2022
até 17/11
Vitreo Petróleo39,97%
Systematica Blue Trend38,58%
Asa Hedge FIC FIM36,26%
Exploritas Alpha América Latina35,16%
Mar Absoluto34,92%
Vinland Macro Plus Advisory31,32%
Vinland Macro Plus Multim. Seleção31,01%
XP Macro Plus29,52%
Trend Commodities28,41%
Ibiuna Long Short Advisory27,89%
Ibiuna Long Short STLS27,85%
Acesso Ibiuna Long Short 2 Mult.27,73%
Ibiuna LS FIC FIM Ágora27,58%
EST Theta FIM27,45%
Manager Ibiuna Long Short27,38%
Ibiuna L.S. STLS Multimercado27,36%
Safra Direct Short Treasury Reais25,93%
Novus Macro25,27%
Itaú Of Funds Orion Multi.22,69%
Absolute Vertex22,42%
Fonte: Rastreador de Fundos da Mais Retorno

Debandada dos multimercado

Mesmo com os melhores resultados, o segmento de multimercado registrou o maior saldo negativo de fluxo de recursos da indústria de fundos no ano, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume líquido de resgates totalizou R$ 76,418 bilhões nessa classe de ativos, no balanço de captações de 2022, até outubro.

Para analistas, a ampliação de incertezas, agravadas no cenário global com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a expectativa de alta dos juros nos EUA, além da continuidade do ciclo de elevação no mercado doméstico, encorajou uma realocação de recursos de produtos de mais risco, como os fundos de maior volatilidade, para opções conservadoras.

Por isso, os fundos de renda fixa foram o destino de parcela significativa desses recursos, mas não o único. Parte seguiu para os títulos de crédito privado, bancário e corporativo. Principalmente para os títulos que, além de juros altos, oferecem isenção de imposto, como Certificados de Recibo Imobiliário (CRIs) e Certificados de Recibo do Agronegócio (CRAs).

Os líderes na renda fixa

Beneficiados por esse movimento de realocação de ativos, os produtos de renda fixa registraram a maior captação do segmento, com ingresso líquido de R$ 90,142 bilhões nos primeiros dez meses do ano.

Com rendimento mais modesto do que o dos multimercado, os fundos de renda fixa cumpriram um importante papel nesses tempos bicudos de instabilidade: acenaram com a segurança, a proteção do patrimônio e com juros nada desprezíveis.

Fundos de Renda FixaRend. 2022
até 17/11
Infinity Tiger20,62%
NC RF Exclusive17,43%
Infinity Select17,30%
Itaú Optimus13,89%
CA Indosuez Grand Vitesse13,43%
ARX Everest Advisory13,27%
ARX Everest FI CP13,25%
CA Indosuez Vitesse13,14%
Devant Audax FI RF LP CP13,14%
Riza Lotus Plus Advisory Ref.13,04%
Tagus Top FI RF CP II12,95%
Schroder Premium 30 Advisory12,91%
Iridium Titan Advisory12,87%
Kinea IPCA Dinâmico II 12,86%
Polo Crédito Corporativo12,84%
Itaú Kinea IPCA Dinâmico II12,74%
Kinea IPCA Dinâmico II Advisory12,73%
AF Investimento Geraes 30 FI12,70%
Artemis FI RF CP12,67%
Órama Liquidez FI RF12,58%
Fonte: Rastreador de Fundos da Mais Retorno

Perda de recursos também nos fundos de ações

Influenciados pelo cenário global de incertezas, que empurrou o investidor para a renda fixa, os fundos de ações tiveram a segunda maior debandada de recursos, com um saldo negativo de R$ 62,384 bilhões, até outubro.

Em termos de desempenho, os fundos de ações ficaram no meio do caminho, entre os multimercado e os de renda fixa.

Fundos de AçõesRend. 2022
até 17/11
BTG Pactual Absoluto LS FIC FIA25,51%
Charles River23,11%
Tarpon GT20,13%
Plural Dividendos18,50%
SPX Falcon Seleção16,34%
XP Investor Dividendos15,76%
Forpus Ações FIC FIA15,72%
Absolute Pace L Biased Advisory13,98%
Sharp LB Advisory13,95%
XP Investor Ibovespa Ativo13,95%
Absolute Pace LB FIC FIA13,93%
Clic FIA13,51%
Squadra LB FIC FIA12,76%
Itaú Ações Dunamis Adv.11,18%
XP Investor FIA11,05%
XP Investor 30 FIC FIA10,94%
Sicredi Schroders Ibovespa10,69%
Ágora Top 10 Index 9,84%
Ágora Dividendos Index9,80%
Navi Institucional 9,77%
Fonte: Rastreador de Fundos da Mais Retorno

A estratégia dos vencedores

O BTG Pactual Absoluto LS FIC FIA, com patrimônio de R$ 346,710 milhões e 1,250 mil cotistas, “é um fundo long & short, que pode ficar comprado e vendido simultaneamente em ações”, explica Pedro Tiezzi, especialista da SVN. Em geral, consiste em uma operação de valor relativo em que o fundo vende uma ação que não tem e usa o dinheiro recebido nessa venda para a compra de outra ação.

A ideia da tese long & short é arbitrar a oscilação de preços dos ativos no mercado. A operação resulta em ganho para o fundo quando a ação da empresa em que está vendido passe por um movimento de queda maior que a ação em que esteja comprado.

É, na prática, uma aposta em movimentos distintos das ações das empresas, para que uma performe melhor que a outra, comenta Tiezzi. “A torcida é para que a ação em que esteja comprado (tomado) tenha desempenho melhor que a ação em que está vendido, independentemente de que seja um movimento de alta ou de queda”.

Exposição ao petróleo

Com patrimônio de R$ 21,340 milhões e 2.548 cotistas, o Vitreo Petróleo FIM é um fundo que investe em estratégias multimercados com exposição cambial no mercado de petróleo. Os investimentos podem ser feitos tanto na commodity (no mercado futuro) quanto em ações de companhias do setor, no mercado brasileiro e no exterior.

“Em geral, quando entendemos que a cotação do barril de petróleo vai subir, preferimos operar no mercado futuro”, explica George Wachsmann, CEO da Empiricus Gestão. “Caso contrário, investimos em ações.”

Atualmente, o fundo está com 65% do portfólio alocado em ações de empresas petrolíferas estrangeiras; 10% em ações de companhias brasileiras e 25% no mercado futuro.

Títulos públicos garantem o desempenho

O Infinity Tiger Alocação Dinâmica, com patrimônio de R$ 120,190 milhões e 1,252 mil cotistas, é um fundo que tem como objetivo a entrega de retorno no longo prazo superior ao CDI, mediante aplicação dos recursos em ativos e derivativos de renda fixa. A alocação da carteira é feita principalmente em títulos públicos federais.

“O que o fundo faz é basicamente operar juros estruturais de derivativos de câmbio, que tem uma classificação de renda fixa também”, analisa o especialista da SVN. “E como, na essência, toma risco de mercado, não deixa de se enquadrar como fundo macro”, avalia. “É um fundo bastante líquido, porque usa ativos extremamente líquidos, mas é um fundo que tem também muita volatilidade.”

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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