Mercado Financeiro

Os indicadores econômicos em alta nos Estados Unidos voltaram ao radar e a preocupar os investidores, além de influenciar os movimentos no mercado financeiro.

Chegaram a dividir a atenção dos investidores terça-feira, 11, com a divulgação, internamente, do IPCA de abril e da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que subiu a taxa Selic para 3,50%.

Foto: B3/Divulgação
Investidores estão temerosos quanto ao aumento dos juros nos Estados Unidos, o que está impactando as bolsas de valores ao redor do mundo, inclusive no Brasil - Foto: B3/Divulgação

As preocupações com o ambiente inflacionário nos Estados Unidos, na esteira da recuperação econômica, voltaram a influenciar o ânimo dos investidores, afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos. “A bolsa de valores teve uma trajetória hesitante pela manhã, após cair 1% no início do pregão, mas reagiu à tarde, puxada pelo movimento muito forte dos preços das commodities no exterior.”

A recuperação das ações do setor de varejo, após as fortes quedas da véspera, também ajudou a dar suporte à reação da bolsa de valores. “A virada foi patrocinada pelas empresas do setor de commodities, com destaque para Vale e Petrobras, assim como pela força de compra a vista pelo setor de varejo”, avalia Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Para o fundador do Projeto Os 10%, escola de traders, André Machado, a Bolsa rompeu uma região importante que abre espaço para o Ibovespa testar novamente o topo histórico obtido em 08 de janeiro, quando a Bolsa atingiu mais de 125 mil pontos.

"O padrão deixado pelo mercado depois de fortes quedas deve caminhar para um patamar mais próximo dessa região. Nesta quarta-feira, a Bolsa ainda deve viver um dia de ressaca, com pequenas correções e influenciada pelo cenário externo".

Menos inflação, menos pressão sobre os juros

Animou o interesse pelas ações de empresas setor de varejo, de acordo com Ribeiro, a queda forte da curva de juros com a divulgação do IPCA, de 0,31% em abril, em linha com o esperado pelos analistas e o tom mais ameno da ata do Copom sobre o ritmo da inflação. Menos pressão sobre os juros futuros é indicação de inflação menos pressionada, portanto de alta mais moderada da Selic e dos juros no crédito.

Juros e inflação são duas das principais preocupações de investidores e mercado, perdendo apenas para a questão fiscal. Inflação e juros, aliás, voltam a atrair a atenção do mercado, aqui e no exterior, diante dos sinais de uma atividade econômica global mais aquecida, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos.

Camila diz que investidores se preocupam com a inflação nos Estados Unidos por causa da retomada do crescimento econômico em um ambiente de fortes estímulos monetário e fiscal, além de investimento pesado em infraestrutura, que costuma gerar mais empregos, mais renda, inflação que, no fim das contas, costuma desembocar em alta dos juros.

Uma elevação dos juros americanos, especialmente dos Treasuries, tende a gerar efeitos negativos em mercados de países emergentes, com desvalorização da bolsa de valores e alta do dólar. Em cenário de juros  altos, que beneficia a renda fixa, o investidor sai da bolsa para os títulos de renda fixa americanos, movimento que costuma pressionar o dólar para cima.

CPI da Covid: Wajngarten

O mercado segue acompanhando os desdobramentos dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid para apurar as ineficiências do governo no combate à pandemia.

Nesta quarta-feira, o ex-secretário de Comunicação da presidência, Fábio Wajngarten presta depoimento na CPI. Este é um dos mais aguardados até o momento, já que no mês passado Wajngarten não poupou críticas à atuação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Segundo ele, houve "incompetência" e "ineficiência" do Ministério da Saúde ao lidar com a Pfizer, farmacêutica que ofereceu um lote de 70 milhões de vacinas ao governo federal no ano passado.

Na véspera, foi a vez do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, prestar depoimento e dar mais detalhes sobre a realização de uma reunião no Palácio do Planalto em que se discutiu um decreto que incluiria na bula da cloroquina a recomendação para tratar a covid-19.

Barra Torres relatou que, ao ouvir a proposta, sua reação foi até um “pouco deseducada”, já que não haveria cabimento na sugestão de alteração da bula.

O presidente da Anvisa disse que não saberia dizer quem foi o autor original da proposta, mas que percebeu uma "mobilização" por parte da imunologista Nise Yamaguchi, presente no encontro.

"Documento foi comentado pela Nise, o que provocou reação até pouco deseducada (da parte dela), de falar que aquilo não poderia ser, só quem pode modificar bula de medicamento é a agência, mas desde que solicitado pelo detentor do registro do medicamento", comentou

Além disso, Barra Torres afirmou que as posições do presidente Jair Bolsonaro anti-vacina vão “contra tudo” o que o órgão tem preconizado.

Segundo ele, a população "não deve se orientar por condutas" que vão nesse sentido. "Ela deve se orientar por aquilo que está sendo preconizado principalmente pelos órgãos que estão em linha de frente do enfrentamento da doença”.

STF: repasses ilegais

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação contra o ministro do STF Dias Toffoli para apurar supostos repasses ilegais ao magistrado envolvendo a venda de decisões judiciais.

O pedido da PF, feito com base na controversa delação premiada do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, está sob análise do relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin.

Em um dos trechos da delação premiada, Cabral acusa Toffoli de receber cerca de R$ 4 milhões para ajudar dois prefeitos do Estado do Rio em processos que tramitavam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro atuou na Corte Eleitoral de 2012 a 2016.

Em nota divulgada pelo STF, Toffoli disse "não ter conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os supostos valores ilegais". O ministro também refutou a possibilidade de ter atuado para favorecer qualquer pessoa no exercício de suas funções. O gabinete de Fachin não se manifestou.

Reforma administrativa: pressão sobre Guedes

Outro assunto que chama a atenção no mercado doméstico é a análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que analisa a admissibilidade da PEC 32, da reforma administrativa.

No dia anterior, o ministro da Economia Paulo Guedes foi confrontado durante audiência pública na CCJ foi pressionado sobre o “tratoraço” e atacou os governos anteriores.

"Negócios e escândalos em estatais não é especialidade deste governo, é de outros. Parece que isso não nos atingiu ainda, vamos ver", afirmou.

Guedes foi confrontado por parlamentares da oposição sobre o "orçamento secreto" revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

No ano passado, segundo a reportagem, o governo destinou R$ 3 bilhões em emendas para parlamentares do Centrão que, ao contrário do permite a lei, puderam escolher onde os recursos de emendas de relator (RP9) seriam aplicados, inclusive na compra de tratores superfaturados. 

"Isso é crime de responsabilidade, é prevaricação, desvio de finalidade e improbidade administrativa. Quero saber por que vossa excelência não vetou esse arranjo de corrupção, que é a compra de votos que está sendo feita aí", questionou o deputado Ivan Valente.

"O senhor vem falar que servidor público tem 20 carros, eu desconheço. Mas conheço presidente que come picanha de R$ 1.799 o quilo, conheço presidente que tira férias de R$ 2 milhões, e conheço um orçamento que o senhor aprovou de R$ 3 bilhões para comprar parlamentar com trator superfaturado", comparou a deputada Fernanda Melchionna.

Wall Street com futuros em queda

Os contratos futuros das bolsas de Nova York operam em queda nesta quarta-feira com os investidores temerosos sobre a alta da inflação e os leilões da dívida americana.

Ao longo do dia de hoje será publicado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos em abril, acontecimento que pode causar volatilidade.

Segundo o sócio da Wisir Research, Filipe Teixeira, a inflação dos preços ao consumidor deve acelerar , com a comparação anual ampliada pelo choque das paralisações da covid-19 em 2020.

Teixeira acredita que o debate sobre se as pressões de preços serão persistentes para forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) a apertar a política monetária mais cedo do que a orientação atual, segue levantando preocupações de que os preços dos ativos já se encontrem “esticados”.

“Um coro de autoridades do Fed disse que a economia dos Estados Unidos está no caminho da recuperação, mas ainda enfrenta riscos, e é prematuro discutir a retirada do suporte monetário”, destaca.

Na véspera as bolsas de Wall Street fecharam em baixa. O Dow Jones fechou em baixa de 1,36%, a 34.269,16 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,87%, a 4.152,10 pontos, e o Nasdaq recuou 0,09%, a 13.389,43 pontos, depois de oscilar durante a sessão.

Uma das repercussões foi o avanço nos rendimentos dos Treasuries, o que tende a pressionar o mercado acionário. "Os mercados recuam em meio à inflação potencial e restrições de oferta à medida que a economia reabre", escreveram analistas da LPL Financial durante o pregão.

O Nasdaq acumula queda de cerca de 6% desde a máxima histórica intraday em 29 de abril, aponta a Capital Economics. "A lógica é que o aumento dos rendimentos dos Treasuries afeta o setor de tecnologia de forma desproporcional", avalia a consultoria.

No entanto, a análise aponta que os balanços das empresas também podem ter "desapontado", além de as big techs terem a possibilidade de serem mais afetadas por possíveis aumentos de impostos no governo do presidente americano Joe Biden.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki afirmou na véspera que o governo "leva a possibilidade de inflação muito a sério".

Psaki deu a declaração durante entrevista coletiva, ao ser questionada sobre um possível aumento maior na inflação ao consumidor no país, em momento de retomada econômica ainda irregular diante da pandemia da covid-19.

A porta-voz disse que caberia ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tratar mais do assunto, mas notou que a maioria dos analistas econômicos avalia que haverá um avanço "temporário, transitório" dos preços no país.

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

O mercado financeiro na Ásia concluiu o pregão sem direção única nesta quarta-feira,com algumas delas seguindo o tom negativo de Nova York em meio a renovadas preocupações de que um salto global da inflação possa levar bancos centrais a reverter medidas de estímulos adotadas em reação à pandemia do novo coronavírus.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 1,61% em Tóquio hoje, aos 28.147,51 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 1,49% em Seul, aos 3.161,66 pontos.

O Taiex sofreu um tombo de 4,11% em Taiwan, aos 15.902,37 pontos, pressionado também por um novo surto local de covid-19. Como resultado, o mercado taiwanês entrou em território de correção, ao acumular perdas de mais de 10% desde a máxima que atingiu no fim de abril.

Na China continental, por outro lado, os mercados ampliaram ganhos do dia anterior, graças em parte a ações de montadoras, que tiveram forte desempenho de vendas no último mês. O Xangai Composto subiu 0,61%, aos 3.462,75 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,88%, aos 2.271,81 pontos.

No mercado japonês, a Toyota destoou do Nikkei, com alta de 2,18% de sua ação, após divulgar resultados trimestrais melhores do que o esperado.

O dia também foi positivo em Hong Kong, que interrompeu uma sequência de três pregões negativos, uma vez que papéis de tecnologia se recuperaram de fortes perdas registradas nesta semana. O Hang Seng teve alta de 0,78%, fechando aos 28,231,04 pontos, máxima da sessão.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho pelo segundo dia seguido, após fechar em nível recorde no começo da semana. O S&P/ASX 200 caiu 0,73% em Sydney, aos 7.044,90 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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