Economia

Juros futuros sobem forte com temor em relação ao cenário fiscal

Cresce pressão para aumento do auxílio social sem a contrapartida de fonte de receita

Data de publicação:19/10/2021 às 06:14 - Atualizado um mês atrás
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Os juros futuros dispararam em um dia que o mercado financeiro reavalia os riscos fiscais à luz da pressão crescente do governo Bolsonaro pela criação do Auxílio Brasil com valor mais elevado, que poderia chegar a R$ 400, segundo especialistas.

As taxas de juro de contratos DI futuro com vencimento em janeiro de 2023 subiram de 9,44% no dia anterior para 9,79%; vencimento em janeiro de 2025 avançaram de 10,36% para 10,78%; vencimento em janeiro de 2027, de 10,74% para 11,14% ao ano.

Foto: Envato
mercado financeiro

O pessimismo com o cenário fiscal, estampado na escalada da curva de juros futuros, azedou o humor dos investidores e contaminou também o mercado de ações. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuou 3,28% no fechamento.

A bolsa de valores e os juros futuros não sobem sozinhos. Também às 14h50, o dólar acompanha o movimento desses mercados e avança, com uma valorização de 1,33%, para R$ 5,594 na venda.

O temor de investidores e dos gestores de mercado é que essas despesas adicionais com os programas sociais venham a estourar o teto de gastos em um momento que temas relevantes que influenciam o ajuste das contas públicas continuam pendentes. Persistem dúvidas sobre a reforma do imposto de renda, o pagamento de precatórios, o valor e a duração do Auxílio Brasil, dentre outros.

Segundo o economista da Ativa Investimentos, Etore Sanchez, "a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e as pretensões sobre o auxílio emergencial, que poderá ser majorado para R$ 400 até o fim de 2022, assombram o mercado nessa terça-feira, dia 19". Por isso, segundo ele, a curva futura de juros, no longo, sobe mais de 40 pontos e o dólar, mesmo com intervenções do Banco Central, ficou próximo dos R$ 5,60.

"O fato é que o Brasil está sendo reprecificado mediante sua capacidade de solvência, a qual se reduz à medida que Lira e Bolsonaro caminham para uma ampliação do déficit fiscal", afirma o economista.

Perspectiva de maior rigidez do BC também pressiona juros futuros

O salto na curva de juros e seu nível de inclinação, cada vez mais acentuado, indicam o tamanho dos desafios que o País tem pela frente, aponta André Perfeito, economista-chefe da Necton. O movimento dos juros futuros antecipa a expectativa de que, diante da crescente incerteza fiscal, o Banco Central pode endurecer a política monetária.

O economista da Necton entende que a curva atual de juros futuros tem implícita uma expectativa de alta de 120 pontos base na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nos dias 26 e 27, portanto na próxima semana.

Perfeito não compartilha dessa previsão. Para ele, “o Banco Central deve manter o ritmo de alta de 100 pontos-base”, um ritmo de ajuste que deve levar a Selic a 8,25% ao ano no fim de 2021 e a 9,50% no início de 2022.

Sobre o autor
Tom Morooka
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.
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