Logo Mais Retorno
banco central
Economia

Copom mantém Selic em 13,75% pela sétima vez consecutiva e sem sinalizar queda

Tom do comunicado foi considerado duro pelo mercado que aguardava abertura de espaço para queda dos juros a partir de agosto

Data de publicação:21/06/2023 às 21:42 -
Atualizado 8 meses atrás
Compartilhe:

Pela sétima vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu na reunião de hoje, a quarta do ano, pela manutenção da taxa Selic em 13,75%. Considerando que a inflação em 12 meses está agora em 3,94%, o País tem o juro real mais elevado em todo o mundo, de 9,44%. 

O que não trouxe nenhuma surpresa ao mercado, que apostava na permanência da taxa no mesmo nível que está desde julho de 2021. O comunicado emitido pelos dirigentes do Banco Central após o término do encontro, no entanto, foi considerado duro e parece ter frustrado os agentes econômicos, sem nenhuma sinalização para início da queda dos juros.

relatório focus
Selic em 13,75% está em nível mais alto desde novembro de 2016 - Foto: Agência Brasil

“O Copom reforçou que segue adotando ‘cautela e parcimônia’, muito por conta do processo desinflacionário ser mais lento que o previsto, e também pelas expectativas de inflação ainda estarem bastante desancoradas, o que pede vigilância do Comitê, para ainda manter os juros no patamar atual”, analisa Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.

De todo modo, Alves chama a atenção para o fato de que o comitê não sinalizou o corte de juros na próxima reunião, contrariando as expectativa do mercado, daí porque o tom do comunicado está sendo considerado duro. “Todavia, na minha visão, o cenário atual está melhor que o esperado e isso deve se materializar em corte em algum momento no ano de 2023” diz ele.

Do comunicado, o especialista ainda destaca os trecho  em que o Copom se apoiou para não mexer na Selic:

  • as pressões inflacionárias globais, que seguem fazendo peso no Brasil, e no mundo, e tem contribuído também para a alta de preços locais; 
  • a "dúvida" em relação ao desenho final do arcabouço fiscal que ainda vai ser aprovado pelo Congresso Nacional, e como ele vai impactar em relação às expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação; 
  • a falta de convergência para a meta inflação no mundo, em especial no Brasil; 
  • as incertezas sobre a crise bancária nos EUA, e o nível de crescimento das economias

“Na minha opinião, devemos ter a manutenção da Selic na próxima reunião em agosto, em que deve haver a sinalização de quando o corte pode ocorrer. Ao que tudo indica e como não houve sinalização neste comunicado, esse corte se dará muito provavelmente na reunião de setembro. O Copom está bem assertivo no discurso e não vai mudar agora.”

Para Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital, o teor do comunicado "é compatível com flexibilização em agosto, mas o BC optou por assegurar graus de liberdade e não se comprometeu com queda de juros iminente.''

Na opinião dela, para o corte em agosto, é imprescindível que a meta de inflação seja confirmada em 3,0% na reunião do CMN, e a continuidade de bons resultados na inflação corrente e das estimativas na pesquisa semanal do Focus. "Esperamos que as condições permitam, ao fim, um corte de 0,25% em agosto, dia Débora.

Trajetória da Selic

Em plena pandemia, em agosto de 2020, a taxa caiu para a sua mínima histórica, de 2% ao ano, e aí ficou até março de 2021. Naquele mês, em 12 reuniões consecutivas, o Banco Central, passou a elevar a Selic até os atuais 13,75%, no ciclo de alta mais prolongado desde 1999.

O mercado espera que a Selic, com cortes no segundo semestre, chegue ao final deste ano entre 13,50% e 13,25%, com mediana de 12,25%, segundo o boletim Focus do Banco Central.

Controle da inflação

A calibragem dos juros é feita pela autoridade monetária para levar a inflação dentro das metas traçadas pelo próprio BC

Para este ano, dificilmente a alta dos preços ficará em 3,5%, que é o centro da meta, mas ao menos nas projeções atuais ela se aproxima do teto da meta que é de 3%. Pelo Focus, o IPCA para 2023 é esperado em 5,12%. Há perspectiva de que em junho, a inflação seja negativa, deflação.

Para 2024, as estimativas já se encontram dentro dos limites da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional: enquanto a meta de inflação é de 3%, podendo oscilar de 1,5% a 4,5%, o mercado trabalha com a projeção de 4%.

Leia mais:

Sobre o autor
Mais Retorno
A Mais Retorno é um portal completo sobre o mercado financeiro, com notícias diárias sobre tudo o que acontece na economia, nos investimentos e no mundo. Além de produzir colunas semanais, termos sobre o mercado e disponibilizar uma ferramenta exclusiva sobre os fundos de investimentos, com mais de 35 mil opções é possível realizar analises detalhadas através de índices, indicadores, rentabilidade histórica, composição do fundo, quantidade de cotistas e muito mais!

® Mais Retorno. Todos os direitos reservados.

O portal maisretorno.com (o "Portal") é de propriedade da MR Educação & Tecnologia Ltda. (CNPJ/MF nº 28.373.825/0001-70) ("Mais Retorno"). As informações disponibilizadas na ferramenta de fundos da Mais Retorno não configuram um relatório de análise ou qualquer tipo de recomendação e foram obtidas a partir de fontes públicas como a CVM. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros e apesar do cuidado na coleta e manuseio das informações, elas não foram conferidas individualmente. As informações são enviadas pelos próprios gestores aos órgãos reguladores e podem haver divergências pontuais e atraso em determinadas atualizações. Alguns cálculos e bases de dados podem não ser perfeitamente aplicáveis a cenários reais, seja por simplificações, arredondamentos ou aproximações, seja por não aplicação de todas as variáveis envolvidas no investimento real como todos os custos, timming e disponibilidade do investimento em diferentes janelas temporais. A Mais Retorno, seus sócios, administradores, representantes legais e funcionários não garantem sua exatidão, atualização, precisão, adequação, integridade ou veracidade, tampouco se responsabilizam pela publicação acidental de dados incorretos.
É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos, ilustrações ou qualquer outro conteúdo deste site por qualquer meio sem a prévia autorização de seu autor/criador ou do administrador, conforme LEI Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
® Mais Retorno / Todos os direitos reservados