Fundos Imobiliários

O sonho da casa própria foi o que moveu Lucas Penteado a entrar no Big Brother Brasil 21. Antes mesmo de participar do reality e de Malhação - Viva a Diferença (2017-2018), o ator já tentava tirar a mãe do aluguel. "Eu nunca acreditei em fama e nem em dinheiro. Só que estou atrás do dinheiro porque quero comprar a casa da minha mãe. É esse o meu maior sonho, é esse o meu propósito aqui", frisou, bem no início do BBB. Com a desistência do programa, fãs se mobilizaram para ajudar Lucas a atingir sua meta e até criaram uma vaquinha online.

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O desejo do jovem de 24 anos reflete uma herança portuguesa, segundo aponta Sérgio Cano, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas. "Nós fomos colonizados por portugueses e outros povos da Europa, que valorizam o imóvel, o bem, o ativo real", explica, em entrevista ao Mais Retorno.

Outro fator que pesa quando se fala em sonhar com a casa própria está ligado à sensação de segurança, principalmente entre as classes sociais mais baixas. "A casa própria representa muito em termo de bem, em termo de valor. A pessoa entende que por mais que as dificuldades cheguem, ela vai ter onde morar, vai ter onde manter a família", observa Cano. Apesar do desejo atrelado a fatores emocionais e históricos, será que adquirir um imóvel vale a pena nos dias de hoje?

Imóveis: comprar, alugar ou investir

Até o início dos anos 2000, entre os investimentos mais populares dos brasileiros estava a compra de imóveis para ter o aluguel como rendimento. A opção era vantajosa para quem queria ter uma renda complementar garantida - principalmente para somar à aposentadoria na velhice.

No entanto, o mercado financeiro passou a oferecer outros produtos que permitiram investir em imóveis, sem a necessidade de adquirir um deles. "A partir dos anos 2000, a indústria de fundos imobiliários começa a crescer, e ganha força de 2018 para cá, com a queda das taxas de juros", explica o professor da FGV.

Mas nessa época, a concorrência com outras aplicações era forte. As taxas de juros sempre nas alturas atraíam os investidores para a renda fixa, opções atreladas aos CDB's, papéis emitidos pelos bancos, ou na própria caderneta de poupança. Sem risco nenhum, com retorno garantido e atraente.

Mas os tempos mudaram, e as taxas de juro entraram em trajetória de queda até chegar na mínima histórica de 2% ao ano em 2020. Muita gente foi em busca de outras opções para embolsar remuneração melhor.

Houve um movimento do investidor para os fundos multimercado ou para o mercado de ações. Segmentos que são mais complexos, vivem em um sobe e desce constante. Condições que assustam o investidor que não conhece nem está acostumado com esses mercados, que podem pagar mais, mas também oferecem risco de perdas. A falta de educação financeira é uma barreira que os brasileiros possam obter bons ganhos na renda variável.

Lucas Penteado se inscreveu no BBB21 com o objetivo de ganhar prêmio de R$ 1,5 milhão e comprar casa para a mãe - Foto: (Foto/Divulgação)

Os fundos imobiliários como opção

Em 2019, com a queda das taxas de juro na renda fixa, os fundos imobiliários ganharam força e se tornaram os queridinhos dos brasileiros. Uma opção interessante para quem quer investir em imóveis, mas não conta com valores relativamente altos para participar do segmento. E justamente por essa condição, a modalidade se destaca por ser acessível e por democratizar o investimento em imóveis. Com valores baixos, de R$100 ou R$ 200, por exemplo, já dá para ser cotista de um fundo imobiliário.

O dinheiro empregado em um fundo imobiliário é convertido em cotas, que evoluem de acordo com a valorização dos papéis que estão nesse fundo. São papéis que tem como garantia empreendimentos imobiliários, um shopping, edifícios comerciais, complexos logísticos, hospitais, escolas. Assim, o aluguel decorrente desse empreendimento, ou resultado de vendas no caso de shoppings também são revertidos para o cotista.

Por isso, os fundos são uma ponte para que o investidor tenha o seu dinheiro empregado no segmento imobiliário. Ao mesmo tempo, nos fundos não há uma série de preocupações presente na compra direta de um imóvel.

"Quando você está investindo em FII, você não tem que pagar ITBI, escritura, registro de imóvel, sem falar que não há a preocupação de colocar o imóvel na mão de uma administradora, de temer por um inquilino inadimplente", diz ao professor. Ao contrário, "existem pessoas que vão trabalhar em tempo integral para dar o melhor retorno possível para aquele fundo", detalha o especialista.

Mas nesses fundos também há riscos, eles são considerados de renda variável, e os resultados vão refletir a valorização, ou não, dos empreendimentos. Além disso, é preciso saber que as cotas são negociadas na bolsa de valores, e é preciso encontrar interessados nelas para vender as cotas e sair do mercado.

Futuro dos FII's

Desde 2016, o mercado de fundos imobiliários vem crescendo ano a ano. De dezembro daquele ano a fevereiro de 2021, o número de investidores saiu de 89 mil para 1,258 milhão, de acordo com relatório mensal da B3. O estudo também aponta para o crescimento do patrimônio líquido destes fundos, que saiu de R$ 89 bilhões em janeiro de 2020 para 139 bilhões de reais em janeiro de 2021.

Na visão de Gabriel Teixeira, analista de FII's da Ativa Investimentos, o mercado é promissor para o investidor por dois fatores. "Estamos bem otimistas, pois o atual patamar da taxa de juros permite que esses investimentos continuem atrativos e a entrada de mais investidores possibilita o aumento de liquidez na negociação das cotas", aponta.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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