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Fundos de Investimentos

Com juro alto, cresce o ganho real dos fundos de renda fixa; conheça os campeões em março, no ano e em 12 meses

Em março, 124 fundos conseguiram entregar rendimento líquido real ao cotista

Data de publicação:11/04/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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Com a Selic a 11,75% e o atual nível dos juros, os fundos de renda fixa estão fazendo bonito frente à inflação: de forma expressiva cresceram tanto o número de fundos com rendimento superior à inflação em março, de 1,62%, como também a fatia de ganho real paga ao cotista, que chegou a 4,02% em período de 12 meses.

Em fevereiro, 10 fundos de renda fixa apresentaram performance acima do IPCA de 1,01%. Já no mês passado, o total dos que entregaram rendimento líquido real subiu para 124 em um universo total de 793 fundos da base de levantamento da Mais Retorno pesquisados. Todos com rentabilidade a partir de 2,11%, em março, portanto acima da inflação e parcela real mesmo depois do desconto do imposto de renda.

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Ganho real chega a 4,02% em período de 12 meses - Foto: Reprodução

Os campeões em cada período

Fundos de renda fixa distintos, de diferentes gestoras, ocuparam o topo do ranking dos mais rentáveis em períodos diversos pesquisados pela ferramenta Comparador de Ativos, da Mais Retorno. O destaque em março foi o FI Caixa Brasil IMA B+Títulos Públicos RF LP, com rendimento de 3,53%; no ano, o Kinea IPCA Dinâmico II FIC FI RF, com 5,68%, e, em 12 meses, o Infinity Tiger Alocação Dinâmica FI RF, 15,77%.

Todos renderam acima da inflação. O FI Caixa Brasil IMA B 5+ Títulos Públicos entregou ganho real de 1,88%; o Kinea IPCA Dinâmico, de 2,40%; e o Infinity Tiger Alocação Dinâmica, retorno real de 4,02%.

Embora na liderança em respectivos períodos, a consistência dos resultados dos fundos deve ser analisada em outros prazos. Veja, por exemplo, que o FI Caixa Brasil é o mais rentável em março, mas apresenta uma performance sofrível em 12 meses.

No estudo abaixo, feito com o Comparador de Ativos da Mais Retorno, foi incluído o BB RF Curto Prazo Automático Setor Público. Ele não está entre os que mais renderam, mas é o fundo de maior patrimônio dentro da classe de renda fixa. É exemplo de que como muitos cotistas estão deixando de remunerar bem o dinheiro ao permanecer num fundo desses.

fundos de renda fixa
Fonte: Mais Retorno

Rendimento X inflação

FundoRend. em 12 mesesRend. em 2022Rend. março
Infinity Tiger Alocação Dinâmica15,77%4,99%1,80%
Kinea IPCA Dinâmico 9,75%5,68%3,04%
FI Caixa Brasil IMA B 5+ Tít. Púb. 1,88%0,21%3,53%
BB RF C. Prazo Autom. S. Público 4,41%1,90%0,73%
IPCA11,30%3,20%1,62%
Fonte: Mais Retorno

Fundo exclusivo que atende à Previdência Social

O FI Caixa IMA B 5+ aloca perto de 90% do portfólio em títulos públicos indexados à inflação, com vencimento acima de cinco anos, que pagam parcela de juro real e IPCA. É um fundo criado pela Caixa para atender os fundos de Previdência Social, sem acesso para o investidor pessoa física, explica Lucas Paulino, especialista da SVN Investimentos.

“A restrição ao uso de títulos públicos com prazo inferior a cinco anos inibe uma gestão dinâmica do portfólio”, avalia Paulino. Uma condição, para ele, que deixa o gestor sem muita mobilidade, o que pode impactar em retorno menor para o fundo.

A proposta do Kinea IPCA Dinâmico II FIC FI, o campeão no ano, é entregar pelo menos juro real de 3% ao ano mais correção monetária. Um aceno que, à primeira vista, não parece seduzir o investidor, no momento, com a Selic em 11,75% ao ano e títulos públicos que pagam IPCA mais 5% ao ano, analisa o especialista da SVN.

“Mas em janelas mais longas, em um cenário de queda da Selic, esse fundo tende a se tornar um produto atraente e competitivo”, acredita Paulino. A expectativa de analistas é que a taxa básica de 12,75% ao ano, aonde deve chegar em maio, siga nesse patamar até o fim de 2022.

O gestor desse fundo pode alocar os recursos da carteira em títulos públicos, de crédito privado e de renda fixa internacional. No momento, 90% do portfólio está em títulos com vencimento abaixo de um ano, portanto de baixo risco, capturando a inflação alta mais um prêmio real.

Os campeões em 12 meses

O ranking dos 10 fundos de renda fixa mais rentáveis em 12 meses, em levantamento da Mais Retorno, situou o Infinity Tiger Alocação Dinâmica em primeiro lugar, com rendimento de 15,77%. A lista é completada com o CA Indosuez Tenace RF CP com rendimento de 11,30%. Todos entregaram rentabilidade acima da inflação de 11,30% do período.

FundoRend. 12 mesesRend. 2022Rend. março
Infinity Tiger Alocação Dinâmina15,77%4,99%1,80%
Infinity Lotus14,60%4,97%1,82%
Sparta Debêntures Inc. Inflação13,65%4,24%2,64%
Schroder Premium 30 Advisory12,47%2,95%1,07%
Sul America Premium12,04%2,71%1,07%
Infinity Select11,88%4,38%1,57%
CA Indosuez Agilitè11,63%3,29%1,35%
Novo Incent. Inv. Infraestrutura11,57%3,24%3,02%
CA Indosuez Tenace11,37%3,45%1,31%
IPCA11,30%3,20%1,62%
Fonte: Mais Retorno

Transição para uma estratégia mais conservadora

Os resultados do fundo chamam a atenção. O Infinity Tiger Alocação Dinâmica FI RF comanda a rentabilidade não apenas no ano e em 12 meses, mas em períodos mais longos, como em 24 meses (com rendimento de 36,57%) e 36 meses (com 33,17%). São resultados passados, que devem ser vistos pelo retrovisor e analisados com cautela, avalia Paulino. “O fundo passou por uma mudança gradual de estratégia, nos últimos 12/24 meses, para uma gestão mais conservadora”, avalia.

Os campeões em março

O fundo campeão em março foi o FI Caixa Brasil IMA B+5 Títulos Públicos RF LP, que acumulou rentabilidade de 3,53%, seguido do BTG Pactual Tesouro IPCA Longo FI RF Referenciado, com 3,52%. O fundo que fecha a lista de 12 com melhor desempenho no mês é o Capitânia Infra 90 FIC Incentivado Investimento Infra RF CP, com rendimento de 3,42%.

Títulos para ganhar da inflação no mês

A contínua elevação da Selic ajudou, mas a estratégia vitoriosa de todos os 12 fundos de renda fixa mais bem performados foi a ancoragem da carteira em títulos indexados à inflação. Uma escolha por gestão agressiva e arrojada, com opção pelos títulos públicos atrelados ao IPCA e pelas debêntures incentivadas, isentas de imposto.

Do total de 11 fundos mais bem sucedidos, seis têm os recursos da carteira alocados em títulos que compõem o IMA B 5+ (Índice de Mercado Anbima), uma cesta de papeis públicos indexados à inflação; quatro a títulos públicos federais atrelados à inflação – Notas do Tesouro Nacional da série B (NTNs-B), e dois a títulos de dívida privados, a debêntures incentivadas, também ligados ao IPCA.

FundoRend. marçoRend.2022Rend.12 meses
FI Caixa Brasil IMA B+53,53%1,88% 0,21%
BTG Pactual Tesouro IPCA Longo3,52%1,83% 0,35%
BB Prev. IMA B+5 Tít. Públicos3,52%1,82% 0,35%
Trend Inflação Longa3,52%1,78% 0,38%
Itaú Private IMA B+53,51%1,79% 0,21%
Itaú IMA B Ativo3,50%3,14% 5,48%
Itaú Index Juros Reais B+53,50%1,76% 0,09%
Icatu Vanguarda Inflação Longa3,46%1,67%-0,32%
G5 Allocation Inflação3,46%2,94% 8,39%
ARX Elbrus PRO Inc. Infraestrutura3,42%3,13% 8,37%
Capitânia Infra 90 Inc. Inv. Infra.3,42%3,47%10,33%
Fonte: Mais Retorno

Juros futuros impactam positivamente os fundos

A queda dos juros futuros, após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 16 de março, valorizou os títulos das carteiras desses fundos. A sinalização dada pela ata de que o ciclo de elevação dos juros chegaria ao fim em maio, com a Selic em 12,75%, reafirmada depois por Campos Neto, presidente do Banco Central, abortou a expectativa de continuidade de alta da Selic além de maio, com taxa básica mais alta.

Algumas casas de análise chegaram a estimar uma Selic de até 14%, com o fim do ciclo estendido para junho. A reversão de expectativas freou a escalada dos juros futuros e valorizou os títulos, públicos e privados, indexados à inflação, em circulação. Movimento que gerou ganho adicional robusto para os fundos com esses papeis na carteira em março.

As carteiras de títulos públicos (IMA) e de debêntures indexadas ao IPCA tiveram as maiores rentabilidades, segundo o boletim de Renda fixa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O IMA-B5+ acumulou uma rentabilidade de 3,56%.

A carteira de títulos corporativos seguiu a tendência da carteira de títulos públicos em março. O índice IDA IPCA Infraestrutura, que reflete a variação da carteira de debêntures incentivadas, obteve retorno de 3,09%

Fundos mais bem performados no ano

O Kinea IPCA Dinâmico II foi o fundo de renda fixa com melhor desempenho no primeiro trimestre. Entregou ao investidor um rendimento de 5,68%, também com estratégia calibrada em títulos indexados ao IPCA.

Desse rendimento, 3,04% foi obtido apenas em março, mês que os papeis atrelados à inflação apimentaram o rendimento das carteiras. Todos os 10 fundos da lista, completada pelo Itaú Seleção Multi RF, com 4,02%, renderam acima da inflação de 3,20% acumulada pelo IPCA no período.

FundoRend. 2022Rend. 12 mesesRend. março
Kinea IPCA Dinâmico5,68% 9,75%3,04%
Itaú Kinea IPCA Dinâmico5,64% 9,67%3,01%
Kinea IPCA Din. Advisory5,62% 9,51%3,02%
Infinity Tiger Aloc. Dinâmica4,99%15,77%1,80%
Infinity Lotus4,97%14,60%1,82%
Infinity Select4,38%11,88%1,57%
Sparta Deb. Inc. Inflação4,24%13,65%2,64%
Sparta Top Inflação4,10%10,84%2,70%
BB Prev. Tít. Públ. IPCA4,04%10,37%2,30%
Itaú Seleção Multi RF4,02% 7,34%1,87%
Fonte: Mais Retorno
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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